Mais uma cidade de Minas Gerais registrou intoxicação recente pela “falsa couve”, também chamada de “fumo-bravo”. Santa Vitória, no Triângulo Mineiro, confirmou sete casos causados pela ingestão da planta conhecida como Nicotiana glauca. A informação foi divulgada pelo prefeito da cidade, em vídeo publicado no Instagram. O chefe do Executivo, que também é médico, fez apelos à população.
De acordo com a administração municipal, há suspeita de que outras pessoas possam estar cultivando a planta em casa sem saber de sua toxicidade. “Evitem o consumo ou o seu cultivo. Não façam a sua ingestão como alimento nem como chá. Há risco de intoxicação grave e até mesmo risco de morte”, reforçou o prefeito no pronunciamento.
Ainda segundo o político, todas as vítimas receberam atendimento no Pronto Atendimento Municipal e, até o momento, não houve registro de mortes. A prefeitura agradeceu às equipes de saúde e destacou a importância de que a população fique atenta à identificação e eliminação da planta para evitar novos episódios.
‘Falsa couve’ em Patrocínio
O caso de intoxicação por “falsa couve” em Patrocínio, no Alto Paranaíba, ganhou repercussão após quatro pessoas de uma mesma família passarem mal durante um almoço no dia 8 de outubro. As vítimas — três homens e uma mulher — ingeriram a planta Nicotiana glauca, acreditando se tratar de couve. Logo após a refeição, apresentaram sintomas como dormência, fraqueza e dificuldade para respirar. Uma mulher morreu.
O Corpo de Bombeiros foi acionado e encontrou a mulher, Claviana Nunes, de 37 anos, em parada cardiorrespiratória. Ela foi reanimada e levada ao pronto-socorro, enquanto os outros familiares foram encaminhados para hospitais da cidade. Após dias internada em estado grave, Claviana não resistiu e morreu na noite de segunda-feira (13).
A Secretaria Municipal de Saúde de Patrocínio, por meio da Vigilância Sanitária e Epidemiológica, afirma que acompanha as investigações e coletou amostras de alimentos e materiais biológicos para análise. O município reforçou o alerta sobre o risco da planta tóxica, pedindo que a população evite o cultivo e o consumo de espécies desconhecidas, que podem causar intoxicação grave e até morte.
Veja como identificar a “falsa couve”
Após o caso de uma família intoxicada ao consumir a chamada “falsa couve”, o alerta sobre o risco de confusão entre plantas voltou a preocupar especialistas. Em entrevista ao BHAZ, a bióloga, mestre em botânica e professora da UniBH, Fernanda Raggi Grossi, explicou como diferenciar a verdadeira couve da espécie tóxica — e o que torna essa planta tão perigosa.
A “falsa couve” é, na verdade, a nicotiana glauca, uma planta da família das Solanáceas, a mesma do tomate, da batata e do tabaco. Apesar da aparência semelhante à couve tradicional, a Nicotiana glauca é altamente venenosa, pois contém anabasina e nicotina, dois alcaloides potentes que atuam diretamente no sistema nervoso.
5 formas de diferenciar a falsa couve da verdadeira
Segundo a bióloga, a Nicotiana glauca possui:
- folhas menores
- mais grossas
- ásperas
- cor acinzentada ou azulada
- aspecto opaco
A planta tem um tronco lenhoso, e suas folhas se prendem a esse caule, o que já é um sinal de alerta. Além disso, apresenta flores pequenas agrupadas em cachos — algo incomum na couve que consumimos.










