presença da ausência: as cicatrizes no horizonte

Portas fechadas, espaços vazios, projetos de vida encerrados e fontes de sustento cortadas ilustram as páginas mais tristes da história de BH

Autores: Vitor Fernandes, Giovanna Fávero, Sofia Leão, Vitor Fórneas e Thiago Ricci; Augusto Pereira (programação) e Mohara Villaça (design)

Publicado em 21/02/2021 às 20:20

Desde o início da pandemia de Covid-19, o mundo inteiro compartilha a sensação de que o tempo passa num ritmo desajustado. Muitos acreditam que tudo ficou mais lento, mas para os 6.480 estabelecimentos de Belo Horizonte que foram forçados a fechar as portas em 2020, o tempo foi avassalador. O número, levantado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, pode subir ainda mais neste ano, mas já ilustra a agonia de 11 meses no escuro. Para esses milhares de comerciantes, qualquer colete salva-vidas já vem tarde: o hoje já não é mais suficiente para reparar as feridas de quem acumula tanto ontem.

“A gente pensou que essa quarentena seria rápida. Achamos que poderíamos sobreviver. Mas aí o dinheiro acabou e a dificuldade veio. Eu virei para o meu marido e disse: ‘ou a gente fecha ou vamos enlouquecer’. A situação foi ficando cada dia pior, sem perspectivas de melhora”, desabafa a empresária Beatriz Oliveira, proprietária da Bia’s Pizzaria, restaurante que sustentava 25 trabalhadores e, após quase quatro décadas, faz parte do cenário do bairro Pompéia. Mas deve desaparecer do horizonte da Zona Leste de BH.

O fim para o qual caminha a Bia’s Pizzaria – mesmo a contragosto dos proprietários e clientes – já é o sacramentado por mais de 6 mil negócios na capital mineira. De estabelecimentos pequenos, com perfil familiar que garantiam o sustento de pais, filhos e outros parentes; até atividades comerciais pomposas, orgulhos da gastronomia e lazer belo-horizontinos, e responsáveis por dezenas de trabalhadores, como Alma Chef, Pinguim, Vecchio Sogno, L’êntrecote de Paris, Tchê Parrilla, A Favorita. As portas fechadas se tornaram presença comum de Norte a Sul em BH.

Horizonte melancólico

Independentemente da força do ressoar de 2020 neste ano, o estrago já é profundo. Ainda no isolamento social mais rigoroso, o belo-horizontino colecionou, de dentro de casa, dolorosas notícias de fechamento de atividades comerciais que faziam parte do dia a dia. “Foram 7 anos de intensas trocas com Belo Horizonte e com as pessoas que aqui vivem. 7 anos de aprendizados, protótipos, erros, acertos e, principalmente, insistência. 7 anos de descobertas fortuitas, conexões improváveis e parcerias transformadoras. 7 anos de cafés, sanduíches, reuniões e drinks. 7 anos de uma pequena revolução”, dizia um dos primeiros textos de despedida, ainda em maio, do Guaja.

O café e coworking que caiu nas graças especialmente do público jovem de BH até já anunciou que vai conseguir retornar para o mesmo casarão na avenida Afonso Pena, com reabertura prevista para março. Mas o anúncio, mesmo que simbolicamente, deu largada a uma série de publicações que arrancariam lamentações do leitor, isolado dentro da própria residência. “Vocês estiveram com a gente até o final. Nos últimos pratos, no último brinde. Foram responsáveis por fazer nosso sonho dar certo. Obrigado, de coração, pela determinação e profissionalismo nesses anos de trabalho”, anunciou um dos principais restaurantes da gastronomia de BH, Vecchio Sogno, do chef Ivo Faria. 

“O horizonte vai ser com uma diversidade diferente de bares. Temos casas tradicionais que fecharam, como, por exemplo, João da Carne e outras antigas em BH, como a Cervejaria Brasil. Já perdemos em torno de 3,5 mil bares e restaurantes, e 30 mil empregos. Perdemos muito funcionário… Se continuarmos com as restrições que temos hoje, vai aumentar ainda mais o desemprego”, alerta Matheus Daniel Pires, presidente da Abrasel-MG (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais). Conforme o representante do segmento, a cada 10 bares e restaurantes de BH, nove estão pagando para manter o negócio aberto – ou seja, operando com prejuízo.

“Após o Carnaval, acreditamos que vamos conseguir recuperar metade do setor em três meses, como fizemos em setembro, outubro e novembro. No início de dezembro, quando tivemos essa sequência de três meses com o segmento podendo abrir e vender bebida alcoólica, conseguimos recuperar 47% dos estabelecimentos. Eles conseguiram operar sem dar prejuízo – sem chegar perto do que era antes da pandemia, mas conseguindo pagar as contas”, diz o presidente da associação.

Cenário das regiões boêmias de BH foi tomado por placas de aluga-se (Moisés Teodoro/BHAZ)

Amor em pedaços

Além da evidente crise trazida pelo isolamento social, a pandemia ainda trouxe consigo a imprevisibilidade muitas vezes fatal para o comerciante. Uma das várias experiências desagradáveis que não saem da memória de Beatriz Oliveira é o dia em que, esperançosa por dias melhores, foi ao Ceasa (Centrais de Abastecimento de Minas Gerais) abastecer o restaurante. “Naquele dia, eu trouxe a Kombi lotada. Joguei muita coisa fora, perdi muito. Muitas frutas, perdi um freezer de picolés, carne angus para churrasco, caixas de coraçãozinho de galinha. Isso que eu estou lembrando agora”, relembra a dona da Bia’s Pizzaria.

Esse movimento causado pela pandemia e adotado em Belo Horizonte não poderia ter outro resultado como os milhares de fechamentos registrados na cidade, conforme explica Leandro Silva, mestre em ciências da administração e professor da Newton Paiva. “Quando é que o comércio vai poder voltar sem ter medo de fechar as portas novamente? Tivemos cinco meses fechados e depois o comércio reabriu, depois fechou mais uma vez. Esta sanfona não funciona e quebra todo tipo de previsibilidade”, afirma.

Estudo realizado pelo Sindilojas BH (Sindicato de Lojistas de Belo Horizonte) aponta que 90% dos comerciantes registraram queda nas vendas em 2020. E a maioria – 53%, para ser exato – teve uma diminuição de 21% a 50% em relação ao ano anterior, 2019. Os números e leituras de especialistas que tentam explicar a pior crise econômica da nossa história foram sentidos na pele por Beatriz Oliveira, cuja fachada do comércio recebeu um desagradável componente em setembro: uma faixa alertando o encerramento dos trabalhos.

Parte do cenário do Pompéia há quase quatro décadas, o Bia’s Pizzaria precisou fechar as portas em setembro (Maira Monteiro/BHAZ)

“Primeiro encerramos as atividades do restaurante, durante o dia. Mantivemos o delivery da pizzaria à noite, mas não tinha mais como continuar. Só conseguimos estender mais um pouco porque o terreno é nosso. Se fosse aluguel, teríamos parado ainda antes”, afirma a empresária, cujo negócio transcende a importância do sustento da família. “Eu trabalhava sem parar, fazia por amor mesmo, não só pelo dinheiro. Tenho dois filhos, e eles praticamente nasceram na cozinha, saíram dali para o parto. Cresceram ali comigo e meu marido”.

Esse mesmo amor, hoje despedaçado, conquistou todo o bairro. “Outro dia fui lavar a pizzaria, só para cuidar mesmo. As pessoas passavam e perguntavam se eu estava reabrindo. Teve cliente que se conheceu lá, casou, teve filhos e continuou frequentando. Fazia parte da vida das pessoa, não era só pelo dinheiro, era pelo cliente, pelo carinho, aquele abraço apertado. Tinha cliente que passava só para dar um abraço, isso não tem preço. Era família mesmo, coisa de amor”, desabafa.

Contas chegando

Se é forte entre os especialistas o pensamento de que o pior já passou, também é praticamente consenso que as consequências do pior momento ainda estão por vir para milhares de comerciantes. Ou seja: aquele malabarismo feito durante todo o ano passado, com meses de fechamento e cercado por incertezas, pode ruir agora, em 2021. “Neste começo de ano, estão chegando as contas. Os empréstimos que conseguiram no ano passado, o ajuste feito na legislação trabalhista para deixar o funcionário em casa ou reduzir a jornada de trabalho. Esta conta é pesada e fora isso vem tudo: IPTU, IPVA, escolas dos filhos”, analisa o presidente da CDL/BH (Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte), Marcelo de Souza e Silva.

O temor é compartilhado por quem ocupa a região mais clássica do comércio belo-horizontino: o Centro. “Está muito ruim, bem fraco. A volta de fevereiro foi muito vazia. Eu acho que o comércio vai passar por uma crise profunda em BH, o pior momento que vivemos é o de agora. Em outro ainda tinha uma certa mobilização pelo governo federal, mas dessa vez estamos fechados sem auxílio de ninguém”, afirma o presidente da ACHBH (Associação dos Comerciantes do Hipercentro de Belo Horizonte), Flávio Froes Assunção.

A leitura de que o saldo total de 2020 ainda não foi completamente contabilizado pode ser traduzida por números. Balanço elaborado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, a pedido do BHAZ, revela 6.480 baixas de estabelecimentos comerciais no ano passado. O número é o menor desde 2016 e corresponde a menos do que um terço – 32%, exatamente – de 2018, o ano com a maior quantidade de baixas neste década: 19.940.

E qual é a explicação para isso? Como o caótico 2020 pode ter um resultado mais ameno do que anos anteriores? “O ano de 2018 foi a tampa do caixão para a economia do país, pois nos anos anteriores a economia brasileira já estava muito fraca. Saímos de uma era de crédito farto, no Governo Lula, e depois com Dilma e Temer não tivemos, de fato, uma economia forte e isso resultou no fechamento de muitas empresas”, explica o professor Leandro Silva. “Lembro que naquela época, durante as aulas eu falava: ‘gente, estamos caminhando para um momento difícil e não estamos enxergando o tamanho do buraco’. Realmente foi um momento muito ruim”.

Mas o reflexo de 2020 pode fazer com que 2021 seja ainda pior, nesse quesito, do que 2018. “Os números de comércios fechados por causa da pandemia ainda vão começar a aparecer, pois muitos estão tentando se manter. A tendência é de termos um número maior em 2021. Talvez tenhamos até mais do que em 2018, pois vai somar a economia que não cresce e pandemia que acabou piorando tudo. A economia brasileira já estava combalida e quando começou a querer andar para frente veio o coronavírus”, projeta o mestre em ciências da administração. 

Em um cenário que ficamos endividados, tem que começar a pagar e não tem vendas. É um pesadelo

Flávio Froes Asssunção

“Estimamos 7,7 mil estabelecimentos fechados em BH e teremos número maior e impactante de perda de empregos se fechar novamente. A resposta direta é que o setor de comércio e serviços não suportam outro fechamento. Estamos falando o inverso, de como seguir respeitando os protocolos e como seguir com atividades que não podem funcionar neste momento de maneira cuidadosa”, afirma Marcelo de Souza e Silva, ao apresentar um número superior ao do balanço da prefeitura, que contabiliza apenas quando todos os trâmites legais são finalizados.

Âncora ou salva-vidas

No início de fevereiro, a PBH (Prefeitura de Belo Horizonte) anunciou um pacote com mais de 20 medidas para recuperar a economia da capital. “Nossa proposta é um conjunto de medidas tentando atingir as pessoas e estabelecimentos visando diminuir o impacto do fechamento. E simplificar e desburocratização de procedimentos”, resumiu durante o anúncio Maria Caldas, secretária municipal de Política Urbana.

As 26 ações pretendem eliminar, reduzir ou parcelar taxas, preços públicos e IPTU, com um valor anual total para os cofres públicos de R$ 28 milhões. A gestão municipal calcula beneficiar 200 mil empreendedores e, do total de medidas, 14 entrariam em vigor imediatamente e as outras 12 apenas em 2022, por meio de lei. De acordo com a avaliação de especialistas e representantes do setor, o pacotão é insuficiente.

“Como eu vou dividir o IPTU da minha loja sendo que não sei se vou ter loja nos próximos três meses? Se as coisas não melhorarem, a bomba vai explodir. Na hora que começar a fechar muitas lojas, vai impactar na receita municipal por exemplo. Quantas mais pessoas desempregadas, como será a receita futura do município? Tudo é uma cadeia interligada e uma hora a conta vem”, afirma o professor da Newton Paiva Leandro Silva.

Se caminhar o que temos, nós teremos duas grandes franquias crescendo no Brasil de forma exponencial: vende-se e aluga-se

Leandro Silva

“Essas diminuições de impostos, de IPTU, cortes de pequenas taxas não têm praticidade efetiva. O comércio, de uma forma geral, pagou um preço muito acima de outros setores. A maioria dos comerciantes vai ter que começar tudo de novo. O que sobrou foram dívidas. É aquele ditado: soltou no mar e tirou a boia. O cenário é triste, o pós-pandemia vai ser terrível”, lamenta o representante dos comerciantes do Hipercentro, Flávio Froes Assunção.

Apesar das queixas em relação à gestão municipal, as principais críticas são direcionadas ao governo federal. Pesquisa do Sindilojas BH, por exemplo, mostra que 62% dos comerciantes de BH acreditam que, para a retomada do setor, é fundamental a manutenção/prorrogação das medidas emergenciais de emprego e renda editadas para 2020. E 52% apontaram a isenção do IPTU referente ao período de fechamento das empresas como uma medida importante.

Além do socorro do governo federal, especialistas ouvidos pelo BHAZ são unânimes ao dizer que a única saída para a retomada plena do comércio é a vacinação. “Tem que acelerar o processo de vacinação para que o comércio de BH volte. Não dá para esperar até 2022 para que aconteça a recuperação. O comércio está perdido pois não se vê saída, só se sabe que o túnel é fundo. Temos que antecipar e bater a meta da vacinação. Hoje não existe qualquer segurança para o empresário fazer planejamento”, diz Leandro Silva

Um dos pontos mais cobiçados de BH, no Lourdes, coleciona placas de aluga-se (Moisés Teodoro/BHAZ)

“A gente viu que teve a flexibilização ano passado e logo veio essa segunda onda, aumento de casos, tivemos novo fechamento. Enquanto não atingirmos a chamada imunidade de rebanho com a vacinação, isso vai acontecer sistematicamente. Também vai depender do auxílio emergencial que o governo está discutindo. Se firmar por mais meses, vai ser essencial pro comércio”, corrobora a Débora Freire, professora de economia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Mãos à obra (e na consciência)

Além das ações necessárias de governos, entidades representativas do setor e dos próprios empresários e comerciantes, a melhora do cenário depende diretamente da compreensão de que se trata de um problema de todos. Prova disso é a própria circulação de pessoas na cidade: já se sabe que um novo fechamento do comércio pode sufocar completamente o setor e também que, se os cuidados necessários ao momento atual não forem tomados por todos, o fechamento é inevitável. O resultado dessa conta é óbvio e já foi visto na prática.

“O que a gente viu nas festas de fim de ano é um exemplo disso. Todo mundo meio que se descuidou, como se não houvesse nada e aí depois houve uma necessidade de fechamento por uma questão de saúde pública”, pontua Felipe, que ressalta ainda que a questão é muito mais complexa do que procurar um único culpado. “Tem uma questão social, de observar e falar: ‘Espera aí, a população ajudou para que a gente conseguisse voltar a atividade do comércio?’”, reforça.

Medidas como programas econômicos, testes gratuitos para determinados setores, pontos de desinfecção em locais estratégicos e ações de assistência social com grupos mais impactados – todas adotadas em Belo Horizonte – perdem o efeito se, na última escala – a do público geral – o pacto de compromisso com a saúde pública não for cumprida.

Resistência imponente

Da imponência que compõe o cartão-postal de BH, a resistência. Componente da vista deslumbrante da Lagoa da Pampulha desde a década de 1970, o Parque Guanabara suportou 11 meses completamente fechado. A atração – que começou itinerante em 1951 após ser fundada no Rio de Janeiro, e fixa na capital mineira desde 1971 – nunca tinha ficado tanto tempo sem funcionar.

Atrações do Parque Guanabara compõem a vista da Lagoa da Pampulha (Christiano Soares/Arquivo pessoal)

“Foi terrível. Acordar e vivenciar dia após dia que você não tem previsão alguma, sem saber se fecharia definitivamente ou não. Foi assustador. Como sei que aconteceu com várias pessoas. Para quem tem empresa, eu acredito que foi bem terrível mesmo, algo nunca visto antes”, compartilha Gabriel Pereira Dias, gerente comercial do negócio e neto do fundador do parque, Paulo Pereira Dias.

A grandiosidade da atração é ilustrada pelos números: 160 funcionários, sendo 112 contratados e o restante terceirizado, e um gasto mensal médio de R$ 700 mil. O auxílio do governo federal foi fundamental para que não houvesse demissão em massa – segundo o gerente, seis foram cortados no último ano – e aguentar o custo de R$ 300 mil por mês, mesmo sem funcionar. “O que segurou a gente foram nossas reservas, fomos utilizando dela para segurar esse período sem receita. No final desses 11 meses, começamos a pegar empréstimos porque não tínhamos nenhuma previsão de quando seria a volta”, conta Gabriel Dias.

O dia 18 de fevereiro marcou a volta de um dos últimos segmentos a conseguir retomar o negócio. E, como bom brasileiro, Gabriel já faz planos para encarar o desafio da magnitude do parque responsável por compor um dos pontos turísticos mais belos da cidade – se não foi o mais. “Fizemos uma promoção de reabertura antes de saber, eu estava bem otimista. Só que as pessoas não compram antes da certeza que vai reabrir, por isso só melhorou quando saiu a data oficial. Aumentamos as nossas vendas online, para a reabertura, em 120%”, relata o gerente.

O que Gabriel Dias mais deseja é ver o parque cheio de alegria novamente (Parque Guanabara/Divulgação)

“O parque só vai poder funcionar com metade da capacidade, seguindo todos os protocolos. Já estamos prontos para seguir tudo de maneira correta”, complementa. “Nem chegamos a cogitar um novo fechamento. Com fé em Deus isso não vai acontecer mais, temos a vacina chegando aí. Mas, caso ocorra, já temos de onde tirar recurso para evitar a falência do parque. Vamos seguir as determinações e nos manter positivos”, diz, ao esbanjar positividade.

O sentimento do gerente comercial resume o de todos os comerciantes belo-horizontinos: mesmo em meio a dores e desafios, uma vontade imensa de trabalhar e prosperar. Que a presença das ausências seja um aprendizado por uma sociedade mais consciente e solidária, que o poder público desempenhe seu papel, que a roda-gigante se estabilize no ponto mais alto – e, quem sabe, até quem procura um comprador para seu imóvel não reaparece para voltar a abrilhantar o horizonte de BH?

“Podendo trabalhar igual sempre trabalhei na vida, a gente volta. Não temos preguiça”, sintetiza Beatriz Oliveira, ainda proprietária do Bia’s Pizzaria.

O comércio deseja que a roda-gigante proporcionada pela pandemia se estabilize no ponto mais alto (Christiano Soares/Arquivo pessoal)

PARTE 3

Presença da ausência