Treze motivos para que a vida de Bolsonaro virasse ‘uma desgraça’

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Bolsonaro participa de lançamento de programa no Palácio do Planalto (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

“Minha vida é uma desgraça. Não tenho paz para nada”, assumiu ninguém menos do que o presidente da República, no último dia 10, em Brasília. Junto da confissão, veio um monte ataques e agressões beirando à insanidade e à criminalidade, quando cometeu impropérios e homofobia. Chamou o Brasil de “país de maricas” porque tememos o contágio da Covid-19.

Quando reconheceu, pela 1ª vez, a virada norte-americana, mandou um recado desafiador para o futuro presidente de lá (o democrata Joe Biden). Advertiu que irá recorrer à “pólvora” caso Biden não seja convencido, pela “saliva”, a não retaliar o Brasil, porque ele (Bolsonaro) põe fogo na Amazônia. Como veio dele, foi um ato falho junto à confissão de culpa.

Razões do infortúnio

Já que ele não apresentou, aparentemente, as razões de sua desgraça e de destemperos, vou elencar aqui 13 razões para isso. Primeiro, porque ontem foi uma sexta-feira 13, número tido como número de azar a todos e é também o número do partido que é o único adversário dele. Agora, vamos aos motivos (a consultoria vem da jornalista Flávia Oliveira).

Pela ordem:

  • 1) Na saúde, o país alcança o 2º lugar no mundo de fracasso na pandemia, ao ultrapassar a marca de 164 mil mortes pela Covid-19
  • 2) Na economia, chega a 13,8 milhões de brasileiros desempregados, o maior índice desde 2012.

É verdade que governo não cria empregos, mas é responsável pelas condições de estabilidade institucional e de incentivo ao investimento. Nenhuma delas existem nesse “país grande e bobo”, já dizia o escritor Eduardo Almeida Reis.

Economia fora de controle

Na sequência:

  • 3) aumento do endividamento: a dívida brasileira encerrará 2020 em 96% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país). A informação é da Secretaria Especial de Fazenda do Ministério da Economia.
  • 4) a recessão deve ser de 4,8% para este ano.
  • 5) a inflação dos alimentos acumula 18% de alta nos últimos doze meses.
  • 6) o Brasil não tem mais política social.

E mais:

  • 7) o dólar está a US$ 5,40.
  • 8) ele está sem partido e, por isso, refém do Centrão (bloco parlamentar que faz política via moeda de troca).
  • 9) seu padrinho político e parceiro, Donald Trump, foi derrotado nos EUA.
  • 10) o pífio desempenho dos candidatos dele nas eleições municipais deste ano.
  • 11) teve o filho, chamado por ele de 01, denunciado pelo Ministério Público Federal por conta das denúncias de prática de rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Filho denunciado pelo MPF

As acusações contra o filho foram tipificadas como peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

  • 12) o vice dele, Hamilton Mourão (PRTB), defendeu a expropriação de terras de quem põe fogo na Amazônia. Bolsonaro reagiu e passou um pito em Mourão, afirmando, de maneira enviesada, que só não o demitia porque é ele “indemissível”.
  • 13) o vice dele reconheceu a derrota de Trump, nos EUA, em resposta à carraspana do presidente, na véspera, por ter feito a defesa no item 12.

Ficou fora da lista, até para não atrapalhar a conta dos 13, a comemoração dele, que durou apenas 24 horas, sobre as razões que levou a Anvisa a paralisar estudos da vacina. Apenas porque o imunizante contra a Covid é desenvolvido por dois desafetos dele, um direto e outro indireto. O primeiro é o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), por meio do Instituto Butantan (ligado ao governo paulista), e o segundo é o parceiro desse, o governo chinês por meio do laboratório Sinovac.

Como o efeito adverso era a morte de um voluntário da vacina, ele soltou o fake News para tripudiar de um suicídio ao confundi-lo com morte matada por pesquisa em vacina.

Orion Teixeira
Orion Teixeiraorionteixeira.orionteixeira@gmail.com

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem.

É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

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