A Justiça de Minas Gerais aceitou, nesta terça-feira (18), o pedido de insanidade mental da defesa de Paola Stefany Neto Cirino, ré por matar um casal de idosos no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte.
A decisão judicial determinou que o Instituto Médico-Legal (IML) seja acionado para realizar o exame médico-legal psiquiátrico da ré e que seja realizado com prioridade pelo fato da acusada estar presa. O processo segue suspenso até a realização da perícia.
Em nota, o advogado afirmou que recebe com confiança a determinação judicial para a realização do exame médico-legal psiquiátrico e afirma estar confiante de que a perícia técnica, conduzida de forma independente e científica, demonstrará que, no momento dos fatos, “Paola não possuía o necessário discernimento para compreender plenamente a natureza e as consequências de seus atos, circunstância que deverá ser devidamente considerada no processo”.
De acordo com o processo, há dúvida fundada sobre a saúde mental de Paola, considerando o histórico familiar de instabilidade emocional e ideação suicida relatado por uma tia, além de atendimentos psiquiátricos de urgência e no CAPS de Ribeirão das Neves. Também foram considerados o uso contínuo de medicamentos controlados, como clonazepam e quetiapina, e os prontuários médicos anexados aos autos.
Diante desses elementos, a Justiça determinou que o IML realize exame médico-legal psiquiátrico na acusada. O Ministério Público e a defesa terão três dias para apresentar questionamentos e indicar assistentes técnicos.
Relembre o caso
Segundo as investigações da Polícia Civil, Paola Stefany Neto Cirino trabalhava como diarista na casa das vítimas havia poucos dias quando cometeu o crime, em julho deste ano. O Ministério Público sustenta que ela dopou o casal com clonazepam misturado em um suco e, ao ser surpreendida durante o roubo, matou Cláudio Atala Inácio e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio com dezenas de golpes de faca. A denúncia também aponta que a suspeita tentou apagar vestígios do crime antes de deixar o imóvel.
Após os assassinatos, Paola teria usado cartões bancários das vítimas em um restaurante no Centro de Belo Horizonte, onde, segundo o MPMG, simulou transações em máquinas de cartão com a ajuda do proprietário do estabelecimento para obter dinheiro. A diarista foi presa dias depois em um hotel de Itabira, onde, de acordo com a Polícia Civil, planejava fugir do estado com o filho.
Além de Paola e do dono do restaurante, o Ministério Público também pediu o aprofundamento das investigações sobre um primo de uma das vítimas, responsável por indicar a diarista para o trabalho. A Promotoria apontou contradições e omissões no depoimento dele e solicitou o desmembramento dessa parte do caso para novas diligências da Polícia Civil.








