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Frio aumenta risco de infecções respiratórias em Minas; saiba como se proteger

04/08/2026 às 15h49
gripe ou resfriado

O frio pode favorecer o aumento de infecções respiratórias por diversos motivos. Um deles é o simples fato de as pessoas passarem mais tempo em ambientes fechados e aquecidos nessa época do ano, o que facilita a transmissão de vírus e bactérias entre elas. Some-se a isso outro fator típico do inverno no Brasil: o ar mais seco. A combinação de frio e baixa umidade altera a imunidade local da mucosa nasal e das vias respiratórias, reduzindo as defesas naturais do corpo e abrindo espaço tanto para infecções quanto para processos alérgicos.

A explicação é do infectologista Ricardo Luiz Fontes Moreira, coordenador do curso de medicina da Faminas. Segundo ele, dois fatores — aglomeração em espaços fechados e ressecamento do ar — costumam andar juntos nesta época do ano e explicam boa parte do aumento de casos respiratórios registrado nos meses mais frios.

Resfriado ou gripe? Como diferenciar

Um dos erros mais comuns é tratar resfriado e gripe como sinônimos. De acordo com o infectologista, o resfriado comum é caracterizado por sintomas respiratórios altos, como nariz entupido ou escorrendo, espirros frequentes e dor de garganta leve, com poucos sintomas sistêmicos, como febre e mal-estar.

Já a gripe, nome dado especificamente à infecção causada pelo vírus influenza, costuma vir acompanhada de acometimento sistêmico mais evidente: febre, mal-estar, prostração e dor muscular difusa. “É um quadro muito mais intenso, a gripe, do que o resfriado comum. O paciente fica muito mais prostrado”, descreve Moreira. Em casos mais graves, a gripe pode evoluir para uma pneumonia viral, com falta de ar e queda da saturação de oxigênio, perceptível até por um oxímetro doméstico.

Quem tem mais risco de complicações

Idosos e crianças pequenas estão entre os grupos com maior risco de complicações por quadros respiratórios, já que os extremos de idade têm mais dificuldade de se estabilizar após uma infecção grave. Mas o infectologista chama atenção para outro grupo que costuma passar despercebido: as gestantes, que têm maior probabilidade de desenvolver quadros graves de gripe do que a população em geral.

Completam a lista de risco pacientes com doenças crônicas, como asma, DPOC, problemas cardíacos, diabetes, obesidade e doenças do sangue, como a anemia falciforme, todos com maior chance de evoluir para formas mais graves de infecção respiratória.

Quais vírus circulam nesta época do ano

O vírus influenza é apenas um dos agentes em circulação no período. Também são comuns os vírus responsáveis por infecções mais restritas às vias aéreas superiores, com sintomas mais localizados e poucos sinais sistêmicos, como o rinovírus, o adenovírus e o parainfluenza, que costumam causar coriza, lacrimejamento, obstrução nasal e alteração transitória do olfato, com resolução espontânea.

Em Minas Gerais, o infectologista destaca ainda a circulação do vírus sincicial respiratório (VSR), associado a quadros de bronquiolite em crianças com menos de 2 anos, geralmente mais graves, com tosse, prostração, falta de ar e aumento da frequência respiratória. O VSR também pode afetar idosos, principalmente os que já têm doença pulmonar prévia, provocando pneumonia viral.

A covid-19 segue em circulação no estado, com potencial para pequenos surtos, especialmente entre não vacinados. O médico ainda alerta que as próprias infecções virais podem alterar a imunidade local das vias respiratórias e favorecer a sobreposição de infecções bacterianas, aumentando também a incidência de pneumonia bacteriana convencional nesta época do ano.

Como se proteger em casa

Manter uma boa umidade do ar em casa ajuda a diminuir os quadros respiratórios, segundo o infectologista. Ele recomenda o uso de umidificadores ultrassônicos nos ambientes onde a pessoa passa mais tempo, como o quarto, mas com ressalva: um ambiente úmido demais também traz riscos, como o aumento de fungos e quadros alérgicos. “Não é bom que o ar seja muito seco, mas também não pode ser úmido demais a ponto de mofar as paredes da casa”, explica.

Manter a casa ventilada, e não somente em ambientes fechados, também é uma medida importante, já que a troca de ar reduz a chance de transmissão de doenças entre as pessoas que convivem no mesmo espaço.

Sobre o uso de máscaras, ele reforça que as máscaras cirúrgicas convencionais, as mesmas usadas durante a pandemia, continuam sendo úteis para evitar a transmissão de doenças respiratórias. Isso porque a maior parte dessas doenças é transmitida por perdigotos, gotículas relativamente grandes que não alcançam longas distâncias e são facilmente retidas por esse tipo de máscara. Segundo ele, tanto o vírus influenza quanto bactérias causadoras de pneumonia, vírus de resfriados comuns e o próprio coronavírus ficam retidos nas máscaras cirúrgicas convencionais, o que torna seu uso uma boa estratégia em ambientes fechados ou com aglomeração de pessoas.

A higienização adequada das mãos também é essencial, assim como os cuidados na hora de tossir. Segundo o infectologista, tampar a boca com a mão ao tossir contamina a mão, que depois espalha os germes ao cumprimentar alguém, tocar uma maçaneta ou abrir a porta de um carro. A recomendação é lavar as mãos com água e sabão ou usar álcool em gel a 70%, além de evitar tossir na mão. O ideal é tossir na parte interna do antebraço, que tem menor contato posterior com outras pessoas ou objetos. O uso de lenços descartáveis para tossir ou limpar o nariz, descartados imediatamente após o uso, é outra medida recomendada.

Sinais de alerta para procurar atendimento médico

Na maioria dos casos, sintomas leves e localizados respondem bem à boa hidratação e a medicações sintomáticas. Mas alguns sinais indicam que é hora de buscar atendimento médico imediato: falta de ar muito intensa, esforço grande para respirar, febre muito alta e persistente, e prostração acentuada.

Moreira chama atenção para um detalhe importante em idosos: eles nem sempre apresentam febre diante de uma infecção respiratória grave, mas podem ficar confusos ou mais sonolentos, um sinal que não deve ser ignorado. Em crianças pequenas, quadros de muita confusão ou agitação intensa também merecem atenção imediata.

De forma geral, os casos mais graves de pneumonia, seja bacteriana ou viral, se caracterizam por febre mais persistente, maior prostração e falta de ar mais intensa do que um resfriado comum, e exigem atendimento médico especializado sem demora.

Atividade física, alimentação e hidratação

Enquanto a pessoa estiver saudável, a prática de atividade física é bem-vinda, já que melhora a performance cardiorrespiratória e fortalece a imunidade. Durante o curso da doença, porém, nem sempre é recomendável se exercitar, já que a própria falta de ar costuma limitar o esforço físico.

Manter uma alimentação equilibrada e uma boa hidratação também ajuda na recuperação de quadros respiratórios. Segundo Moreira, a desidratação deixa as secreções mais espessas, dificultando a limpeza adequada das vias respiratórias. Já uma boa hidratação favorece a tosse produtiva e a expectoração, ajudando o corpo a eliminar a secreção mais rapidamente e acelerando a recuperação. Uma alimentação equilibrada, por sua vez, evita déficits nutricionais que possam comprometer a imunidade.

Pedro Rocha Franco

Pedro Rocha Franco é jornalista desde 2007 e bacharel em ciências sociais. Foi repórter do jornal Estado de Minas, editor do portal O Tempo e head do departamento de jornalismo digital da Itatiaia. Hoje é gerente executivo do BHAZ. Além disso, colaborou com UOL e Repórter Brasil.

Pedro Rocha Franco

Email: [email protected]

Pedro Rocha Franco é jornalista desde 2007 e bacharel em ciências sociais. Foi repórter do jornal Estado de Minas, editor do portal O Tempo e head do departamento de jornalismo digital da Itatiaia. Hoje é gerente executivo do BHAZ. Além disso, colaborou com UOL e Repórter Brasil.

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