Ítalo Jefferson da Silva, réu pela morte Vanessa Lara de Oliveira Silva, de 23 anos, em Juatuba, na Grande BH, será submetido ao julgamento do Tribunal do Júri. Ele foi denunciado por feminicídio, estupro e ocultação de cadáver em fevereiro deste ano. No entanto, a data do audiência ainda não foi divulgada.
De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a decisão foi proferida nessa quinta-feira (9) pela juíza Alina Tereza de Mattos Azevedo. Ítalo da Silva vai responder pelos crimes de homicídio qualificado, estupro e destruição, subtração ou ocultação de cadáver, conforme denúncia oferecida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
Além disso, a magistrada também manteve a prisão preventiva de Ítalo. Na decisão, a juíza destacou que “a gravidade dos delitos, revelada pelo modus operandi brutal, além da reincidência específica do réu e sua nítida intenção de fuga (evasão para outra comarca logo após os fatos)”, evidenciam a periculosidade do homem. O processo tramita em segredo de Justiça.
Jovem sumiu após sair do trabalho
Vanessa Lara de Oliveira Silva, moradora de Pará de Minas, ela estava desaparecida desde 9 de fevereiro, quando foi vista pela última vez após sair da agência do Sistema Nacional de Emprego (Sine), localizada na avenida Antônio Dias, número 130, no Centro da cidade.
Vanessa trabalhava em uma empresa de Belo Horizonte responsável por realizar processos seletivos em unidades do Sine em diferentes municípios. No dia do desaparecimento, ela estava em Juatuba a trabalho, participando de atendimentos e entrevistas.
Câmeras de segurança mostram o momento onde Vanessa deixa o local, por volta das 14h, e segue em direção ao ponto de ônibus que faz a linha Pará de Minas, passando próximo à Igreja Betel.
O desaparecimento mobilizou familiares, amigos e colegas. Ainda naquela noite, a mãe da jovem procurou a Polícia Militar em estado de desespero, relatando que não conseguia mais contato com a filha e temia pelo pior.
Corpo é encontrado
O corpo foi localizado em um ponto de difícil visualização da pista de caminhada. Equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros atuaram na região e utilizaram um drone para auxiliar na varredura da área.
De acordo com a Polícia Militar, Vanessa foi encontrada nua e apresentava sinais de violência. A perícia da Polícia Civil esteve no local e realizou os primeiros levantamentos para apurar as circunstâncias da morte.
Homem cumpria pena em regime semiaberto
Ítalo Jefferson da Silva cumpria pena em regime semiaberto na data do crime. De acordo com o TJMG, ele estava nessa condição após ter obtido progressão de pena. Inicialmente condenado ao regime fechado pelos crimes de tráfico, furto, roubo e estupro, teve a situação penal revista após uma determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Ítalo Jefferson cumpria pena em regime fechado em Patrocínio, na região do Alto Paranaíba, quando, em setembro de 2025, o STJ julgou o Habeas Corpus nº 1022564 – MG (2025/0281100-3). Na decisão, a corte desclassificou o crime de tráfico para uso de drogas, o que levou à extinção da pena de oito anos de reclusão aplicada anteriormente.
Com a mudança, em dezembro de 2025, o Juízo de Patrocínio recalculou o total da pena e concedeu a progressão para o regime semiaberto domiciliar, determinando a expedição do alvará de soltura, cumprido em 20 de dezembro de 2025.
Em janeiro deste ano, o processo foi encaminhado à Comarca de Juatuba, após o sentenciado informar endereço na cidade. Com a suspeita do novo crime, o juízo determinou a regressão cautelar para o regime fechado e expediu mandado de prisão. As penas de Ítalo Jefferson da Silva somam 38 anos, 10 meses e 29 dias de reclusão, dos quais 23 anos, 11 meses e 19 dias já foram cumpridos.












