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Mais uma cidade mineira registra casos de intoxicação por ‘falsa couve’

17/10/2025 às 09h52 - Atualizado em 17/10/2025 às 10h12
Outra cidade mineira registra casos de intoxicação por 'falsa couve'. (Reprodução)

Mais uma cidade de Minas Gerais registrou intoxicação recente pela “falsa couve”, também chamada de “fumo-bravo”. Santa Vitória, no Triângulo Mineiro, confirmou sete casos causados pela ingestão da planta conhecida como Nicotiana glauca. A informação foi divulgada pelo prefeito da cidade, em vídeo publicado no Instagram. O chefe do Executivo, que também é médico, fez apelos à população.

De acordo com a administração municipal, há suspeita de que outras pessoas possam estar cultivando a planta em casa sem saber de sua toxicidade. “Evitem o consumo ou o seu cultivo. Não façam a sua ingestão como alimento nem como chá. Há risco de intoxicação grave e até mesmo risco de morte”, reforçou o prefeito no pronunciamento.

Ainda segundo o político, todas as vítimas receberam atendimento no Pronto Atendimento Municipal e, até o momento, não houve registro de mortes. A prefeitura agradeceu às equipes de saúde e destacou a importância de que a população fique atenta à identificação e eliminação da planta para evitar novos episódios.

‘Falsa couve’ em Patrocínio

O caso de intoxicação por “falsa couve” em Patrocínio, no Alto Paranaíba, ganhou repercussão após quatro pessoas de uma mesma família passarem mal durante um almoço no dia 8 de outubro. As vítimas — três homens e uma mulher — ingeriram a planta Nicotiana glauca, acreditando se tratar de couve. Logo após a refeição, apresentaram sintomas como dormência, fraqueza e dificuldade para respirar. Uma mulher morreu.

O Corpo de Bombeiros foi acionado e encontrou a mulher, Claviana Nunes, de 37 anos, em parada cardiorrespiratória. Ela foi reanimada e levada ao pronto-socorro, enquanto os outros familiares foram encaminhados para hospitais da cidade. Após dias internada em estado grave, Claviana não resistiu e morreu na noite de segunda-feira (13).

A Secretaria Municipal de Saúde de Patrocínio, por meio da Vigilância Sanitária e Epidemiológica, afirma que acompanha as investigações e coletou amostras de alimentos e materiais biológicos para análise. O município reforçou o alerta sobre o risco da planta tóxica, pedindo que a população evite o cultivo e o consumo de espécies desconhecidas, que podem causar intoxicação grave e até morte.

Veja como identificar a “falsa couve”

Após o caso de uma família intoxicada ao consumir a chamada “falsa couve”, o alerta sobre o risco de confusão entre plantas voltou a preocupar especialistas. Em entrevista ao BHAZ, a bióloga, mestre em botânica e professora da UniBH, Fernanda Raggi Grossi, explicou como diferenciar a verdadeira couve da espécie tóxica — e o que torna essa planta tão perigosa.

A “falsa couve” é, na verdade, a nicotiana glauca, uma planta da família das Solanáceas, a mesma do tomate, da batata e do tabaco. Apesar da aparência semelhante à couve tradicional, a Nicotiana glauca é altamente venenosa, pois contém anabasina e nicotina, dois alcaloides potentes que atuam diretamente no sistema nervoso.

5 formas de diferenciar a falsa couve da verdadeira

Segundo a bióloga, a Nicotiana glauca possui:

  1. folhas menores
  2. mais grossas
  3. ásperas
  4. cor acinzentada ou azulada
  5. aspecto opaco

A planta tem um tronco lenhoso, e suas folhas se prendem a esse caule, o que já é um sinal de alerta. Além disso, apresenta flores pequenas agrupadas em cachos — algo incomum na couve que consumimos.

Lavínia Fernandes

Jornalista formada pela PUC Minas. Publicou um artigo sobre alfabetização midiática pela Intercom. Foi estagiária de assessoria de comunicação na ALMG. Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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Lavínia Fernandes

Email: lavinia.barbosa@bhaz.com.br

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