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PrEP: saiba como medicamento ajuda a evitar o HIV, quem pode tomar e como ter acesso gratuito em BH

01/12/2025 às 18h05 - Atualizado em 01/12/2025 às 18h07
Foto: Prefeitura de Mucuri/Divulgação

Marcado como o Dia Mundial de Luta contra a AIDS, o 1º de dezembro busca conscientizar a população geral sobre a importância da prevenção e tratamento contra o vírus da imunodeficiência humana (HIV). No combate ao surgimento de novos casos, ao longo dos anos, medicamentos foram desenvolvidos para garantir a saúde de pessoas que compõem o grupo de maior risco de transmissão. Entre eles, está a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), de uso contínuo, e disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Em Belo Horizonte, as pílulas podem ser adquiridas gratuitamente. O BHAZ esclarece como a PrEP pode ajudar a prevenir como do HIV, o vírus causador da AIDS, quem pode tomá-la e como ter acesso nas unidades de saúde de Belo Horizonte.

O Dia Mundial de Luta contra a AIDS foi criado em 1988 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o programa conjunto UNAIDS é o responsável por difundir a temática e fortificar a batalha contra a doença. Neste ano, o tema do dia é “Eliminar as barreiras, transformar a resposta à AIDS”.

Segundo o UNAIDS, ao final de 2024, 40,8 milhões de pessoas no mundo viviam com o vírus. Em resposta, 31,6 milhões faziam tratamento em combate à doença. Para previnir, a PrEP funciona a partir da ingestão de comprimidos antes da relação sexual, o que permite que o corpo e o organismo se protejam contra um eventual contato com o HIV. Segundo o governo brasileiro, a pessoa em PrEP realiza acompanhamento regular de saúde, com testagem para o HIV e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST).

No início de 2025, Belo Horizonte instituiu uma nova estratégia de atendimento para PrEP. Nos anos anteriores, as consultas eram realizadas somente em cinco unidades de atenção especializada da rede SUS-BH. Atualmente, a oferta contempla também as 153 unidades básicas de saúde da cidade. Cerca de 5.800 pessoas são usuárias de PrEP na capital mineira.

PrEP e quem pode usá-la

A PrEP é utilizada nos Estados Unidos desde 2012 e chegou ao Brasil em 2017. Trata-se de um medicamento que envolve o uso de antirretrovirais combinados, utilizado por pessoas que não têm o vírus, mas buscam se prevenir.

Inicialmente, a PrEP era algo somente para alguns grupos mais expostos à doença, mas, agora, qualquer pessoa pode fazer o uso desse medicamento. É indicado, principalmente, para quem não tem parceiros fixos e não usa preservativos regularmente. Contudo, é importante frisar que uma proteção não anula a outra.

Quando tomada regularmente, a PrEP é altamente eficaz em reduzir o risco de infecção. A prevenção é destinada às pessoas com 15 anos ou mais, que tenham peso corporal igual ou superior a 35 kg, que sejam sexualmente ativas e que apresentem contextos de risco elevado para a infecção pelo vírus.

Como conseguir em BH

Conforme protocolo da PBH, após a consulta com profissional em um dos centros de saúde ou serviços especializados, o usuário é encaminhado a uma Unidade de Dispensação de Medicamentos (UDM) para cadastro e retirada da PrEP.

Ainda conforma a cartilha da prefeitura, a PrEP pode ser iniciada de imediato para pacientes sem histórico de doença renal ou fator de risco. Para pessoa com as citadas comorbidades, deve-se solicitar os exames e agendar o retorno para primeira prescrição após avaliação da função renal.

Após o início da profilaxia, o primeiro retorno deve ocorrer antes dos primeiros 30 dias de tratamento. As próximas devem ocorrer a cada 120 dias ou em períodos determinados pelos agentes de saúde. Caso necessário, novos testes rápidos contra HIV e demais IST deverão ser realizados.

A PBH afirma que a PrEP é contraindicada para usuários com clearance– taxa de eliminação de uma substância do corpo– inferior a 60mL/min. De acordo com o protocolo, o exame de creatinina deve ser realizado anualmente, exceto para casos de usuários com mais de 50 anos com histórico de comorbidades como diabetes e hipertensão arterial sistêmica (HAS) e pacientes com clearance de creatinina inferior a 90mL/min. Para eles, a frequência deve ser semestral.

Durante a consulta, deve ser verificada a vacinação contra hepatite B, em 3 doses. Se incompleto ou inexistente, deve-se realizar a aplicação do imunizante para que o tratamento de PrEP continue.

Usuários com idade igual ou maior de 18 anos sem comorbidades podem receber atendimento no Centro de Saúde. Já Gestantes, pessoas com comorbidades e adolescentes de 15 a 17 anos devem realizar o atendimento no Serviço de Atenção Especializada (SAE) e realizar a solicitação pela Solução Integrada de Gestão Hospitalar, Ambulatorial e de Regulação (SIGRAH).

Em caso de teste de HIV reagente, a PrEP não está indicada e o paciente deve ser encaminhado para tratamento via SIGRAH (infectologia adulto/HIV). Se o teste for não reagente, os agentes de saúde devem iniciar prescrição de PrEP para 30 dias e olicitar exames de creatinina, anti-HBc e anti-HBs.

Efeitos colaterais

Existem efeitos colaterais provenientes da PrEP, que podem ocorrer na fase inicial do tratamento e costumam desaparecer ainda nos primeiros meses. Dores de cabeça e no estômago, perda de apetite, vômitos, náuseas, fadiga, tonturas e pequeno aumento de transaminases (enzimas presentes no fígado) são alguns deles.

Todo o tratamento deve ser feito com acompanhamento médico. O paciente deve sempre informar ao profissional de saúde caso sinta algum desses sintomas ou outros, de forma persistente.

Também podem surgir efeitos colaterais de longo prazo. Em casos bem raros, a PrEP causou danos aos rins. Nessas ocasiões, o uso do medicamento precisa ser suspenso para que os rins voltem à sua função normal.

Tempo para início da proteção

No tecido vaginal, a PrEP leva 21 dias para iniciar a proteção contra o HIV. No caso de relações anais passivas (em que a pessoa é penetrada), a PrEP demora sete dias para começar a agir. É importante aguardar esse tempo para alcançar a proteção necessária.

PrEP sob demanda

A PrEP sob demanda é o uso planejado de antirretrovirais (ARV) pelo esquema 2 + 1 + 1. São dois comprimidos entre 2 e 24 horas antes da exposição de risco, um comprimido 24 horas após essa dose dupla inicial e outro 48 horas depois da dose dupla inicial.

Caso haja relação sexual antes da conclusão do ciclo 2 + 1 + 1, é só continuar tomando a PrEP diária enquanto tiver relações. Depois da última exposição, tomar a PrEP diária por outros dois dias.

Onde conseguir PrEP em BH?

O primeiro passo para conseguir a PrEP é procurar alguma Unidade de Dispensação de Medicamentos. A pessoa interessada vai à unidade pública ou consultório particular, fala do interesse e recebe explicações sobre o que é a PrEP, para iniciar a profilaxia. A partir de então, é feita a prescrição de medicamentos que o paciente poderá fazer a retirada”, explica Curi.

É importante frisar que esses medicamentos não são retirados em farmácias particulares. “São totalmente distribuídos pelo SUS”, reforça o médico.

Endereços das UDM em BH

  • UDM Hipercentro: Rua dos Caetés, 466, 3º andar – Centro;
  • UDM CTR DIP Orestes Diniz: Alameda Vereador Álvaro Celso, 241 – Santa Efigênia;
  • UDM URS Centro-Sul: Rua Paraíba, 890 – Funcionários;
  • UDM CTA/SAE Sagrada Família: Rua Joaquim Felício, 141 – Sagrada Família;
  • UDM Hospital Eduardo de Menezes: Rua Doutor Cristiano Rezende, 2.213 – Bonsucesso;
  • UDM UNIFENAS: Rua Líbano, 66 – Itapoã.

Os endereços dos 153 centros de saúde da cidade podem ser consultados no portal da Prefeitura.

HIV x Aids

O surgimento do vírus HIV já tem mais de 40 anos, mas, mesmo assim, muita gente ainda não sabe que ser portador do HIV, não significa ter Aids. São coisas distintas.

O HIV é a sigla, em inglês, para o vírus da imunodeficiência humana. Ele pode (ou não) levar ao desenvolvimento da síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids), doença que ataca o sistema imunológico.

No momento em que a doença se instala, o paciente pode ficar com imunidade muito baixa, o que deixa o organismo suscetível a doenças oportunistas, tais como tuberculose, pneumonia, entre outras.

Um corpo com a imunidade alta conseguiria conter essas doenças sozinho, mas, com a defesa baixa, o quadro de pode rapidamente se agravar.

Tol Ramos

Estudante de jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais. Foi estagiária do caderno de cultura do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas. Repórter do BHAZ desde setembro de 2025.
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