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Apreensão e ‘esperança em dias melhores’: Lojistas de BH comentam reabertura do comércio

Reabertura do comércio não essencial começou nesta semana

Belo Horizonte vive, desde a segunda-feira (25), a primeira etapa da flexibilização do comércio durante a pandemia do novo coronavírus. Com a autorização da PBH, milhares de lojistas puderam retomar as atividades, mesmo com restrições.

Apesar da volta gradual, a apreensão é o sentimento mais comum entre lojistas entrevistados pelo BHAZ, mas também há espaço para a esperança em dias melhores. 

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O Shopping Oiapoque, no Centro da capital, é um dos locais autorizados a reabrir. Cláudia Souza tem uma loja de calçados há 5 anos no local e conta que nunca passou por uma crise como esta, mas que espera que tudo passe. 

“A expectativa é de que a pandemia passe logo para tudo voltar ao normal o mais rápido possível. Enquanto isso, a gente fica apreensivo, pois durante os mais de 60 dias fechados ficamos sem vender e as contas só chegando. Estou com dívida para pagar e vou ter que ver o que faço”, diz.

Cláudia vende calçados no Shopping Oiapoque (Vitor Fórneas/BHAZ)
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No primeiro dia de reabertura, a comerciante conseguiu vender os produtos e comemorou. “O movimento está razoável, mas o importante é que está pingando [entrando dinheiro]. Melhor pingar do que ficar sem nada”.

Na loja de Valdomiro de Matos, brinquedos e outros acessórios são alguns dos produtos vendidos. O comerciante também está apreensivo e lamenta não poder expor as peças do lado de fora da loja. “Pensava que [a reabertura] seria melhor. Não podemos expor a mercadoria e isso dificulta demais a gente atrair o cliente. Estou apreensivo com o que vai acontecer”.

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Val, como é conhecido, ainda contabiliza os prejuízos causados pelo fechamento da loja, mas garante que “vai demorar um bom tempo para conseguir recuperar” as perdas. 

“As portas foram fechadas, porém as contas não pararam. Luz, água, aluguel, condomínio. Tudo continuou chegando. Não faço ideia de quando vou conseguir recuperar”, desabafa.

Val estima que vai demorar “um bom tempo” para recuperar o prejuízo pelo fechamento da loja (Amanda Dias/BHAZ)

‘Temos que manter a esperança’

Os impactos provocados pela pandemia da Covid-19 atingiram todas as classes sociais. Mesmo sabendo que a retomada da rotina será aos poucos, o cabeleireiro Rangel José de Freitas é um dos que se mantém esperançoso.

“O coronavírus foi e segue sendo uma situação complicada no país todo, não só em BH. Todos sofreram algum impacto, pois a doença não escolheu um determinado grupo, ela se espalhou por todos os cantos. Agora temos que seguir em frente e manter a esperança de que dias melhores virão”, diz.

Para a chegada dos “dias melhores”, Rangel conta com a compreensão dos clientes na reabertura do salão na região da Savassi.

Rangel está atendendo os cliente somente com horário agendado (Amanda Dias/BHAZ)

“Estamos atendendo somente com hora marcada, para evitar aglomeração. A situação é muito séria e a gente conta com a colaboração. É momento de entender a situação para não ter de fechar novamente”.

Quem também nutre a esperança de que tudo isso vai passar é o comerciante Luís Carlos Cataldo. Ele tem uma loja de brinquedos no Oiapoque e se diz satisfeito com a volta dos clientes. 

“Minha expectativa é sempre a melhor possível, apesar de estarmos no meio de tantas restrições. O cliente está vindo, as pessoas estão circulando no shopping. Só acho que poderiam autorizar a abertura de todas as lojas, desde que sejam seguidas as normas de segurança”, conta.

No Oiapoque está acontecendo um rodízio de lojas. Em um dia funcionam os boxes de números pares e no outro os ímpares.

Luís Carlos tem uma loja de brinquedos e defende a reabertura de todo o shopping (Vitor Fórneas/BHAZ)

O que pode reabrir?

Os setores que podem voltar a funcionar foram definidos de acordo com o respectivo risco sanitário, de aglomeração e de permanência de pessoas envolvidas. Seguindo esses critérios, podem começar suas atividades nesta segunda-feira:

  • Comércio varejista de artigos de iluminação;
  • Comércio varejista de artigos de cama, mesa e banho;
  • Utensílios, móveis e equipamentos domésticos, exceto eletrodomésticos e equipamentos de áudio e vídeo;
  • Tecidos e armarinho;
  • Artigos de tapeçaria, cortinas e persianas;
  • Limpeza e Conservação;
  • Artigos de papelaria, livraria e fotográficos;
  • Brinquedos e artigos recreativos;
  • Bicicletas e triciclos, peças e acessórios; 
  • Comércio varejista de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal;
  • Veículos automotores;
  • Peças e acessórios para veículos automotores;
  • Pneumáticos e câmaras-de-ar;
  • Comércio atacadista dos artigos de comércio varejista permitidos na fase 1, a partir de 25 de maio;
  • Cabeleireiros, manicure e pedicure;
  • Centros de comércio popular instituídos a qualquer tempo por Operações Urbanas visando a inclusão produtiva de camelôs, desde que localizados no Hipercentro ou em Venda Nova.
Vitor Fórneas

Vitor Fórneas

Repórter do BHAZ desde maio de 2017. Jornalista graduado pelo UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) e com atuação focada nas editorias de Cidades e Política.

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