A Prefeitura de Belo Horizonte confirmou, nesta sexta-feira (10), que a Vigilância Sanitária realizou no dia 07 de abril uma nova vistoria no Café Cultura Bar, no bairro de Lourdes, Região Centro-Sul da capital, e que foram “identificadas não conformidades relacionadas à infraestrutura do estabelecimento”. O local serviu de gravação para o programa Pesadelo Na Cozinha, apresentado pelo chefe de cozinha Érick Jacquin.
De acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte, “foi lavrada advertência para a melhoria da limpeza em pontos específicos, como canaletas e paredes, além da necessidade de substituição dos ralos do piso por modelos com sistema de fechamento”. Além disso, a vigilância determinou a instalação de “coifa adequada e o embutimento da fiação exposta”.
Em nota, a prefeitura disse que está previsto o retorno da equipe de fiscalização em até 30 dias, contados a partir do dia 07, para verificar o cumprimento de tais exigências. O documento finaliza dizendo que “o estabelecimento não apresenta risco sanitário à população’.
A reportagem do portal BHAZ ligou para o local e foi atendido por um homem que se identificou como Rafael. Foram feitos questionamentos sobre a vistoria realizada pela Vigilância Sanitária. O mesmo respondeu que “pergunte para eles” – se referindo à equipe da prefeitura. Insistimos a fim de ouvir os dois lados e confirmar se o local fará as adequações exigidas. Rafael, em tom ríspido, disse “pergunte pra eles. Pra que me perguntar? Você já não sabe?”. Foi feita mais uma tentativa e ele desligou o telefone bruscamente.
Descaracterização do imóvel
O programa Pesadelo na Cozinha foi gravado em janeiro deste ano. Na mesma época, logo após a reforma, a Prefeitura de Belo Horizonte havia informado que o Café Cultura Bar teria que reverter qualquer descaracterização feita durante a gravação do programa de televisão do chef francês Érick Jacquin. Por se tratar de imóvel tombado pelo patrimônio público, qualquer alteração precisaria de autorização de órgãos municipais.
Em nota enviada ao BHAZ na época, a Prefeitura disse que “em situações que envolvem intervenções em fachadas de imóveis protegidos pelo patrimônio público, a Prefeitura de Belo Horizonte adota procedimentos específicos, que incluem a solicitação prévia de autorização e a análise técnica das intervenções”.
A Diretoria do Patrimônio Cultural fez uma vistoria para avaliar a pintura e definir medidas cabíveis de acordo com a legislação municipal. “O relatório técnico da vistoria ainda está sendo elaborado. O proprietário do bem cultural será notificado em função da intervenção sem prévia autorização e serão definidas as intervenções necessárias para reverter qualquer descaracterização promovida”, afirmou a nota da Prefeitura de BH.
O Programa
O Café Cultura Bar foi cenário do 7° episódio do Pesadelo na Cozinha, do chef Érick Jacquin. O programa funciona como uma consultoria especial para estabelecimentos que passam por uma fase ruim. O episódio, gravado em janeiro na capital mineira, foi exibido na tela da Band nesta semana e também está disponível no streaming da HBO. No caso do café e bar de Belo Horizonte, a situação era considerada insustentável. Jacquin chegou a dizer que nunca viu nada parecido na vida e que as cozinheiras “não se respeitam e não se amam” por aceitar trabalhar naquelas condições.
O BHAZ listou cinco pontos críticos observados por Érick Jacquin que tiveram que mudar após o programa:
1) Muita sujeira
Um restaurante que “fede, é sujo e horrível”, foi com essas palavras que o Chef Érick Jacquin definiu o que viu. Baratas foram vistas andando pelos cantos da cozinha do estabelecimento. Crostas de gordura foram observadas no fogão, em uma grade próxima do exaustor, no forno e até em um ventilador.
No chão, próximo ao botijão de gás e atrás do fogão, foi possível ver uma mistura de água e gordura líquida. Panelas sujas eram guardadas em meio às outras que estavam em utilização. Uma delas, de pressão, foi alvo do olhar certeiro de Jacquin, que questionou a condição do equipamento e optou por jogá-lo no lixo.
2) Passagem dos alimentos
Os pratos prontos para serem servidos eram entregues pela cozinha ao salão do estabelecimento por uma passagem aberta em uma parede, que ficava praticamente no chão. Uma funcionária responsável por fazer a conexão entre os pedidos e os garçons precisava se ajoelhar no chão para executar a tarefa. “
Do lado de fora, os clientes não tinham ideia da gravidade do problema.
Ao questionar esse problema, o chefe ouviu do proprietário que o problema é provocado pelo desnível entre as duas partes do imóvel. Uma funcionária disse que, apesar da condição, o local era limpo todos os dias.
Na nova configuração da loja, um sistema que funciona como um elevador é utilizado, evitando que os pratos passem na altura dos pés dos funcionários.
3) Cardápio e comida ruins
O cardápio era um dos maiores problemas do estabelecimento. Clientes entrevistados pelo programa relataram que a comida estava fria e alguns pratos, como um frango assado, estavam muito salgados e mal cozidos, como o caso de uma porção de mandioca. De forma geral, Jacquin considerou o cardápio confuso, repleto de opções que a casa não conseguia entregar e sem identidade.
No novo Café Cultura Bar, um dos pratos inclusos foi o omelete do chefe. Jacquin ensinou as cozinheiras as técnicas para produção do prato. Além disso, o almoço ganhou opções como canjiquinha mineira, costelinha de porco servida com purê de mandioca, peixe na telha e vaca atolada. Já para quem prefere os petiscos, pratos como bolinho de carne moída, típico dos bares de BH, caldo de mandioca e caldo de feijão e pastel de angu passaram a integrar o menu.
Opções de brunch também foram incluídas, como fatias de broa de fubá com cobertura de goiaba. “A estufa tem que ficar sempre cheia, porque a comida chama gente”, disse Jacquin.
4) Organização da cozinha
Panelas velhas, encardidas e profissionais perdidos em meio a tantos pedidos. Érick Jacquin chegou a se irritar com a falta de organização na cozinha do Café Cultura Bar. Na medida em que os pedidos chegavam, se misturavam e a ordem deles era perdida. A situação piorava em função do calor extremo enfrentado pelas profissionais, já que a coifa também não funcionava. Por vezes, os clientes percebiam o caos, pois esperavam mais do que o esperado por um prato. Além disso, parte da comida já pronta ficava acondicionada em locais pouco estratégicos da cozinha e acabava esfriando antes mesmo de ser servida.
5) Instalações e layout da loja
A reforma feita pelo reality show focou, principalmente, no layout da loja. Durante o episódio, Jacquin disse algumas vezes que o café e bar tinham aspecto de sujo e velho. Além disso, a parte elétrica trazia riscos à integridade do local, aos clientes e funcionários. Em depoimentos dados por eles à produção do programa, foram relatados choques elétricos ao manusear os interruptores da loja. Com a reforma, as instalações foram refeitas e o estabelecimento recebeu nova decoração e pintura nas partes interna e externa.
A pintura do casarão histórico, que é tombado, gerou polemica, pois foi feita sem o consentimento dos órgãos de preservação do patrimônio.












