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Suspeita de matar casal de idosos em BH tinha dívida com ‘Jogo do Tigrinho’, dizem parentes

01/07/2026 às 13h42
(Imagens cedidas ao BHAZ)

De acordo com informações obtidas pelo BHAZ junto a fontes ligadas à Polícia Civil de Minas Gerais, parentes da principal suspeita de envolvimento na morte de um casal de idosos acumulava uma dívida de aproximadamente R$ 40 mil com jogos de azar online, incluindo o popular “Jogo do Tigrinho”. A informação ainda é apurada pela polícia e não foi confirmada oficialmente pela PC.

Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, trabalhava como faxineira no apartamento do casal. A reportagem do BHAZ também recebeu dois prints do monitor das câmeras de segurança que mostram o momento em que ela entra no prédio e, oito horas depois, quando deixa o local. Ela teria trocado de roupa, além de sair com duas sacolas grandes e um óculos de sol. O filho das vítimas teria reconhecido uma bolsa e o óculos como sendo da mãe.

De acordo com a Polícia Civil, o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, foi encontrado morto no quarto do casal com 17 perfurações de faca, e a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, estava na sala com sete facadas.

Os corpos teriam sido encontrados pelo filho do casal no início da tarde dessa terça-feira (01), depois que ele ficou sabendo que o pai não havia aparecido no trabalho. Ao entrar no apartamento, se deparou com os pais já sem vida no local.

Ao investigar as câmeras de monitoramento do prédio, a Polícia Civil identificou a entrada e saída de Paola na última segunda-feira (29). Equipes foram até a casa dela em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de BH. Ela não foi encontrada e parentes contaram à polícia que ela teria viajado para o estado do Espírito Santo com o filho.

Parentes disseram também que a mulher teria dívidas com agiota por causa de jogos de azar.

Para o delegado Gustavo Barletta, do Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Depatri), responsável pela investigação, Paola é suspeita de latrocínio, que é o roubo seguido de morte. O delegado acredita que a mulher não teria agido sozinha no crime. Ela está foragida.

Os corpos foram liberados para a família nesta quarta-feira (1º) e serão velados a partir de 16h e enterrados às 17h, no Cemitério Parque da Colina, no bairro Nova Cintra.

Quem era o casal

Casados há décadas, Maria Clotilde e Cláudio Atala eram figuras conhecidas no meio profissional em que atuavam e descritos pela família como pessoas ativas e queridas.

De acordo com Henrique Maciel, sobrinho do casal, Maria era dona de uma loja na capital mineira e por muitos anos se destacou como atleta. Já Cláudio era sócio-fundador de um escritório de advocacia no bairro Lourdes, na região Centro-Sul, onde atuava principalmente nas áreas trabalhista e empresarial. Mesmo aos 75 anos, ele continuava exercendo a profissão diariamente.

O casal era conhecido pelo espírito aventureiro e já havia viajado por diversos países. Recentemente, eles haviam retornado de uma viagem aos Estados Unidos. Segundo o sobrinho Henrique Maciel, de quem eram padrinhos de casamento, os tios eram pessoas “cheias de vida” e muito próximas da família. O casal morava na rua Padre Severino há cerca de 20 anos.

A trajetória do dos dois também foi marcada por uma perda dolorosa em 2006, quando a filha deles, triatleta, morreu vítima de um atropelamento. Desde então, eles tinham apenas um filho, que também é advogado e trabalha no escritório fundado pelo pai.

Em nota, a OAB-MG lamentou a morte do advogado Cláudio Atala e prestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de profissão. A entidade afirmou confiar na atuação das autoridades para a apuração do caso e informou que o presidente da seccional, Gustavo Chalfun, determinou a criação de uma comissão especial para atuar como assistente de acusação no processo criminal, acompanhando as investigações e buscando a responsabilização dos envolvidos. A Ordem destacou ainda que o assassinato de um advogado representa um atentado contra o livre exercício da advocacia e o Estado Democrático de Direito.

Asafe Alcântara

Coordenador de mídias digitais e repórter, no BHAZ, desde setembro de 2021. Atualmente concilia como repórter na Record TV Minas. Jornalista graduado pelo UNI-BH, com experiência em redações de veículos de comunicação, como RedeTV! BH, TV Band Minas, TV Alterosa, TV Anhanguera (afiliada Globo GO), TV Justiça e CNN Brasil.
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