O cantor, compositor e mestre de capoeira Marquim D’Morais inicia a circulação do espetáculo ‘Muita Estrada e Pouco Chão’ com três apresentações em diferentes pontos do Aglomerado da Serra. O projeto busca reafirmar a periferia não apenas como um espaço de resistência, mas como um polo vibrante de produção artística e cultural.
O show apresenta cerca de 20 músicas que sintetizam mais de 25 anos de trajetória do artista. O setlist inclui faixas dos álbuns ‘Do Alto do Morro’ e ‘Daqui Até Onde Eu Quiser’, além de canções inéditas e singles como ‘Nas Estradas’ e ‘Ritmo é Poesia’.
A diversidade rítmica é um ponto central da obra de Marquim, que soma mais de 500 composições. “Minha obra já soma mais de 500 canções que passeiam por diversas vertentes, entre cantigas de capoeira, samba, reggae, RAP, Funk, baladas, MPB e mais”, explica o músico.
Além da música, o espetáculo intercala a sonoridade com performances e a declamação de poesias autorais. Segundo o artista, a escolha dos poemas acontece de forma orgânica durante a apresentação, influenciada pelo sentimento do momento ou pela interação com o público.
O título do projeto reflete a realidade de artistas marginalizados. Marquim define a expressão como a representação de quem percorreu um longo caminho (muita estrada), mas enfrentou a escassez de recursos, apoio e reconhecimento (pouco chão).
Convidados e coletividade
Cada show contará com aberturas realizadas por artistas e grupos da cena periférica. Estão confirmadas as participações do Coletivo Avoante, focado em literatura periférica e poesia marginal, e de Ohana, cantora e compositora da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
O coletivo As Pandeiristas, que promove o empoderamento feminino através de rodas de pandeiro em praças públicas, também integra a programação. Para Marquim, dividir o palco é uma forma de garantir que a memória cultural da periferia seja preservada por quem realmente a produz.
“Acredito no movimento de coletivizar, e assim como eu, várias pessoas estão por aí realizando, criando, e proporcionando ao mundo um pouco de saúde através da arte, da cultura, e do conhecimento, e nada mais justo que dividir cada facho de luz com essas figuras”, afirma o artista.
Trajetória e raízes
Nascido e criado no Aglomerado da Serra, Marquim D’Morais utiliza o conceito africano de Sankofa — a importância de olhar para o passado para construir o futuro — como guia para sua arte. O músico destaca com orgulho sua identidade favelada e a influência do território em sua formação.
A base musical do artista foi consolidada na capoeira, atividade que pratica desde 1999, e na passagem pela banda de reggae Kayajhama, entre 2001 e 2003. Ao longo de sua carreira, colaborou com nomes como Iaiá Drumond, Pri Glenda e Hugo Xaber.
As apresentações contam com tradução em libras e entrada gratuita.
Informações gerais
- Domingo (13/9), às 15h: Horta Comunitária Cantinho da Fazenda (rua Mangabeira da Serra, ao lado do nº 370), Aglomerado da Serra.
- Domingo (18/10), às 15h: Kilombo Manzo (rua São Tiago, nº 216, Santa Efigênia).
- Sábado (24/10), às 15h: Espaço Mulheres da Quebrada (rua Carlos Etiene de Castro, 32, Serra).










