Morreu nesta segunda-feira (02) a sambista Adriana Araújo, uma das vozes mais marcantes do samba em Minas Gerais. Ela deixa marido, filho, amigos, e uma legião de fãs.
Adriana nasceu em 1976 na Pedreira Prado Lopes, comunidade histórica de Belo Horizonte conhecida como berço do samba da capital. Ela passou a infância em um barracão de dois cômodos construído em adobo, técnica feita de barro com capim, e sempre descreveu sua trajetória como “uma história sofrida”, marcada por privações e desafios desde cedo.
Em entrevista ao podcast Arreda Pra Cá, Adriana emocionou ao contar que, quando criança, seu maior sonho era apenas “comer presunto”, porque, mais que ambições profissionais, sua preocupação naquele momento era suprir necessidades básicas. “Esse era meu sonho: comer”, disse, lembrando com ternura e honestidade as dificuldades da juventude.
Sem grande expectativa de carreira acadêmica, Adriana encontrou na arte e na música seu espaço de expressão e superação. Ela começou sua trajetória artística participando de rodas de samba e oficinas de dança e teatro, e ganhou destaque ao integrar o grupo Simplicidade Samba, ao lado do sambista Evaldo Araújo, sua parceria de vida e palco.
Em 2020, iniciou carreira solo, lançando em 2021 o álbum Minha Verdade, que trouxe faixas autorais sobre amor, ancestralidade e identidade negra, temas que refletiam diretamente sua vivência. No ano passado, gravou o projeto 3 Jorges, que presta homenagem a Jorge Aragão, Jorge Ben Jor e Seu Jorge
Ao longo da carreira, Adriana Araújo se apresentou em eventos importantes como a Virada Cultural de BH, o Festival Sensacional e o Carnaval de Rua de Belo Horizonte, dividindo palcos com artistas nacionais como Leci Brandão, Fabiana Cozza, Arlindinho, Diogo Nogueira e Jorge Aragão. Sua presença também marcou celebrações culturais como o Dia da Consciência Negra, quando se apresentou com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais.
A artista discutia com frequência o papel social do samba e sua importância para ampliar horizontes: ela notava que mercados antes restritos estavam se abrindo a públicos diversos, incluindo pessoas que nunca tinham frequentado casas de samba e hoje se emocionam com o gênero.
Sobre a Internação
Adriana estava internada desde o último sábado (28), após sofrer um aneurisma cerebral. A belo-horizontina estava em casa quando começou a passar mal e desmaiou. Ela foi levada para uma UPA e, posteriormente, transferida ao Hospital Odilon Behrens.
A cantora estava internada em coma, entubada e sob cuidados intensivos dos profissionais. Sua morte foi confirmada nesta segunda-feira (02), aos 49 anos. Segundo a nota divulgada nas redes sociais, o quadro da cantora era ‘gravíssimo e irreversível’.








