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Programa ‘Minas da Fé’ vai mapear igrejas, romarias e tradições religiosas em todo o estado

02/07/2026 às 14h36
(Programa foi apresentado pelo Governo de Minas Gerais nesta quinta-feira (2))

Minas Gerais terá um programa voltado ao mapeamento e à preservação do patrimônio religioso do estado. Batizada de Minas da fé, a iniciativa vai criar um inventário de igrejas, romarias, celebrações, confrarias, ex-votos e outras manifestações da religiosidade popular presentes em diferentes regiões mineiras. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (2) pelo secretário de estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira.

O programa, desenvolvido pelo governo do estado, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG) e pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), tem parceria com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – Regional Leste 2 (CNBB Leste 2).

A proposta é estruturar uma política permanente de cadastro e inventário das referências culturais ligadas à religiosidade popular em Minas Gerais, reunindo tanto bens materiais quanto manifestações imateriais presentes em diferentes regiões do estado.

Entre os bens que poderão ser catalogados estão igrejas, capelas, santuários, cruzeiros, salas de milagres, além de procissões, jubileus, romarias, novenas, folias, cantos, rezas, promessas, ex-votos e saberes tradicionais transmitidos entre gerações.

Edital vai restaurar bens históricos gratuitamente

Como parte das ações de preservação do patrimônio religioso, a Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop) também lançou o edital Imaginárias de Minas.

A iniciativa vai formar um cadastro de esculturas sacras, pinturas, livros raros, manuscritos, mapas, gravuras e outros acervos históricos e religiosos que poderão ser restaurados gratuitamente durante as atividades práticas do Curso Técnico em Conservação e Restauro da Escola de Arte Rodrigo Mello Franco de Andrade, em Ouro Preto.

Podem participar prefeituras, museus, arquivos públicos, bibliotecas, centros de memória, além de paróquias, igrejas, dioceses, irmandades e confrarias responsáveis pelos bens culturais.

As inscrições são gratuitas e estarão abertas entre esta quinta-feira (2), pelo site da Faop. O resultado final será divulgado em 23 de novembro, e os bens selecionados começarão a ser convocados para restauração a partir de dezembro.

Seis frentes de inventário

O programa será dividido em seis eixos principais de levantamento:

  • Cruzeiros, cruzes de caminho e marcos devocionais;
  • Jubileus, romarias e celebrações religiosas;
  • Presépios, lapinhas e tradições do ciclo natalino;
  • Festas e devoções marianas; Irmandades, confrarias e associações religiosas;
  • Ex-votos, votos e a cultura da promessa.

A metodologia será coordenada pelo Iepha-MG e prevê escuta das comunidades, documentação patrimonial, registros fotográficos e audiovisuais, georreferenciamento e articulação com os municípios.

Segundo o governo, o objetivo é produzir um diagnóstico inédito sobre a religiosidade popular em Minas Gerais e subsidiar futuras ações de preservação, reconhecimento, educação patrimonial e fortalecimento do turismo religioso.

Parceria com a CNBB

A construção do programa contará com o apoio da CNBB Leste 2, que fará a articulação com dioceses, paróquias, santuários e comunidades religiosas para identificar os territórios prioritários e as manifestações culturais ligadas à fé.

Também participará do processo o Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade, considerado uma das principais referências da devoção mariana em Minas Gerais.

Para o promotor Marcelo Mafra, da Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a iniciativa representa um avanço na preservação da cultura mineira.

“O Ministério Público tem entre suas atribuições a tutela do patrimônio cultural e busca, mais do que intervir diante de ameaças ou perdas, incentivar políticas públicas capazes de prevenir a ocorrência de danos. O programa Minas da Fé, ao identificar, catalogar e inventariar, representa exatamente isso: uma ação preventiva e promocional dos nossos referenciais culturais ligados às práticas religiosas. A metodologia adotada, baseada na escuta das comunidades, merece todos os aplausos possíveis: afinal, ninguém conhece melhor o valor de uma prática cultural do que seus legítimos detentores”, destacou.

Amanda Serrano

Com experiência nas principais redações de Minas, como Jornal Estado de Minas e TV Band Minas, além de atuação como assessora política, Amanda Serrano é, atualmente, repórter do Portal BHAZ. Em 2024, fez parte da equipe vencedora do Prêmio CDL/BH de Jornalismo.
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