Bolsonaro critica PL dos absorventes gratuitos e ironiza: ‘Começaram a menstruar no meu governo’

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Presidente voltou a justificar veto em conversa com apoiadores (Reprodução/Foco do Brasil/Youtube)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a comentar sobre o projeto de lei que previa a distribuição gratuita de absorventes para mulheres de baixa renda – vetada por ele há um mês. Em conversa com apoiadores nesta quinta-feira (25), o presidente criticou a proposta apresentada e disparou: “A mulher começou a menstruar no meu governo”.

O assunto veio à tona no chamado “cercadinho” de Bolsonaro, em que o presidente conversa com bolsonaristas na porta do Palácio da Alvorada. “Quando, às vezes, eu veto, o pessoal desce a lenha. É igual o Modess, lembra do Modess?”, disse o chefe do Executivo, em referência a uma marca de absorventes que deixou de ser produzida no Brasil em 2008.

O presidente ainda continuou, em tom de ironia: “Bacana, né? Não sabia… A mulher começou a menstruar no meu governo. No governo do PT não menstruava, no do PSDB não menstruava também”. Os eleitores que estavam no local reagiram criticando a “esquerda”.

Bolsonaro também voltou a reforçar o argumento utilizado para vetar a proposta e citou preocupação com um possível crime de responsabilidade. “O cara apresenta o projeto e não apresenta a fonte de recurso. Se eu sanciono, artigo 85 da Constituição. Se não tiver de onde venha o recurso, é crime de responsabilide”.

‘Se o PT voltar, as mulheres vão deixar de menstruar’

Bolsonaro ainda estendeu o assunto e voltou a comentar gestões antigas ao rebater as afirmações de que ele seria “contra mulheres que menstruam”. “Se o PT voltar, as mulheres vão deixar de menstruar e está tudo resolvido”, disparou.

O presidente também reconheceu a seriedade do tema e voltou a se justificar. “A gente sabe o que é isso, a dificuldade da mulher que não tem recurso. A gente sabe disso. Agora tudo joga na conta do Estado, sem responsabilidade”. Confira o momento:

O veto

O projeto que propunha a distribuição gratuita de absorventes a meninas em situação de vulnerabilidade foi vetado pelo presidente no início de outubro. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e vai na contramão de deliberações recentes nos estados e municípios.

O PL tinha o objetivo de garantir a distribuição de absorventes de forma gratuita a estudantes de baixa renda de escolas públicas e mulheres em situação de rua ou de vulnerabilidade extrema.

Bolsonaro vetou cinco dos sete artigos do Projeto de Lei (PL) 4968/19, da deputada Marília Arraes (PT-PE) e outros 34 parlamentares – majoritariamente da bancada petista, que cria o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual. A proposta, após aprovação da Câmara dos Deputados, foi endossada pelo Senado no dia 14 de setembro e seguiu para a sanção do presidente.

Edição: Roberth Costa
Giovanna Fávero
Giovanna Fáverogiovanna.favero@bhaz.com.br

Editora do BHAZ desde julho de 2021 e repórter desde 2019. Graduada em jornalismo pela PUC Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais). Participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2021, além de figurar entre os finalistas do prêmio Sebrae de Jornalismo também em 2021.

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