O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo, discutiu a situação do Rodoanel da Região Metropolitana de Belo Horizonte durante uma visita ao Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), nesta quinta-feira (29). No encontro com o presidente do tribunal, desembargador federal Ricardo Rabelo, o futuro chefe do Executivo mineiro manifestou disposição para contribuir com a construção de uma solução consensual para o empreendimento.
Segundo o TRF-6, Rabelo informou que já está em andamento um processo de negociação para buscar um entendimento sobre o projeto. A proposta considera os impactos ambientais e as possíveis consequências para a população afetada pela obra.
A visita também contou com a presença do vice-governador eleito, Luis Eduardo Falcão, e de integrantes da futura equipe de governo. O encontro teve caráter institucional e incluiu uma apresentação sobre a atuação da Justiça Federal em Minas Gerais.
Impasse judicial envolve comunidades quilombolas
O impasse em torno do Rodoanel começou em outubro de 2025, quando a Justiça Federal em Minas Gerais suspendeu a licença prévia concedida pelo governo estadual à empresa italiana INC S.p.A. para a construção da rodovia. A decisão atendeu a um pedido da Federação das Comunidades Quilombolas em Minas Gerais e da Prefeitura de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Na ocasião, o juiz apontou a falta de consulta prévia às comunidades tradicionais e quilombolas diretamente afetadas pelo empreendimento. Ao menos dez comunidades poderiam ser impactadas pelo traçado, entre elas Pinhões, Arturos, Marinhos e Mangueiras.
A decisão considerou que o direito à consulta é garantido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O questionamento apresentado pelas comunidades não era contrário à construção do Rodoanel em si, mas à ausência de participação no processo de licenciamento.
Rodoanel terá mais de 100 quilômetros
O projeto prevê mais de 100 quilômetros de rodovia, divididos em quatro alças: Norte, Oeste, Sudoeste e Sul. O traçado passa por 11 municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte: Sabará, Santa Luzia, Vespasiano, São José da Lapa, Pedro Leopoldo, Ribeirão das Neves, Contagem, Betim, Belo Horizonte, Ibirité e Nova Lima.
A proposta do governo estadual é que a rodovia funcione como alternativa para o tráfego de veículos pesados, retirando caminhões da área urbana de Belo Horizonte e reduzindo a circulação no Anel Rodoviário.
O contrato de concessão foi assinado em 2023 com a empresa italiana INC S.p.A., responsável pela construção e administração da via.








