Um carregador portátil (power bank) pegou fogo dentro do bagageiro de um avião da companhia indiana IndiGo neste domingo (11) e obrigou os pilotos a mudar o destino do voo. A aeronave, que fazia a rota entre Délhi e Chennai, foi desviada para Hyderabad, onde pousou em segurança no Aeroporto Internacional Rajiv Gandhi. Todos os passageiros e tripulantes estão bem.
O voo 6E 6115 era operado por um Airbus A321neo, que saiu de Délhi às 13h30 (horário local), com 20 minutos de atraso, e tinha chegada prevista em Chennai às 16h.
Passageiros tentaram conter o fogo
Um vídeo gravado por um passageiro mostra chamas e um clarão alaranjado se espalhando pelo compartimento de bagagem acima dos assentos, enquanto os viajantes tentam controlar o fogo. Nas imagens, várias pessoas aparecem batendo com bolsas na área em chamas. Os comissários apagaram o fogo com extintores de bordo, segundo relatos da imprensa local.
Em nota, a IndiGo confirmou que o desvio ocorreu depois que foi detectada fumaça saindo de um aparelho eletrônico pessoal de um cliente. A empresa afirmou que a tripulação agiu rapidamente, a situação foi controlada e os pilotos seguiram os protocolos ao desviar para Hyderabad. Um avião alternativo foi providenciado para levar os passageiros até Chennai, e a companhia disse lamentar o transtorno.
Ainda não se sabe por que o aparelho falhou — se estava danificado, tinha defeito, estava carregando ou sofreu outro problema.
Terceiro caso na mesma companhia em um ano
O episódio não é isolado. Em 19 de outubro de 2025, um avião da IndiGo que seguia de Délhi para Dimapur voltou ao pátio após um pequeno incêndio durante o taxiamento, provocado por um power bank guardado no bolso do encosto do assento.
O caso mais grave aconteceu em maio. Cerca de 200 passageiros de um voo Hyderabad–Chandigarh tiveram de ser retirados às pressas depois que a cabine foi tomada por fumaça, após uma pequena explosão em um power bank guardado no bolso de um assento. A tripulação usou dois extintores e acionou as seis rampas de evacuação. Seis passageiros se feriram durante a saída, entre eles uma mulher que fraturou a perna.
Fora da Índia, o caso mais grave ocorreu na Coreia do Sul: em janeiro de 2025, um avião da Air Busan pegou fogo no bagageiro antes de decolar de Busan. Todos escaparam, mas a aeronave foi destruída; a investigação preliminar apontou um power bank como possível origem.
Por que os carregadores pegam fogo
A maioria dos power banks usa baterias de íon-lítio, que podem superaquecer quando estão danificadas, têm defeito ou sofrem falha elétrica interna. Nesses casos pode ocorrer a chamada fuga térmica: a bateria passa a gerar calor rapidamente e pode liberar fumaça, chamas ou gases inflamáveis.
O local onde o aparelho fica também importa. Um equipamento guardado dentro de uma mochila no bagageiro pode superaquecer sem que ninguém perceba, e, quando a fumaça aparece, a tripulação ainda precisa localizar a bolsa e alcançar a bateria. Por isso, a política da IndiGo exige que power banks e baterias reservas fiquem fora dos compartimentos superiores — regra que, ao que tudo indica, não foi seguida no voo deste domingo.
Na Índia, as regras ficaram mais duras depois do caso de 2025. Em 4 de janeiro, a autoridade de aviação civil do país (DGCA) determinou que os passageiros não podem usar power banks em nenhum momento do voo, nem para carregar celulares e tablets.
E no Brasil?
O tema também mobilizou as autoridades brasileiras. Em janeiro deste ano, um carregador portátil explodiu em um voo da Latam entre São Paulo e Brasília, e a tripulação precisou conter um princípio de incêndio. A aeronave teve de desviar e pousar em Ribeirão Preto (SP).
Em 24 de abril, a Anac publicou no Diário Oficial da União uma portaria que endureceu as regras. Desde então:
- power banks só podem ser levados na bagagem de mão;
- cada passageiro pode transportar no máximo dois;
- é proibido usá-los para carregar outros eletrônicos e recarregá-los a bordo;
- os terminais devem estar protegidos contra curto-circuito, isolados ou na embalagem original.
Quanto à capacidade, aparelhos de até 100 Wh podem ser levados sem restrição; entre 100 Wh e 160 Wh é preciso autorização prévia da companhia; acima disso, o transporte é proibido. Para referência, um power bank de 20.000 mAh tem cerca de 74 Wh e está liberado.
A orientação é manter o carregador no bolsão à frente do assento ou em uma bolsa à vista do passageiro. E quem descumprir as regras pode ter problemas: segundo especialistas, o embarque pode ser negado sem garantia de assistência da companhia aérea.















