Kalil vai se reunir com comitê da Covid após melhora dos números em BH

Alexandre Kalil falando ao microfone
Prefeito vai se reunir com o comitê na quarta (Moisés Teodoro/BHAZ)

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), vai se reunir com os médicos infectologistas que integram o Comitê de Enfrentamento à Covid na próxima quarta-feira (14). A expectativa é de que alguma flexibilização na capital mineira seja anunciada. Especialista ouvido pela BHAZ prega a cautela e diz que “o ideal seria esperar mais um tempo”.

A PBH (Prefeitura de Belo Horizonte) anunciou o encontro entre o chefe do Executivo municipal e os infectologistas no começo da tarde desta segunda-feira (12) após os indicadores da Covid-19 apresentarem melhora. Em 5 de março – ou seja, há mais de um mês -, Kalil anunciou que BH havia voltado à “estaca zero” e desde então apenas os serviços essenciais estão autorizados a funcionar.

A decisão foi tomada à época por conta da alta taxa de ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para tratar pacientes com Covid. “São números absolutamente assustadores… Voltamos à estaca zero. Vamos trancar a cidade novamente”, afirmou ao comunicar o quarto fechamento de BH desde o início da pandemia, em março de 2020.

Situação atual

Belo Horizonte tem 154.964 casos confirmados de Covid-19 e 3.578 mortos. Os números são do Boletim Epidemiológico e Assistencial da última sexta-feira (9). Os indicadores utilizados para monitorar a pandemia indicam que o número médio de transmissão por infectado (RT) está em 0,93 – nível verde. Já os leitos de UTI estão com 92,8% de ocupação e os de enfermaria, 73,2% – ambos no vermelho.

Indicadores pandemia BH
Indicadores de monitoramento da pandemia em BH na última sexta (Reprodução/PBH)

‘Ideal seria esperar’

O médico Unaí Tupinambás integra o comitê da PBH e disse ser a favor de esperar um pouco mais para realizar alguma flexibilização na capital mineira. “Não vou falar pelo comitê, mas por mim. Estávamos numa situação muito crítica e, agora, administrável. O ideal seria esperar mais um tempo, mas temos as avariáveis socioeconômicas e elas precisam ser consideradas”, afirma ao BHAZ.

O principal motivo para a espera se dá nos reflexos do feriado da Semana Santa que estão por vir. “Se eu pudesse, esperaria até semana que vem para a gente garantir e consolidar esta queda de números. Tivemos este feriado e não sabemos qual impacto vai causar nos números. Deixando bem claro que é uma opinião pessoal”.

Decisão

Apesar da visão de Tupinambás, a definição sobre uma nova flexibilização ou não será decidida apenas na reunião. “Vamos debater neste encontro se baseando nos números. Posso até mudar de opinião, mas, de acordo com os números e a realidade do cenário no Brasil e em Minas Gerais, prefiro continuar da forma que estamos para que possamos ter uma saída mais segura”, destaca o professor da UFMG.

Independentemente da decisão que será tomada, uma orientação não muda: as medidas de proteção contra o novo coronavírus precisam continuar sendo seguidas. “As pessoas devem utilizar máscara, usar álcool em gel e evitar aglomeração”, repete o estudioso.

Edição: Thiago Ricci
Vitor Fórneas
Vitor Fórneasvitor.forneas@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde maio de 2017. Jornalista graduado pelo UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) e com atuação focada nas editorias de Cidades e Política. Teve reportagens agraciadas pelo prêmio CDL.

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