A Tesla apresentou na noite dessa quinta-feira (15) a nova geração do Roadster, seu superesportivo elétrico, em um evento transmitido ao vivo pelo X a partir de uma instalação de testes de foguetes da SpaceX em McGregor, no Texas (EUA). Na demonstração, o carro subiu uma rampa até ficar de cabeça para baixo, desprendeu-se da estrutura, girou 180 graus no ar e pousou sobre as rodas. Em seguida, passou por cima de uma fileira de veículos da própria marca (Cybercab, Cybertruck, o caminhão Semi, Model Y e Model 3).
“Carros voadores são reais”, disse Elon Musk, CEO da Tesla e da SpaceX, no palco. O empresário reconheceu antes da manobra que o sucesso não estava garantido, mas que “provavelmente” daria certo. Por segurança, o carro não tinha ninguém ao volante durante a demonstração.
Como funciona
Apesar do rótulo, o Roadster não é um carro voador no sentido de aeronave. Ele não decola para viagens nem transporta passageiros pelo ar. O que a Tesla mostrou foram saltos curtos e manobras controladas.
O sistema combina duas tecnologias. Para se manter colado à pista mesmo invertido, o carro usa ventoinhas e uma vedação junto ao solo que funcionam como gerador de força descendente, segundo a Tesla, o mecanismo produz o equivalente a duas vezes a aceleração da gravidade. Para sair do chão, girar e corrigir a posição no ar, entram em ação dez propulsores ligados a tanques de ar comprimido em altíssima pressão.
De acordo com o vice-presidente de engenharia de veículos da Tesla, Lars Moravy, os propulsores são alimentados por um sistema com 600 litros de ar comprimido. A empresa afirma que os jatos geram de quatro a cinco vezes a força que os pneus conseguem transmitir ao asfalto, o que explica as acelerações anunciadas.
Menos de um segundo até quase 100 km/h
Segundo os dados exibidos pela Tesla, o Roadster foi de zero a 60 milhas por hora (cerca de 97 km/h) em 0,81 segundo na demonstração. Musk disse que algumas versões passam dos 370 km/h (230 mph) de velocidade máxima.
A montadora apresentou três configurações do modelo, que variam no número de propulsores, no desempenho e no uso pretendido. A versão capaz de “voar” não está liberada para circular em vias públicas, segundo o próprio site da Tesla. As reservas abertas, com sinal de US$ 5 mil (cerca de R$ 27 mil), são para uma versão sem os saltos.
O preço não foi divulgado no evento. Em 2017, a Tesla havia anunciado o modelo-base a US$ 200 mil.
Quase nove anos de espera
A segunda geração do Roadster foi anunciada em novembro de 2017, durante o lançamento do Semi, com promessa de chegar às ruas em 2020. O projeto foi adiado sucessivas vezes. Musk já falava em adicionar propulsores ao carro desde 2018 e, em novembro de 2025, em entrevista ao podcaster Joe Rogan, prometeu que a demonstração seria “inesquecível” e insinuou pela primeira vez a ideia de um carro voador. Datas posteriores, em abril e agosto deste ano, também não foram cumpridas.
Nesse período, compradores que pagaram reservas de US$ 50 mil passaram a cobrar a empresa publicamente. Entre eles, o CEO da OpenAI, Sam Altman, que em 2025 relatou dificuldade para reaver o depósito.
A Tesla agora diz que a produção começa em 2028. Diante do histórico de atrasos, analistas veem o cronograma com cautela, e a empresa ainda terá de provar que as manobras exibidas no Texas podem ser repetidas com segurança fora de um ambiente controlado.
O primeiro Roadster foi ao espaço
O Roadster original, lançado em 2008 sobre o chassi do Lotus Elise, foi o primeiro carro da Tesla e ajudou a mostrar que elétricos podiam ser esportivos. Em fevereiro de 2018, um exemplar pessoal de Musk foi enviado ao espaço como carga do voo inaugural do foguete Falcon Heavy, da SpaceX.

















