Um dia depois de vencer a eleição para o governo de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos) disse que vai deixar as diferenças políticas de lado para governar. Em entrevista ao vivo à TV Globo, nesta segunda-feira (5), ele prometeu se aproximar do próximo presidente da República, seja quem for, chamar ex-adversários para o secretariado e manter programas do atual governo.
“Eu acho que a política é para isso: tira o lado ideológico, tira o lado partidário e a primeira coisa que a gente tem que pensar é no povo. E o que eu vou pensar primeiro é no povo mineiro, para quem votou em mim e para quem não votou”, afirmou.
Ligação para Lula ou Flávio Bolsonaro
O primeiro exemplo dado por Cleitinho foi a relação com o Palácio do Planalto. Ele afirmou que a primeira ação como governador será telefonar para o vencedor do segundo turno presidencial, Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL), para tratar da dívida de Minas com a União e de parcerias em saúde e rodovias.
“Você não faz política sem o governo federal”, disse. Segundo ele, a gestão estadual dos últimos quatro anos “atacou muito o governo federal”.
Cleitinho contou que teria a mesma postura até com um adversário direto. Ele citou o candidato Renan, que, segundo ele, passou a campanha o criticando. “Se eu tivesse ido pro segundo turno e ganhasse essa eleição, o primeiro que eu ligaria era para ele”, afirmou.
Adversários no secretariado
A mesma lógica, segundo o governador eleito, vale para a montagem da equipe. Ele disse que pretende conversar com candidatos derrotados e não descartou convidá-los para secretarias. Os nomes citados foram Flávio Roscoe e Gabriel Azevedo.
“Qual que é o problema do Flávio Roscoe, que a gente tem um alinhamento muito parecido um com o outro, eu poder sentar com ele agora e fazer um convite para poder fazer parte do meu secretariado? Flávio Roscoe é um cara extremamente competente”, disse.
Cleitinho também afirmou que pode aproveitar propostas dos planos de governo dos adversários. “Qual que é o problema de eu pegar do plano de governo o que eu achar interessante, que não vi na época da campanha, e executar agora?”, questionou. Segundo ele, no dia da eleição mandou mensagem a cada candidato desejando boa sorte. “Alguns me responderam, outros não.”
Transição com Mateus Simões
Sobre o atual governador, Mateus Simões, Cleitinho disse que já conversou com ele e que vai manter o que estiver funcionando. “O que for bom do governo, eu dou continuidade. O que eu achar que preciso melhorar, eu tenho que melhorar. Eu não tenho que colocar vaidade em primeiro lugar”, afirmou.
Na educação, ele citou a ampliação das escolas de tempo integral e o programa Trilhos do Futuro, de qualificação de jovens para o mercado de trabalho, como iniciativas que devem seguir.
Partidos só com currículo
Apesar do discurso de união, Cleitinho estabeleceu um limite para a relação com os partidos. Ele disse que vai conversar com todas as legendas para ter governabilidade na Assembleia Legislativa, mas que as indicações terão de ser técnicas.
“Traga o currículo para mim. Desde que o indicado seja uma pessoa competente, eu não vejo problema nenhum”, disse. “Agora, o que eu não vou fazer é como os governos anteriores fazem: barganha com secretariado, inclusive com as estatais”, completou, citando a Cemig e a Copasa.
“Meu governo será para todos”
No fim da entrevista, o governador eleito mandou um recado a quem não votou nele. “Acalmem o coração, meu governo será para todos”, disse.
Cleitinho Azevedo recebeu mais de 6 milhões de votos e toma posse em 1º de janeiro de 2027.







