Familiares e amigos de Silvani Paullino de Oliveira, de 36 anos, participaram de uma caminhada, nessa quarta-feira (19) pelas ruas do bairro Funcionários, em Contagem, Região Metropolitana de Belo Horizonte, em um ato por justiça e pelo fim da onda de feminicídios que assola o país. Vestidos de branco e ainda em luto, os manifestantes levaram cartazes e fizeram um pedido de paz após o assasinato da mulher, morta pelo ex-marido enquanto trabalhava.
Segundo Vânia Maria de Souza, amiga de Silvani, o protesto busca chamar a atenção para a violência contra as mulheres. “O intuito aqui é de mostrar que a gente tá acordada, que a mulher, hoje, ela não precisa passar por violência, como a Silvani passou, mas morreu. A gente perdeu uma pessoa querida!”, afirmou.
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A caminhada teve apoio operacional da Polícia Militar e passou pela avenida Dilson de Oliveira. Em uma praça, os manifestantes deram as mãos e fizeram orações. O grupo seguiu pela avenida João César de Oliveira, uma das principais vias de Contagem. O trânsito chegou a ser interrompido por alguns instantes.
O ato terminou em frente ao Fórum de Contagem. Além de cobrar justiça pela morte de Silvani, os participantes pediram punições mais rigorosas para autores de feminicídio e violência contra mulheres.
“É um pedido de paz pelas mulheres violentadas e um pedido à Justiça também. Porque, daqui a gente vai para o Fórum e pedir, em frente ao fórum, que a justiça seja feita e que ela não seja cega. Que as mulheres violentadas, mulheres mortas, hoje, como a Silvani e a Thais, não fiquem só assim, no calado, e para nós é um pedido de paz”, completou Vânia.
Feminicídios em Contagem
Em menos de uma hora, duas mulheres foram vítimas de feminicídio em Contagem nesta semana. Silvani foi assassinada pelo ex-marido na segunda-feira (17) enquanto trabalhava no salão de beleza que mantinha no mesmo endereço onde morava. De acordo com a polícia, o suspeito chegou ao local, apagou a luz e atirou contra a vítima, que estava acompanhada da filha, de 17 anos, e de uma cliente.
Alisson Miranda Pedrosa foi preso em flagrante na terça-feira (18), em Conselheiro Lafaiete, na região Central de Minas Gerais. Com ele, a polícia encontrou uma pistola 9mm, 34 munições e o carro utilizado durante a fuga.
Além do feminicídio que motivou a caminhada, outro caso registrado no mesmo dia, em Contagem, foi o de Thaís Gonçalves, de 26 anos. O ex-namorado dela, identificado como Tiago Filgueiras, é o principal suspeito do crime. O caso foi registrado às 20h, pouco depois da morte de Silvani, no bairro Jardim dos Bandeirantes.
Conforme o relato de uma testemunha no boletim de ocorrência, Tiago chegou armado com uma faca e ameaçou o motorista do aplicativo com quem a vítima estava, ordenando que ele deixasse a região. Em seguida, passou a acompanhar Thaís. Segundo a Polícia Militar, o suspeito derrubou a mulher e desferiu vários golpes de faca contra ela. As agressões teriam terminado somente depois que a vítima parou de gritar. Na sequência, Tiago pegou uma moto e passou sobre o corpo de Thaís, antes de fugir.









