A cantora e compositora mineira Mari Q Lima apresenta no dia 17 de novembro seu álbum de estreia, ‘Aonde Aponta o Sentido’, uma narrativa musical sobre transformações pessoais. O disco reúne dez canções autorais que abordam temas como rupturas afetivas, vínculos familiares e a busca por autonomia. O trabalho, produzido por Rafa Dutra, chega às plataformas digitais já nesta quarta-feira (4) e o disco será apresentado pela primeira vez ao vivo em um show na Casa Outono.
Para a artista, o projeto funciona como um registro de sua própria reconstrução após enfrentar o fim de um casamento de dez anos e a maternidade precoce, culminando na descoberta de novas formas de amar e na assunção de um relacionamento homoafetivo.
A sonoridade e as influências
O violão de nylon de Mari é o elemento central que costura as dez faixas. A sonoridade transita entre a MPB, o pop latino e a música alternativa, incorporando tambores mineiros e elementos do cancioneiro popular regional, remetendo às memórias de infância da artista com a moda de viola.
A produção musical de Rafa Dutra funde as referências de Mari — como Lenine, Tom Zé, Los Hermanos e Jorge Drexler — com influências do produtor, a exemplo de Radiohead e Kings of Convenience.
Um exemplo dessa diversidade está na faixa de abertura, ‘Afeto’, que inicia com a base do blues para evoluir para uma atmosfera onírica com beats e elementos cósmicos.
O conceito da ‘Montanha Sagrada’
A estrutura do álbum não foi planejada previamente, mas surgiu de forma intuitiva durante as gravações. O conceito final foi consolidado após Mari entrar em contato com o filme ‘A Montanha Sagrada’, de Alejandro Jodorowsky, vendo o disco como uma jornada de transformação.
“Eu fui sentindo quais canções estavam pedindo para ser gravadas. Algumas saíram do processo porque simplesmente não funcionavam naquele contexto. Quando olhei para o que tínhamos feito, só então consegui enxergar um sentido naquela escolha e visualizar o conceito do álbum”, explica a cantora.
Mari também destaca o papel da música como ferramenta terapêutica: “A música sempre foi uma ferramenta de elaboração do mundo para mim, com efeitos meditativos. Muitas composições nasceram de maneira intuitiva, deixando as palavras surgirem e as notas me guiarem”.
A jornada das faixas
As músicas foram organizadas para criar um arco dramático que leva o ouvinte da inocência à maturidade. O percurso inicia com a investigação de ilusões em “Afeto” e passa por reflexões sobre heranças familiares em ‘Amor Que Nos Mantém’.
A maternidade é tema central em ‘Ritos de Crescer’, onde a artista reflete sobre a vulnerabilidade de educar filhos enquanto ela própria continua amadurecendo. Já a faixa ‘La Loba’, inspirada no livro ‘Mulheres que Correm com os Lobos’, evoca a autonomia e a intuição feminina.
O disco encerra com ‘Você Me Pediu uma Canção de Amor’, que celebra a possibilidade de construir relações mais conscientes. “Acho que o fechamento do álbum é isso: abrir o horizonte para uma nova fase, um futuro possível e desejado”, define Mari.
Informações gerais
- Lançamento digital: 4 de novembro de 2026 — Disponível nas plataformas de streaming.
- Show de lançamento: 17 de novembro de 2026, na Casa Outono.










