O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) divulgou, nesta terça-feira (21), o laudo da perícia da Polícia Federal que confirma a autoria de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, em anotações no livro que inspirou a Inconfidência Mineira, em 1789.
Chamado “Livro de Tiradentes”, o documento foi escrito por inconfidentes inspirados pelo êxito da Revolução Americana. Nos textos, os mineiros imaginavam novos arranjos políticos para o Brasil. Atualmente, o livro integra o acervo do Arquivo Histórico do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto.
De acordo com o Ibram, a obra passou por exame grafoscópico no Serviço de Perícias Documentoscópicas (SEP-DOC) para verificar a autoria das anotações manuscritas atribuídas a Tiradentes. Os servidores analisaram trechos anotados em páginas específicas e comprovaram características da caligrafia, que são de difícil imitação, de Joaquim José da Silva Xavier.
Valor histórico
Com a confirmação, o livro ganha maior valor histórico, deixando de ser apenas um objeto associado ao universo político do final do século XVIII. Agora, a obra passa a constituir evidência material de que Tiradentes tinha relação direta com a leitura, a circulação e a apropriação de ideias políticas modernas.
De acordo com o diretor do Museu da Inconfidência, Alex Calheiros, o laudo eleva enormemente o valor histórico e afetivo da obra, oferecendo novas camadas de entendimento sobre a figura de Tiradentes.
Tiradentes
Joaquim José da Silva Xavier foi o principal líder da Inconfidência Mineira, rebelião ocorrida no século XVII que pretendia libertar o Brasil do domínio de Portugal. O mineiro se destacou por propagar os ideais de liberdade, sendo o único a receber pena de morte após o fim da revolta. No processo judicial movido pela coroa portuguesa, o “Livro de Tiradentes” foi citado diversas vezes como prova da participação dele.
Inspirado no Recueil, obra impressa em Paris que reúne documentos constitucionais fundamentais dos Estados Unidos da América, o “Livro de Tiradentes” foi levado a Minas Gerais, em 1788, por ex-alunos brasileiros da Universidade de Coimbra.
Pouco antes da prisão, em 10 de maio de 1789, Tiradentes teria entregado o texto a Francisco Xavier Machado, porta-estandarte dos Dragões de Minas. Depois, o volume foi apreendido e se tornou a peça central de investigação paralela instaurada pelas autoridades portuguesas. Na época, os “Autos da Devassa” já indicavam que o líder da Inconfidência portava o livro e mostrava para outras pessoas, além de solicitar a tradução de trechos específicos.
Com o laudo, o documento passa a indicar a relação direta de Tiradentes com livros, linguagens políticas e debates políticos de alcance internacional. “A descoberta contribui, assim, para qualificar a compreensão de sua participação na Inconfidência Mineira, afastando interpretações simplificadoras que o reduziram exclusivamente à condição de homem de ação ou mártir político”, destacou o Ibram.












