Câmeras de segurança flagraram o momento em que Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, chegou para trabalhar como faxineira na casa de Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, na última segunda-feira (29). Ela é suspeita de matar o casal de idosos com 24 facadas em um apartamento no bairro São Pedro, região Centro-Sul de BH.
Nas imagens, é possível ver que Paola chegou na portaria do prédio às 7h28, vestida com uma calça de moletom cinza e um moletom azul escuro, com a bandeira dos Estados Unidos, além de um tênis branco e uma bolsa marrom. Ela toca o interfone, mas enfrenta dificuldades para entrar no prédio. Em certo momento, é possível fazer a leitura labial: “abriu não”, disse a suspeita ao porteiro. Enquanto espera, ela parece conversar com outra pessoa por mensagens no celular.
Cerca de oito horas depois, as câmeras flagraram a mulher saindo do prédio, às 15h32. Uma mudança chama a atenção: ela aparece com outras roupas. Desta vez, ela está vestindo calça jeans, blusa de frio preta, tênis branco, aparentemente diferente daquele usado no início do dia, e um óculos de sol na cabeça. Além da bolsa marrom que ela havia levado mais cedo, Paola também carrega uma grande sacola branca e uma ecobag. De acordo com o filho das vítimas, uma das bolsas e o óculos seria da mãe.
Veja o vídeo:
De acordo com a Polícia Civil, o advogado Cláudio Atala Inácio foi encontrado morto no quarto do casal com 17 perfurações de faca, e a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio estava na sala com sete facadas. Os corpos teriam sido encontrados pelo filho do casal no início da tarde dessa terça-feira (01), depois que ele ficou sabendo que o pai não havia aparecido no trabalho. Ao entrar no apartamento, se deparou com os pais já sem vida no local.
Investigações
Ao investigar as câmeras de monitoramento do prédio, a Polícia Civil identificou a entrada e saída de Paola na última segunda-feira (29). Equipes foram até a casa dela em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de BH. Ela não foi encontrada e parentes contaram à polícia que ela teria viajado para o estado do Espírito Santo com o filho.
Além disso, de acordo com informações obtidas pelo BHAZ junto a fontes ligadas à Polícia Civil de Minas Gerais, parentes informaram que a mulher acumulava uma dívida de aproximadamente R$ 40 mil com jogos de azar online, incluindo o popular ‘Jogo do Tigrinho’. A informação ainda é apurada pela polícia e não foi confirmada oficialmente pela PC.
Para o delegado Gustavo Barletta, do Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Depatri), responsável pela investigação, Paola é suspeita de latrocínio, que é o roubo seguido de morte. O delegado acredita que a mulher não teria agido sozinha no crime. Ela está foragida.
Quem era o casal
Casados há décadas, Maria Clotilde e Cláudio Atala eram figuras conhecidas no meio profissional em que atuavam e descritos pela família como pessoas ativas e queridas.
De acordo com Henrique Maciel, sobrinho do casal, Maria era dona de uma loja na capital mineira e por muitos anos se destacou como atleta. Já Cláudio era sócio-fundador de um escritório de advocacia no bairro Lourdes, na região Centro-Sul, onde atuava principalmente nas áreas trabalhista e empresarial. Mesmo aos 75 anos, ele continuava exercendo a profissão diariamente.
O casal era conhecido pelo espírito aventureiro e já havia viajado por diversos países. Recentemente, eles haviam retornado de uma viagem aos Estados Unidos. Segundo o sobrinho Henrique Maciel, de quem eram padrinhos de casamento, os tios eram pessoas “cheias de vida” e muito próximas da família. O casal morava na rua Padre Severino há cerca de 20 anos.
A trajetória do dos dois também foi marcada por uma perda dolorosa em 2006, quando a filha deles, triatleta, morreu vítima de um atropelamento. Desde então, eles tinham apenas um filho, que também é advogado e trabalha no escritório fundado pelo pai.












