Policiais chamam Bolsonaro de traidor e ameaçam protestos pelo país

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Bolsonaro não agradou policiais e pode enfrentar protestos pelo país (Wilson Dias/Agência Brasil)

Profissionais da segurança pública ameaçam realizar protestos em cidades de todo país nesta quarta-feira (10). Delegados, peritos, agentes da Polícia Federal, policiais rodoviários federais e outras carreiras públicas civis de segurança estão insatisfeitos com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Eles se dizem traídos pelo presidente, que teria prometido poupar os profissionais da categoria do teto de congelamento de gastos. O governo, contudo, apoiou a PEC emergencial que inclui os policiais no controle de despesas.

O senador Flávio Bolsonaro, um dos filhos do presidente, da mesma forma, foi contra a exclusão dos policiais da PEC de gastos. O texto foi enviado à Câmara pelo Senado. Se aprovado, o texto estabelece um gatilho para congelamento de salário e proibição de progressão na carreira e novas contratações sempre que houver decretação de estado de calamidade ou quando a relação entre despesas correntes e receitas correntes alcançar 95%.

“Não foi nada disso que se prometeu, que trabalhou em campanhas. Não foi para nada disso que muitos foram eleitos e infelizmente nós fomos abandonados. Não somos apenas nós que vamos pagar com isso, mas a sociedade, que vai receber uma segurança pública insuficiente – e a população merece uma segurança melhor”, disse Marcos Camargo, presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), em coletiva de imprensa, nesta manhã (10).

O servidor reforçou que Bolsonaro se aproveitou da PEC para passar medida. “Nós vamos usar da liberdade que temos como servidores do estado –  e não do governo – para mostrar a nossa indignação de como o governo tem tratado o serviço publico de forma geral”, disse.

Reforma da Previdência

Os servidores afirmaram que estão sentindo a desvalorização da sua categoria desde a emenda, aprovada no governo de Michel Temer (MDB), que alterou o sistema de previdência social no país. “Primeiro, a Reforma da Previdência, e agora vem com a PEC emergencial impedindo por até 15 anos progressões, contratações, promovendo o sucateamento do serviço público e da própria segurança publica”, disse o presidente da APCF.

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As reivindicações, mobilizadas pela UPB (União dos Policiais do Brasil), mostra uma união história. Segundo com a entidade, pela primeira vez, “todas as forças policiais estão juntas em prol do brasil, do nosso cidadão e da nossa pátria”. “A UPB já existe há muito tempo, as entidades se uniram na época de Temer em prol de minimizar esses prejuízos. Muitos, desde 2018, estão acreditando na valorização dos policiais – todos os de natureza civil. Mas nós sabemos da diferenciação do serviço. Desde a reforma previdência pra cá nós vemos um sentido contrario da valorização”, disse Alex Galvão, presidente municipal da Sinpol-DF (Sindicado dos Servidores da Polícia Civil).

Os policiais também lembraram do alto índice de suicídio, ansiedade, e depressão na profissão. “Estamos no limite. Se daqui pra frente não tivermos uma mudança de postura, a situação nossa tende a piorar”, disse o presidente.

Vacinação

Os profissionais afirmaram que a prioridade do governo federal deve ser a vacinação – e não a redução de gastos dos servidores públicos. “Nós, a sociedade brasileira, precisamos de vacina, vacinação, não é de arrocho, de ações fiscais que são meramente punitivas ao serviço publico e as profissionais de serviço publico. A população também precisa de auxílio emergencial”, disse Marcos Camargo.

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O policial também reforçou que a segurança pública foi um dos serviço púbico que não parou – e é essencial para a sociedade. Os policiais são proibidos de fazer greve, por isso, de acordo com a entidade, o plano é realizar paralisações ao longo do dia. os profissionais já instalaram uma placa na rua, em Brasília, com um apelo aos deputados, que vão votar pela PEC Emergencial na Câmara – com previsão para ainda esta semana.

Edição: Vitor Fernandes

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