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Sangue nas fezes: brasileiros demoram a procurar médico, alerta pesquisa 1 ano após morte de Preta Gil

20/07/2026 às 14h26
câncer colorretal

Sangue nas fezes e mudança no funcionamento do intestino por mais de um mês estão entre os principais sinais do câncer colorretal. Mesmo assim, uma pesquisa do Hospital A. C. Camargo em parceria com a Nexus mostra que os brasileiros adiam a busca por atendimento médico diante desses sintomas.

O câncer colorretal foi o mesmo diagnosticado em Preta Gil, morta em julho do ano passado após dois anos de tratamento. A data completa um ano nesta semana.

O levantamento ouviu mais de 2 mil pessoas sobre o câncer colorretal e seus sintomas.

Oito em cada dez sabem, mas quase metade não age

Oito em cada dez entrevistados declararam ter consciência de que sangue nas fezes e alteração no intestino podem ser sinais graves. Cerca de 67% concordam que esses sintomas podem indicar a doença, e 24% concordam muito com essa afirmação.

Ainda assim, quase metade não procura assistência médica com rapidez.

Entre os que já notaram sangue nas fezes (9% dos entrevistados), 59% buscaram atendimento médico imediatamente. Os outros 40% reagiram assim:

  • 19% não fizeram nada e esperaram o sintoma passar
  • 10% aguardaram dias ou semanas antes de procurar um médico
  • 7% recorreram a remédios caseiros ou mudanças na alimentação
  • 3% foram à farmácia buscar medicação por conta própria
  • 1% pesquisou na internet antes de buscar orientação profissional

Exame que detecta a doença cedo é pouco conhecido

Dois em cada três entrevistados (67%) nunca ouviram falar da Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO), principal recurso para identificar sinais da doença antes de sintomas evidentes. Apenas 11% já fizeram o exame, e 21% conhecem o procedimento mas nunca o realizaram.

O desconhecimento chega a 85% entre jovens de 16 a 24 anos. Também é maior do que a média entre homens (76%), pessoas com menor renda (73%) e quem estudou apenas até o ensino fundamental (72%).

Apenas 21% dos entrevistados conhecem alguém que já teve a doença: 15% um parente muito próximo e 6% um amigo ou conhecido. Os outros 75% nunca tiveram contato com pacientes desse tipo de câncer.

Médico recomenda exames a partir dos 45 anos

Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A. C. Camargo Cancer Center, reforça que sinais como sangramento, alteração no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente não devem ser ignorados diante do aumento de casos da doença no Brasil.

“Também é necessário realizar exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar. O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, na detecção da doença ainda em estágio inicial”, afirma Aguiar em entrevista à Agência Brasil.

Segundo tumor mais comum no país

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil para o triênio 2026-2028. O número torna a doença o segundo tumor com maior incidência entre os brasileiros.

Pedro Rocha Franco

Pedro Rocha Franco é jornalista desde 2007 e bacharel em ciências sociais. Foi repórter do jornal Estado de Minas, editor do portal O Tempo e head do departamento de jornalismo digital da Itatiaia. Hoje é gerente executivo do BHAZ. Além disso, colaborou com UOL e Repórter Brasil.

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