Estamos vivendo uma epidemia de feminicídios no país. Os dados são alarmantes e revelam uma realidade triste, violenta e cruel com as mulheres. Em nosso estado, a cada dois dias, uma mulher é assassinada, o que faz Minas Gerais ocupar o segundo lugar no ranking de feminicídios do país. Seja em casa ou na rua, nas cidades ou nas áreas rurais, não estamos seguras e seguimos vitimadas, perseguidas e ameaçadas por maridos, namorados e familiares.
Nos matam por causa do machismo, da misoginia que espalha ódio e fortalece a falsa ideia de que homens são superiores, que teriam poder e direito de controlar nossos corpos e nossas vidas. Ideia tão antiga que é combatida historicamente pelos movimentos de mulheres, pelo menos desde o final do século 19. Não à toa, hoje temos consciência de que podemos ser nós mesmas donas das nossas vidas. O feminismo cresceu e, com as redes sociais, rompeu fronteiras e conquistou adeptas de diferentes gerações.
Mesmo assim, ainda vemos a misoginia ganhar força, sobretudo neste contexto de avanço da extrema direita no mundo. São os homens que sustentam projetos fascistas em curso, que votam em Donald Trump, que apoiam o bolsonarismo de políticos brancos, elitistas e corruptos no Brasil. Enquanto isso, são as mulheres, sobretudo as jovens, que formam a barreira contra essa extrema direita e que resistem a projetos totalitários. Talvez os feminicídios, coachs red pill e discursos patriarcais em defesa da “família tradicional” sejam, antes de tudo, uma reação daqueles cuja masculinidade frágil acaba por ditar seus comportamentos.
Nos resta pensar em como criar nossas crianças, ensinado às meninas a não se curvarem, mas ensinado aos meninos a respeitarem, cuidarem, ouvirem, valorizarem e admirarem mulheres para além das que são de suas famílias. Essa é uma responsabilidade de toda a sociedade. Queremos que os meninos cresçam desnaturalizando a violência e a opressão de gênero. Queremos que eles cresçam percebendo a importância do trabalho doméstico e de cuidados. Queremos que eles cresçam sabendo que não é não. Que eles cresçam capazes de criticar seus amigos por comentários misóginos e acolher suas amigas em relacionamentos abusivos.
Enquanto isso, Zema não se preocupa com as mulheres
Diante da gravidade do problema, é nosso papel cobrar do Estado mais políticas públicas de prevenção e enfrentamento da violência contra as mulheres. É papel dos governos levar o assunto a sério. Mas aqui em Minas Gerais, Romeu Zema, além de não implementar medidas efetivas no enfrentamento da violência contra as mulheres, não aderiu formalmente ao Pacto Nacional Contra o Feminicídio por pura mesquinharia. Para o governador, a disputa política com Lula é mais importante do que a vida das mulheres mineiras.
O Pacto Nacional Contra o Feminicídio, lançado em 2023 pelo governo federal, reúne os três poderes federais, estados e municípios para fortalecer políticas públicas de prevenção, proteção e responsabilização dos criminosos. A medida prevê ações integradas entre segurança pública, instituições de justiça, assistência social e políticas para mulheres, garantindo atendimento mais rápido às vítimas. A adesão de Minas Gerais ao pacto facilitaria o acesso a recursos financeiros específicos para ampliar as políticas no estado.
Mas Zema não se preocupa com as mulheres mineiras. Pelo contrário, ele parece acreditar que a violência seria um “instinto natural do ser humano”, como ele mesmo afirmou em 2020. Para ele, a proteção de vítimas da violência doméstica não é prioridade, por isso vetou um projeto de lei sobre esse tema aprovado pela Assembleia Legislativa em 2025. De nossa parte, lançamos o abaixo-assinado Minas Contra o Feminicídio para pressionar o governador. Para assinar, basta clicar aqui. Zema é machista e sua omissão custa a nossas vidas.
Sigamos juntas pelo fim do feminicídio
No 8 de março, Dia Internacional de Luta das Mulheres, ocupamos as ruas e as redes em defesa dos nossos direitos e pelo fim da violência contra as mulheres. Em Belo Horizonte, realizamos uma manifestação que tomou o Centro da cidade, com nossa força, nossas palavras de ordem, muita arte e alegria. Diante do desafio de ampliar nossos direitos, garantir a manutenção da nossa vida, enfrentar o machismo e a extrema direita em Minas Gerais e no Brasil, que saibamos exercitar o valor da unidade e da construção coletiva. A história já nos mostrou que somos melhores quando estamos juntas.














