A Justiça de Minas Gerais aceitou a denúncia do Ministério Público (MPMG) contra a diarista Paola Stefany Neto Cirino, suspeita de matar um casal de idosos no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Com a decisão, ela passa a responder formalmente a uma ação penal por dois crimes de latrocínio (roubo seguido de morte), além de fraude processual e furto mediante fraude.
O juiz Alexandre Magno de Resende Oliveira, da 2ª Vara Criminal de Belo Horizonte, também recebeu a denúncia contra Leonardo do Nascimento, dono de um restaurante no Centro da capital, acusado de participar da fraude com cartões bancários das vítimas após o crime. Os dois terão prazo de dez dias para apresentar defesa.
Na decisão, o magistrado afirmou que há provas da materialidade dos crimes e indícios suficientes de autoria para o prosseguimento da ação penal. Entre os elementos citados estão laudos periciais, imagens de câmeras de segurança e a unha de gel encontrada sob o corpo de uma das vítimas, compatível com a utilizada por Paola no dia do crime.
O processo, no entanto, foi desmembrado em relação a Vinícius Moreira Mitre, primo de uma das vítimas. A Polícia Civil deverá aprofundar as investigações para apurar uma eventual participação dele no caso, já que foi o responsável por indicar a diarista ao casal e recebeu uma ligação dela durante o crime, sem acionar socorro, segundo o Ministério Público.
Já os investigados por suspeita de receptação dos bens das vítimas também tiveram os processos separados. Como não respondem por crimes com violência, eles poderão ser avaliados para eventual Acordo de Não Persecução Penal (ANPP).
A defesa de Paola também pediu a revogação da prisão preventiva. Antes de decidir sobre o pedido, o juiz determinou que o Ministério Público se manifeste.
Relembre o caso
Segundo as investigações da Polícia Civil, Paola Stefany Neto Cirino trabalhava como diarista na casa das vítimas havia poucos dias quando cometeu o crime, em julho deste ano. O Ministério Público sustenta que ela dopou o casal com clonazepam misturado em um suco e, ao ser surpreendida durante o roubo, matou Cláudio Atala Inácio e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio com dezenas de golpes de faca. A denúncia também aponta que a suspeita tentou apagar vestígios do crime antes de deixar o imóvel.
Após os assassinatos, Paola teria usado cartões bancários das vítimas em um restaurante no Centro de Belo Horizonte, onde, segundo o MPMG, simulou transações em máquinas de cartão com a ajuda do proprietário do estabelecimento para obter dinheiro. A diarista foi presa dias depois em um hotel de Itabira, onde, de acordo com a Polícia Civil, planejava fugir do estado com o filho.
Além de Paola e do dono do restaurante, o Ministério Público também pediu o aprofundamento das investigações sobre um primo de uma das vítimas, responsável por indicar a diarista para o trabalho. A Promotoria apontou contradições e omissões no depoimento dele e solicitou o desmembramento dessa parte do caso para novas diligências da Polícia Civil.








