O aumento dos custos de produção com as mudanças na jornada de trabalho e a reforma tributária pode pressionar a competitividade de empresas brasileiras, especialmente daquelas que concorrem com produtos importados. A avaliação é do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, que participou de uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (29), em Belo Horizonte.
Segundo Roscoe, o aumento dos custos com as mudanças na jornada de trabalho e a reforma tributária pode fazer com que algumas empresas gastem mais para produzir sem conseguir aumentar o faturamento na mesma proporção. Nesses casos, a operação pode deixar de ser financeiramente viável, especialmente quando a concorrência dificulta o reajuste dos preços.
“Tem alguns segmentos que vão ficar com o custo adicional que vão ter com a 6×1, até mesmo com a reforma tributária, que vai tornar a operação dele negativa, a menos que ele consiga repassar o preço”, afirmou.
O presidente da Fiemg argumentou que a concorrência internacional dificulta esse repasse. “Muitos não vão conseguir repassar, porque já sabem que o seu concorrente na China não teve aumento de nada”, disse.
Roscoe também criticou as diferenças nas jornadas de trabalho entre os dois países e afirmou que a produção e os empregos brasileiros podem ser prejudicados diante desse cenário.
“A jornada na China continuou 72 horas para o setor industrial, e eles agradecem. […] Os nossos empregos estão indo para lá, a nossa riqueza está indo para lá”, declarou.
Para o dirigente, as empresas terão de avaliar se conseguem absorver os custos adicionais ou se será necessário rever preços e operações. Segundo ele, alguns negócios podem concluir que não têm mais condições de continuar funcionando.










