Home NotíciasEsportes‘Nudes’ de diretor, IPVA de esposa, ‘novo nome’ da sede: Cruzeiro vive caos após rebaixamento

‘Nudes’ de diretor, IPVA de esposa, ‘novo nome’ da sede: Cruzeiro vive caos após rebaixamento

O martírio cruzeirense que já perdura meses com a péssima fase do time dentro de campo parece estar longe do fim. Mesmo após o inédito rebaixamento do clube, o Cruzeiro não fica praticamente um dia sequer sem enfrentar turbulências. Os últimos ingredientes desse caos foram uma denúncia envolvendo a esposa do presidente celeste, Wagner Pires de Sá, e um protesto com direito à divulgação de supostas nudes do diretor de comunicação, Valdir Barbosa, e uma simbólica mudança de nome da sede administrativa.

Documentos vazados, aos quais o BHAZ teve acesso, mostram um e-mail enviado pelo filho do presidente, Frederico Magalhães Santos Pires de Sá, à secretária do Cruzeiro, Ermelinda Menezes Silva. Frederico orienta que devem ser pagos impostos relativos a oito veículos: IPVA, licenciamento e seguro DPVAT. A demanda foi feita no dia 4 de janeiro de 2018, três dias após Wagner Pires assumir a presidência.

Reprodução

“Segue o Renavam dos carros solicitados pelo sr Wagner Pires de Sá. Para realizar o pagamento do IPVA, seguro obrigatório e taxa de licenciamento”, diz texto descrito no e-mail. Um dos números, do veículo Honda HR-V, foi adicionado à mão.

Carros da esposa

Em consulta ao site do Detran-MG, a partir dos números de Renavam incluídos no e-mail, é possível constatar que cinco dos oito veículos pertencem a Giselda de Magalhães Santos Pires. Segundo a apuração do Superesportes, os outros três também pertenciam à então esposa do dirigente em 2018.

Os veículos listados são sete carros e uma moto: Ford Fusion FWD GTDI B, 2015; moto BMW/R1200 GS, 2015. Fiat Uno Evolution 1.4, 2014; Nissan Kicks SL CVT, 2016, Smart ForTwo CO 542 MHD, 2012; Audi A4 1.8T, 2002; Honda Civic LXR, 2014 e Honda HR-V EX, 2018. O valor total dos IPVAs é de, aproximadamente, R$ 15 mil.

No e-mail, Frederico também deixa uma observação à secretária: “Os últimos três carros (Smart, Audi e Civic) deverão ser vendidos nos próximos três meses, portanto, realizar o pagamento somente da primeira parcela do IPVA. O Uno não realizar o pagamento da taxa de licenciamento, pois está em processo de transferência”.

‘Pagos pelo presidente’

O Cruzeiro, em nota, afirmou que a secretária fez os pagamentos por meio dos cartões bancários do presidente. “A secretária da presidência tem a posse de todos os boletos, carnês, contas de IPVA e condomínio para o controle das datas de pagamentos, que são feitos com cartões bancários do presidente e tudo está documentado com os devidos extratos bancários”, diz um trecho da nota (leia na íntegra abaixo).

O BHAZ tentou entrar em contato com os assessores de imprensa e com o diretor de comunicação do Cruzeiro, Valdir Barbosa, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. A secretária, Marlene Ermelina, também foi procurada, mas não respondeu ao contato.

CPI para investigação

Na manhã de sexta (13), o deputado estadual Léo Portela (PL) apresentou o e-mail a conselheiros e um associado do clube. O grupo sugeriu ao parlamentar a instauração de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a gestão do presidente Wagner Pires de Sá. 

Em contato com o BHAZ, o deputado afirmou que o processo de investigação será aberto caso forem encontrados elementos que comprovem alguma ligação entre o poder público e atos da diretoria do Cruzeiro.

Na reunião, estavam presentes Dalton Loredo, Anísio Ciscotto (ex-presidente do Conselho Fiscal do Cruzeiro), Giovanni Barone, Gustavo Gatti (ex-secretário do Conselho Deliberativo) e Kriss Bretas (advogado e associado do Cruzeiro).

Protesto

A insatisfação da torcida cruzeirense com a diretoria do clube mostrou sua força em um protesto na sede administrativa do Barro Preto, na tarde de sexta-feira (13). Faixas, cartazes e músicas marcaram a manifestação dos torcedores, que fecharam a rua Timbiras pedindo a renúncia de nomes como Wagner Pires de Sá, presidente do Cruzeiro, e os vices Hermínio Lemos e Ronaldo Granata.

Durante o protesto, os torcedores entoavam cantos como “Ão, ão, ão, renuncia vacilão” e “Olha que maneiro, Pedrinho BH assumindo o meu Cruzeiro”, em referência ao empresário e conselheiro do clube Pedro Lourenço, dono da rede Supermercados BH.

Em homenagem à torcedora-símbolo do Cruzeiro, torcedores substituíram o nome de Zezé Perrella no prédio da sede por “Dona Salomé”. Zion Motta, membro do movimento Democracia Celeste, contou ao BHAZ que a ideia da troca era reivindicar o poder do torcedor no espaço administrativo do clube.

Leo Martins/Arquivo pessoal

“Já era uma vontade antiga representar, na sede, o protagonismo do torcedor. Colocar a Dona Salomé como protagonista, principalmente depois da sua morte, foi uma forma de homenagear e ao mesmo tempo simbolizar a torcida como um todo”, explicou Zion.

+ Dona Salomé, torcedora-símbolo do Cruzeiro, morre em BH aos 86 anos

A Democracia Celeste é uma frente de torcedores que pauta o direito de voto do sócio-torcedor nas decisões administrativas do Cruzeiro. Durante o protesto, representantes recolheram assinaturas em apoio ao movimento. 

Em meio à manifestação, alguns torcedores colaram na porta da sede imagens de supostas conversas de WhatsApp do diretor de comunicação do Cruzeiro, Valdir Barbosa. As conversas incluem fotos e mensagens de teor sexual, envolvendo o funcionário do clube.

Nota do Cruzeiro na íntegra:

“O CRUZEIRO EC vem a público esclarecer as denúncias infundadas e irresponsáveis sobre o pagamento de IPVA de veículos que não pertencem a frota do Clube.

Esclarece ainda que a secretária da presidência tem a posse de todos os boletos, carnês, contas de IPVA e condomínio para o controle das datas de pagamentos, que são feitos com cartões bancários do presidente e que tudo está documentado com os devidos extratos bancários”.

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