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BH e interior de Minas registram relaxamento do distanciamento social, afirma governo

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O secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Carlos Eduardo Amaral, admitiu, nesta sexta-feira (24), que o governo tem verificado um enfraquecimento no isolamento social. A medida foi adotada há mais de um mês e tem o intuito de frear a disseminação da Covid-19. Pesquisador da UFMG afirma que um relaxamento neste momento pode prejudicar todo o esforço feito até agora.

Conforme o titular da pasta, o governo tem um software que acompanha a mobilidade de 3 milhões de mineiros na capital e também no interior do Estado.

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“Vimos que houve um aumento na mobilidade das pessoas nos últimos 10 dias. Tanto na capital, como em vários quanto em vários locais do interior. De uma forma geral, houve sim uma diminuição no isolamento”, afirmou.

O secretário creditou o relaxamento a prefeituras que já estão iniciando algum tipo de flexibilização, mesmo antes do sinal verde do Governo de Minas com o protocolo de reativação da economia (veja mais abaixo). No entanto, Amaral não afirmou se a administração estadual fará algo em relação a essa abertura precoce.

Preocupação

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O professor de estatística da UFMG Luiz Henrique Duczmal afirmou ao BHAZ que todo o esforço de um mês de isolamento pode ser perdido caso um relaxamento ocorra.

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“O sucesso no combate é relativo, ainda vemos muitos carros circulando nas ruas, não são só serviços essenciais que estão funcionando. Já conseguimos adiar um pouco o pico, mas não é hora de relaxar. É hora de manter e deixar ainda mais intenso”, disse.

“Se relaxarmos agora, todo o progresso desse mês de isolamento vai ser perdido. No momento, qualquer redução no isolamento vai provocar aceleração do contágio e vamos perder todo o trabalho. Se relaxarmos agora, os hospitais não vão ter condição de suportar os casos e muitas pessoas vão morrer por falta de atendimento”, completou.

Retomada da economia

Nessa quinta-feira (23), Romeu Zema (Novo) detalhou um protocolo, chamado de “Minas Consciente – Retomando a economia do jeito certo”, para a retomada gradual da economia no Estado. A ideia é que os setores com menor risco de disseminação da Covid-19 voltem a funcionar primeiro. A decisão da reabertura cabe à administração municipal.

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Os primeiros negócios a reabrir, após os serviços essenciais, foram categorizados como ‘Onda 1’ e abrangem setores como lojas de roupas e concessionarias. A ‘Onda 2’ vai permitir o retorno de hotéis, lojas de departamentos, entre outros. Já a ‘Onda 3’ abrange serviços com mais risco de aglomerações, como salões de beleza e lojas de variedades.

Conforme o secretário de saúde, caso o número de contaminações não aumente muito, o protocolo para reabrir os serviços dessa primeira etapa estará disponível na próxima quarta-feira (29), no site do programa.

Carlos voltou a pedir que as pessoas evitem a exposição e que, quem puder, fique em casa. A continuidade da retomada está atrelada ao crescimento do número de casos da doença que, por enquanto, está “controlado”.

Galba Veloso e Raul Soares

O secretário de saúde informou, ainda durante a coletiva de imprensa, que os pacientes do hospital Galba Veloso não ficarão desassistidos. Há uma grande preocupação de setores da sociedade com o futuro destas pessoas, já que os leitos do hospital Galba Veloso passarão a abrigar pacientes com a Covid-19.

Amaral informou que os pacientes estão sendo transferidos para o Hospital Raul Soares, que também é referência no tratamento de transtornos mentais. “Já estamos fazendo a transferências e organizando obras”, informou.

Quantos infectados em Minas?

Conforme o Boletim Epidemiológico da SES-MG (Secretaria de Estado de Saúde) divulgado nesta sexta-feira (24), o Estado tem 1.419 casos da Covid-19. No total, 54 pessoas já morreram em decorrência da enfermidade e outros 91 óbitos estão em investigação.

O número de infectados cresceu 111 em 24 horas, uma alta de 8,4%. Já os óbitos tiveram um aumento de 5,8%, ou três casos, também em um dia.

Aline Diniz

Aline Diniz

Editora do BHAZ desde janeiro de 2020. Jornalista diplomada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) há 10 anos e com experiência focada principalmente na editoria de Cidades, incluindo atuação nas coberturas das tragédias da Vale em Brumadinho e Mariana. Já teve passagens por assessorias de imprensa, rádio e portais.

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