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Fim da escala 6×1 pode exigir contratação de 20% mais funcionários na indústria, diz Fiemg

29/10/2026 às 12h24 - Atualizado em 29/10/2026 às 12h39
Indústria
Fiemg discute impacto do fim da escala 6x1 na indústria (Wilson Dias/Agência Brasil)

A indústria poderá precisar contratar até 20% mais trabalhadores para manter o mesmo nível de produção com as mudanças na jornada de trabalho. A estimativa foi apresentada pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, nesta quinta-feira (29), durante coletiva de imprensa em Belo Horizonte.


Segundo Roscoe, o impacto tende a ser maior em segmentos que operam continuamente, com máquinas e equipamentos funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana. Nesses casos, a redução da jornada exige reorganizar os turnos e ampliar as equipes para manter a operação.

“Na hora que você simula escala e jornada, no setor industrial, a maioria vai cair já para uma escala de 38 ou 40 horas. […] O que a gente tem visto aqui, em muitas alternativas, é um aumento de 20% de pessoas para se produzir a mesma coisa com o mesmo tempo”, afirmou.

O presidente da Fiemg também alertou para a dificuldade de encontrar e treinar profissionais em prazo curto, já que a nova regra começa a valer em dezembro deste ano. Na avaliação dele, o aumento do número de funcionários pode elevar os custos de produção e pressionar os preços.

Entidade defende mais prazo para adaptação

A mudança na jornada foi promulgada pelo Congresso Nacional em outubro e prevê dois dias de descanso semanal, com redução gradual do limite de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. A implementação começa em dezembro de 2026, com a primeira etapa da transição.

Para a Fiemg, no entanto, o prazo é curto para que as indústrias as adaptem ao novo formato. Segundo o presidente da entidade, Flávio Roscoe, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) deliberou sobre a solicitação de prorrogação dos prazos ou de flexibilização das penalidades para empresas que não conseguirem cumprir as novas exigências a tempo.

O assunto foi discutido em reunião da CNI na terça-feira (27), de acordo com Roscoe, que participou do encontro. Ele afirmou que o cronograma atual deixa pouco tempo para adequações, especialmente diante da necessidade de reorganizar jornadas e atualizar sistemas de faturamento.

Roscoe afirmou que a mudança na jornada exige reorganização das escalas e, em alguns casos, negociação de convenções coletivas com os sindicatos. “Na minha percepção, o prazo que se deu para que essas coisas entrassem em vigor foi muito exíguo”, afirmou.

Amanda Serrano

Com experiência nas principais redações de Minas, como Jornal Estado de Minas e TV Band Minas, além de atuação como assessora política, Amanda Serrano é, atualmente, repórter do Portal BHAZ. Em 2024, fez parte da equipe vencedora do Prêmio CDL/BH de Jornalismo.
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Email: amanda.camini@bhaz.com.br

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