A indústria poderá precisar contratar até 20% mais trabalhadores para manter o mesmo nível de produção com as mudanças na jornada de trabalho. A estimativa foi apresentada pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, nesta quinta-feira (29), durante coletiva de imprensa em Belo Horizonte.
Segundo Roscoe, o impacto tende a ser maior em segmentos que operam continuamente, com máquinas e equipamentos funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana. Nesses casos, a redução da jornada exige reorganizar os turnos e ampliar as equipes para manter a operação.
“Na hora que você simula escala e jornada, no setor industrial, a maioria vai cair já para uma escala de 38 ou 40 horas. […] O que a gente tem visto aqui, em muitas alternativas, é um aumento de 20% de pessoas para se produzir a mesma coisa com o mesmo tempo”, afirmou.
O presidente da Fiemg também alertou para a dificuldade de encontrar e treinar profissionais em prazo curto, já que a nova regra começa a valer em dezembro deste ano. Na avaliação dele, o aumento do número de funcionários pode elevar os custos de produção e pressionar os preços.
Entidade defende mais prazo para adaptação
A mudança na jornada foi promulgada pelo Congresso Nacional em outubro e prevê dois dias de descanso semanal, com redução gradual do limite de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. A implementação começa em dezembro de 2026, com a primeira etapa da transição.
Para a Fiemg, no entanto, o prazo é curto para que as indústrias as adaptem ao novo formato. Segundo o presidente da entidade, Flávio Roscoe, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) deliberou sobre a solicitação de prorrogação dos prazos ou de flexibilização das penalidades para empresas que não conseguirem cumprir as novas exigências a tempo.
O assunto foi discutido em reunião da CNI na terça-feira (27), de acordo com Roscoe, que participou do encontro. Ele afirmou que o cronograma atual deixa pouco tempo para adequações, especialmente diante da necessidade de reorganizar jornadas e atualizar sistemas de faturamento.
Roscoe afirmou que a mudança na jornada exige reorganização das escalas e, em alguns casos, negociação de convenções coletivas com os sindicatos. “Na minha percepção, o prazo que se deu para que essas coisas entrassem em vigor foi muito exíguo”, afirmou.










