Vereadora mais votada da história de BH, Duda Salabert comemora: ‘Bem feito’

Duda Salabert
Duda Salabert é a candidata mais votada da história de Belo Horizonte (Instagram/Duda Salabert)

A professora de literatura e ambientalista Duda Salabert (PDT) é a primeira mulher transexual eleita e a mais votada da história de Belo Horizonte para o cargo de vereadora. Com 37.500 votos e 99% das seções totalizadas, até a última atualização, por volta das 23h, a nova parlamentar disse que o resultado é a “vitória dos Direitos Humanos”.

“Quando uma travesti avança a sociedade inteira avança. Vivemos em um país que mata mais travestis no planeta. A vitória de uma travesti é a vitória dos Direitos Humanos. BH deu resposta para a América Latina, para o governo federal dizendo que os Direitos Humanos são inegociáveis”, disse a nova vereadora da capital mineira, em entrevista exclusiva ao BHAZ.

Duda também mandou um recado para os vereadores derrotados no pleito e que discutiram o projeto de lei Escola Sem Partido, nesta legislatura, considerado inconstitucional pelo STF. “Resposta para vereadores que usaram dinheiro público para discutir projeto da Escola Sem Partido e que não traria melhora [para a educação da cidade]. Pagaram nas urnas, vão ser aniquilados como o fascismo. Bem feito, bem feito, bem feito. Vereadores que têm a veia facistóide”.

Da PBH para a Câmara

A professora era uma das pré-candidatas à PBH (Prefeitura de Belo Horizonte), mas optou por retirar o nome e concorrer à uma vaga no legislativo municipal. “Agradeço todas pessoas que deram apoio ao meu nome como prefeita. Fiquei imensamente feliz ao ver meu nome em terceiro lugar nas pesquisas espontâneas (mesmo com o boicote transfóbico dos institutos de pesquisa , que insistiram não colocar meu nome nas pesquisas estimuladas)”, escreveu nas redes sociais ao anunciar a retirada em junho.

Outra marca na trajetória política de Duda é que em 2018 ela foi a primeira travesti a concorrer ao Senado. Na oportunidade ela obteve 351.874 votos válidos em Minas Gerais. A filiação da professora ao PDT, partido de Ciro Gomes, aconteceu em setembro de 2019. Ela era filiada ao PSOL, mas deixou a legenda acusando o partido de “transfobia estrutural“.

Edição: Roberth Costa
Vitor Fórneas
Vitor Fórneasvitor.forneas@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde maio de 2017. Jornalista graduado pelo UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) e com atuação focada nas editorias de Cidades e Política.

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