Samuel Castro Melo, de 18 anos, suspeito de matar Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27, foi transferido do presídio de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para uma unidade prisional em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, próximo à divisa com Goiás. Segundo a defesa do jovem, a mudança ocorreu porque ele estaria sob risco de agressões de outros detentos, que acreditavam que Beatriz Vitória estava grávida. Mas, ainda segundo a defesa, a perícia teria constatado, por meio de exames, que a vítima não estava grávida.
A transferência de Samuel foi confirmada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Ele deixou Santa Luzia às 9h30 dessa quarta-feira (28), chegou a Ituiutaba no mesmo dia e seria encaminhado para uma cela nesta quinta-feira (29). O advogado de Samuel afirma que a unidade prisional de origem, localizada no bairro Palmital, é pequena e que outros presos estariam ameaçando agredir o suspeito por causa da suspeita de gravidez da jovem.
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“Ontem, eu tive acesso à perícia e foi constatado que ela não estava grávida”, declarou o advogado. A possibilidade de gravidez havia sido mencionada por familiares de Beatriz e passou a ser considerada durante as investigações.
A defesa também afirmou que aguarda o avanço das apurações para esclarecer a participação de cada um dos suspeitos. “Vamos esperar a investigação continuar, para que a Polícia Civil dê um resultado pra nós, para que eles possam identificar o que cada um deles fez, para ver a gravidade de cada um e ver o que realmente aconteceu”, disse.
O advogado da família de Beatriz Vitória disse que ainda não teve acesso ao laudo que comprova que a vítima não estava grávida.
Vídeo mostra outra suspeita com soda cáustica
Novas imagens divulgadas nessa quarta-feira (28) mostram o que seria o momento em que Carla Luíza da Silva, de 23 anos, suspeita de participação no crime, pega potes de soda cáustica em um estabelecimento comercial de Jaboticatubas, também na Grande BH.
O registro foi feito em 7 de outubro, dois dias antes do desaparecimento de Beatriz, ocorrido em 9 de outubro. Nas imagens, Carla aparece carregando vários potes do produto e veste uma camisa rosa, semelhante ao uniforme utilizado pelos funcionários do estabelecimento.
Segundo relatos de familiares, Beatriz teria sido atingida pela substância corrosiva e ingerido soda cáustica antes de morrer. O corpo da jovem foi encontrado em 21 de outubro, enterrado em uma cova em um terreno na região conhecida como Condomínio Reserva Real, também chamada de Condomínio dos Portugueses, em Jaboticatubas.
Quando foi localizada, Beatriz estava com as mãos amarradas com uma espécie de arame. Familiares relataram que um produto ácido e corrosivo havia sido jogado sobre o corpo e o rosto da vítima antes de ela ser enterrada. A substância seria a mesma que Carla aparece pegando nas imagens.
Ex-namorado e atual companheira são suspeitos
Samuel é ex-namorado de Beatriz, já Carla é a atual companheira dele. Os dois são os principais suspeitos do crime e foram presos em flagrante e tiveram as prisões convertidas em preventivas após audiência de custódia realizada em 22 de outubro.
Conforme as investigações, o crime teria sido motivado por ciúmes e desavenças entre Beatriz e Carla. Os conflitos entre as duas já vinham ocorrendo, e um dos desentendimentos teria acontecido durante a Expojabo, no dia da eleição. Samuel também teria enfrentado desavenças com a atual companheira e procurado a ex-namorada.
O corpo de Beatriz foi sepultado na sexta-feira (23), no Cemitério Municipal de Jaboticatubas. Familiares e amigos também realizaram uma carreata em homenagem à jovem.
Relembre o caso Beatriz Vitória
Beatriz desapareceu na noite de 9 de outubro, depois de sair para conversar com ocupantes de um carro que se aproximou do bar onde ela estava com três amigos, no bairro Bom Jesus, em Jaboticatubas.
Conforme o boletim de ocorrência, a jovem disse aos colegas que, se não voltasse em dez minutos, algo teria acontecido com ela. Testemunhas relataram à polícia que as pessoas que estavam no veículo insistiram para que Beatriz entrasse no carro. Depois disso, ela não foi mais vista.
Familiares e amigos participaram das buscas desde o desaparecimento, inclusive em áreas de mata. A investigação passou por equipes das delegacias de Jaboticatubas e da Regional de Santa Luzia, além da Delegacia Especializada Antissequestro (DAS), ligada ao Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp).
Durante as apurações, familiares também relataram que Beatriz teria sido agredida pelo ex-namorado durante o relacionamento, que durou cerca de dois meses. Após o término, a irmã mais nova da jovem teria recebido mensagens ameaçadoras enviadas por um perfil falso no Instagram.
A Polícia Civil investiga as circunstâncias do crime e a participação de cada um dos suspeitos.









