A Justiça de Minas Gerais aceitou nesta segunda-feira (19) a denúncia do Ministério Público (MPMG) contra a delegada Monah Zein, que se trancou em apartamento de Belo Horizonte e disparou contra policiais em novembro do ano passado. Monah vai responder por quatro tentativas de homicídio e deve ir à júri popular.
A decisão é do juiz Bruno Sena Carmona, do 1º Sumariante da comarca de Belo Horizonte. De acordo com o documento, a delegada deve ser notificada e apresentar a defesa em até 10 dias.
O magistrado acatou parcialmente aos pedidos feitos pelo MPMG, determinando que a delegada continue na função de delegada de polícia, mas sem o direito ao porte de arma. “A suspensão cautelar do direito da denunciada de portar arma de fogo revela-se medida adequada e necessária, em função de dúvida razoável sobre a higidez de sua saúde mental”, diz trecho da decisão.
Além disso, a mulher também está proibida de entrar em contato e fazer postagens em redes sociais referentes às vítimas ou testemunhas. O juiz argumenta que a medida é necessária, já que “em suas redes sociais a ré fez postagens ofensivas a honra de tais pessoas”.
Caso a delegada descumpra as imposições, terá a prisão preventiva decretada.
Relembre o caso
Monah Zein teve prisão em flagrante ratificada pelo crime de tentativa de homicídio por causa de disparos contra policiais em novembro de 2023. O caso da delegada ficou conhecido em todo o país depois que ela se trancou dentro de um apartamento no bairro Ouro Preto, região da Pampulha, em Belo Horizonte, por mais de 24h. Durante as negociações, Monah disparou contra os policiais cerca de quatro vezes
Nas redes sociais, Monah fez várias postagens denunciando supostos abusos sofridos por ela dentro da corporação. Nas mensagens, ela pedia que os policiais saíssem da porta do apartamento.
Em live, Monah contou que policiais chegaram na porta da casa dela por volta das 9h depois que ela avisou que não iria mais trabalhar. A delegada disse ter decidido que “não vai mais viver nesse inferno”.
“São 23h e eles continuam na porta, fazendo eu parecer louca, dizendo que só vão embora quando eu abrir a porta, porque precisam me ajudar. Eu preciso que alguém chame a PM porque tem violadores da lei desde as 9h na porta de uma delegada de polícia fazendo esse teatro”, escreveu ela.
“Ontem, após novamente começarem atos humilhantes, ‘assediatórios’, bizarros, ‘adoecedores’ contra mim, que eu ia voltar a trabalhar hoje, decidi que cansei, decidi que não vou mais viver um ano desse inferno, decidi que chega”, diz ela.
A delegada disse que já teria apresentado provas dos abusos sofridos por ela para a corregedoria da Polícia Civil, mas que a corporação estaria “se lixando”.
“Os colegas veem a gente adoecendo e estão se lixando. E outra: em nenhum momento eu dei a entender que eu ia tirar minha vida. Dei a entender que não ia voltar para aquele purgatório”, declarou.
‘Não fiz ameaça a ninguém’
Na visão da delegada, a polícia estaria tentando fazer com que ela passasse como “louca” e “desequilibrada”. Os agentes da corporação afirmam, que, desde ontem, tentam pegar a arma da servidora.
“Eles não querem me ajudar, querem fazer um cenário onde estou louca, doida, armada, perigosa, não existe isso (…) quatro homens armados com escudos, armas, fazendo essa palhaçada no meu prédio pra vir aqui tirar minha arma. Eu não fiz nenhuma ameaça pra ninguém, só avisei que não volto pra lá”, disse.
Em determinado momento do vídeo, Monah aparece com a arma em punho conversando com um dos policiais na porta. Ela pede que a equipe deixe o local. “Isso é um cenário fictício para me colocar como uma pessoa desequilibrada”, afirma a delegada, que assume que disparou seis vezes na escada de incêndio para afastar os agentes.

















