A vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan foi suspensa temporariamente em todo o país pelo Ministério da Saúde. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (8), após o registro de 42 casos de eventos adversos mais graves em pessoas vacinadas. Três delas precisaram de internação e duas morreram.
Segundo o governo federal, ainda não há comprovação de que os óbitos tenham sido causados pela vacina, mas os casos serão investigados. Durante coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha afirmou que a suspensão tem caráter preventivo e busca permitir uma análise mais aprofundada dos episódios registrados.
A investigação será conduzida por um comitê de especialistas, com participação do Ministério da Saúde, da Anvisa e do Instituto Butantan. A medida vale apenas para a vacina do Butantan e não afeta a aplicação da Qdenga, imunizante produzido pela Takeda e já utilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Até o fim de maio, mais de 500 mil doses da vacina brasileira haviam sido aplicadas no país.
Incorporada ao SUS em janeiro deste ano, a vacina do Butantan vinha sendo utilizada em uma estratégia piloto para avaliar seu impacto na transmissão da dengue. A imunização foi iniciada em municípios como Nova Lima, Botucatu e Maranguape, além de ações realizadas na região de Araguaína, no Tocantins. O público-alvo incluía pessoas entre 15 e 59 anos e profissionais da atenção primária à saúde.
O Ministério da Saúde reforçou que a suspensão não invalida a eficácia do imunizante nem retira a proteção das pessoas já vacinadas. A pasta destacou que a medida segue protocolos de farmacovigilância e tem como objetivo identificar possíveis fatores de risco associados aos casos registrados.
Nova Lima também teve implementação das vacinações
Nova Lima teve papel central na implantação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. Em janeiro deste ano, a cidade foi escolhida pelo Ministério da Saúde, pela Fiocruz e pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais para participar da estratégia piloto de vacinação com o imunizante de dose única, ao lado de Maranguape (CE) e Botucatu (SP).
Na ocasião, cerca de 64 mil doses foram destinadas ao município, quantidade considerada suficiente para imunizar toda a população elegível, formada por moradores de 15 a 59 anos. O objetivo era vacinar em larga escala e avaliar o impacto da imunização na redução da circulação do vírus da dengue, produzindo dados para uma futura ampliação da estratégia em todo o país.








