O pré-candidato ao governo de Minas Gerais, Jarbas Soares (PSB), criticou a possibilidade levantada pelo governador Mateus Simões (PSD) de redirecionar os R$ 5 bilhões destinados à construção do Rodoanel da Região Metropolitana de Belo Horizonte para outras iniciativas, caso o projeto permaneça travado na Justiça. A declaração foi feita em entrevista exclusiva ao BHAZ. Jarbas é o segundo entrevistado da série de sabatinas com os postulantes ao Palácio Tiradentes.
Do investimento total previsto para a rodovia, que pretende ligar oito cidades da Grande BH, R$ 3 bilhões são provenientes do acordo de reparação pelo rompimento da barragem em Brumadinho, enquanto R$ 3 bilhões são da concessionária. Segundo Jarbas, os recursos do convênio não estão vinculados exclusivamente aos danos ambientais, humanos e sociais causados pela tragédia, mas também às perdas econômicas sofridas pelo Estado em decorrência do desastre.
“O Rodoanel foi bem assimilado por instituições como o Ministério Público, a Defensoria Pública e o governo do estado por diversos motivos. O principal deles é que a obra também beneficia a população de Brumadinho, que poderá chegar à capital mineira com muito mais rapidez. Por isso, retirar o Rodoanel é um novo crime contra Brumadinho”, afirmou.
No início deste mês, Simões afirmou que, diante do embargo judicial, os recursos não podem permanecer parados e, por isso, considera destiná-los à expansão do metrô. Segundo o governador, o principal entrave para o avanço do projeto é a necessidade de consulta a comunidades quilombolas como parte do processo de licenciamento do empreendimento.
Para Jarbas, o poder Executivo “fez todo o caminho errado” e, por isso, “não tem um metro ou uma estaca do Rodoanel construído”. “A concessão foi feita antes do licenciamento, por exemplo, e o traçado é bastante equivocado, na minha avaliação. Talvez seja preciso rever esse desenho do Rodoanel. Vejo, muitas vezes, o governo jogando a culpa no Incra, na Justiça e no Ministério Público Federal, mas o problema é o projeto. As instituições estão apenas cumprindo o seu papel”, disse.
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Candidatura própria
Na entrevista, Jarbas também revelou que o PSB decidirá até domingo (2), em convenção partidária, se lançará candidatura própria, mas que, caso opte por uma aliança com o Partido dos Trabalhadores (PT), a legenda indicará o candidato ao Senado na chapa, e não o vice-governador.
Questionado sobre a manutenção da candidatura própria, Jarbas disse que mantém conversa com “todos do campo democrático” e está preparado para a disputa estadual, no entanto, admite que é preciso buscar uma convergência.
“Sabemos que o professor Patrus Ananias, que é o candidato do PT, quer o PSB na chapa, na coligação, e nós vamos ouvir a proposta do Partido dos Trabalhadores, discutir com as instâncias partidárias”, afirmou.
Caso opte pela aliança, o ex-procurador diz que a escolha é por uma vaga no Congresso e não mais como vice. “A nossa posição é de ter apenas o candidato ao Senado e não ser candidato a vice-governador, porque o sentimento na maioria do partido é no sentido de ter a candidatura própria”, explicou.
Rodoanel
O Rodoanel da Grande BH é apontado como a maior parceria público-privada da história de Minas Gerais. Em outubro de 2025, a Justiça Federal suspendeu a licença prévia concedida ao Estado. A decisão apontou a ausência de consultas às comunidades quilombolas diretamente impactadas pelo empreendimento.
O traçado inicial passa por oito cidades: Sabará, Santa Luzia e Vespasiano, em um primeiro trecho; depois, São José da Lapa, Pedro Leopoldo e Ribeirão das Neves; e, na sequência, Contagem e Betim. Ao todo, o Rodoanel deve ter 100 quilômetros de extensão. Embora o contrato tenha sido assinado em 2023, as obras ainda não começaram. Outro impasse envolve o traçado proposto pelo Governo de Minas, que foi contestado pelas prefeituras de Contagem e Betim. Em Contagem, a principal crítica é de que a obra pode atingir uma área de proteção ambiental próxima à represa Várzea das Flores.
A expectativa do governo é de que o Rodoanel reduza entre 30 e 50 minutos o tempo de deslocamento na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A projeção é de que cerca de 5 mil caminhões deixem de circular diariamente em áreas urbanas, especialmente no Anel Rodoviário.









