Relatório da CPI da Covid pede indiciamento de Bolsonaro e de três filhos do presidente; veja lista completa

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Bolsonaro pode ser indiciado por crime contra a humanidade (Reprodução/@jairmessiasbolsonaro/Instagram)

O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), divulgou nesta quarta-feira (20) o relatório final do inquérito. O texto pede pelo indiciamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por 10 crimes, e de três filhos do chefe do Executivo federal por incitação ao crime. A lista de mais de 60 pessoas também inclui ministros, ex-ministros, deputados federais, empresários, médicos e pessoas ligadas à saúde.

O relator Renan Calheiros leu o documento durante a sessão de hoje (20), que já foi encerrada pelo presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM). O texto final será votado na próxima terça-feira (26). O relatório final também sugere um projeto de lei para criminalizar a criação e divulgação de fake news sobre saúde pública.

O texto pede pelo indiciamento de Bolsonaro pelos seguintes crimes:

  • epidemia com resultado morte;
  • infração de medida sanitária preventiva;
  • charlatanismo;
  • incitação ao crime;
  • falsificação de documento particular;
  • emprego irregular de verbas públicas;
  • prevaricação;
  • crimes contra a humanidade;
  • violação de direito social;
  • incompatibilidade com dignidade, honra e decoro do cargo.

‘Não temos culpa de nada’

Em resposta, o presidente criticou a comissão de inquérito e alegou que não tem “culpa de absolutamente nada”. “Como seria bom se aquela CPI tivesse fazendo algo de produtivo para o nosso Brasil. Tomaram tempo de nosso ministro da Saúde, de servidores, de pessoas humildes e de empresários”, disse.

Bolsonaro afirmou ainda que a investigação “não produziu nada, a não ser o ódio e rancor entre alguns de nós”. “Mas nós sabemos que não temos culpa de absolutamente nada. Sabemos que fizemos a coisa certa desde o primeiro momento”, completou o presidente.

01, 02 e 03 também são citados

O relatório ainda sugere o indiciamento de três, dos cinco filhos de Bolsonaro – todos que se encontram na política atualmente. O texto alega incitação ao crime por parte dos irmãos, sendo eles o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ).

O senador chamou o texto de “peça política” e alegou que não há amparo jurídico para o seu indiciamento. “Eu fico imaginando o constrangimento de toda a assessoria do senador Renan Calheiros ao ser obrigada por ele a incluir essas sandices, essas maluquices, essas coisas sem pé nem cabeça”, disse à TV Senado.

Lista completa

Confira abaixo os nomes de todos os servidores, políticos e demais figuras que o relatório final sugere que sejam indiciadas:

Ministros

  • Marcelo Queiroga (Saúde) : epidemia com resultado morte e prevaricação;
  • Onyx Lorenzoni (Trabalho): incitação ao crime e crime contra a humanidade;
  • Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União): prevaricação;
  • Braga Netto (Defesa): epidemia com resultado morte.

Ex-ministros

  • Eduardo Pazuello (Saúde): epidemia com resultado morte, emprego irregular de verbas públicas, prevaricação, comunicação falsa de crime e crime contra a humanidade;
  • Ernesto Araújo (Relações Exteriores): epidemia com resultado morte e incitação ao crime.

Deputados

  • Ricardo Barros (PP-PR): incitação ao crime, advocacia administrativa, formação de organização criminosa e improbidade administrativa;
  • Bia Kicis (PSL-DF): incitação ao crime;
  • Carla Zambelli (PSL-SP): incitação ao crime;
  • Osmar Terra (MDB-RS): incitação ao crime e epidemia culposa com resultado morte;
  • Carlos Jordy (PSL-RJ): incitação ao crime.

Empresários

  • Carlos Wizard: epidemia com resultado morte e incitação ao crime;
  • Luciano Hang: incitação ao crime;
  • Otávio Fakhoury: incitação ao crime;
  • Francisco Emerson Maximiano: falsidade ideológica, uso de documento falso, fraude processual, fraude em contrato, formação de organização criminosa e improbidade administrativa;
  • Marcos Tolentino: fraude em contrato, formação de organização criminosa e improbidade administrativa
  • Raimundo Nonato Brasil: corrupção ativa e improbidade administrativa;
  • Fernando Parrillo: perigo para a vida ou saúde de outrem, omissão de notificação de doença falsidade ideológica, crime contra a humanidade;
  • Eduardo Parrillo: perigo para a vida ou saúde de outrem, omissão de notificação de doença falsidade ideológica, crime contra a humanidade.

Médicos e ligados à saúde

  • Nise Yamaguchi: epidemia com resultado morte;
  • Paolo Zanotto: epidemia com resultado morte;
  • Luciano Dias: epidemia com resultado morte;
  • Mauro Luiz de Brito Ribeiro: epidemia com resultado morte;
  • Pedro Benedito Batista Junior: perigo para a vida ou saúde de outrem, omissão de notificação de doença, falsidade ideológica, crime contra a humanidade;
  • Daniella de Aguiar Moreira da Silva: homicídio simples;
  • Paola Werneck: perigo para a vida ou saúde de outrem;
  • Carla Guerra: perigo para a vida ou saúde de outrem e crime contra a humanidade;
  • Rodrigo Esper: perigo para a vida ou saúde de outrem e crime contra a humanidade;
  • Fernando Oikawa: perigo para a vida ou saúde de outrem e crime contra a humanidade;
  • Daniel Garrido Baena: falsidade ideológica;
  • João Paulo F. Barros: falsidade ideológica;
  • Fernanda de Oliveira Igarashi: falsidade ideológica;
  • Flávio Cadegiani: crime contra a humanidade.

Assessores e ex-assessores

  • Elcio Franco: epidemia com resultado morte e improbidade administrativa;
  • Mayra Pinheiro: epidemia com resultado morte, prevaricação e crime contra a humanidade;
  • Roberto Dias: corrupção passiva, formação de organização criminosa e improbidade administrativa;
  • Airton Soligo: usurpação de função pública;
  • Arthur Weintraub: epidemia com resultado morte;
  • Roberto Goidanich: incitação ao crime;
  • José Ricardo Santana: formação de organização criminosa;
  • Fábio Wajngarten: prevaricação e advocacia administrativa;
  • Marcelo Blanco: corrupção ativa;
  • Filipe Martins: incitação ao crime;
  • Tercio Arnaud Tomaz: incitação ao crime.
Edição: Giovanna Fávero

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