Já faz mais de um ano o início do último grande processo de Guerra de Israel contra a Palestina. Sob o pretexto de um enfrentamento ao grupo “Hamas”, que controla o Estado Palestino, está em curso no mundo um verdadeiro genocídio de um povo, visando a “limpeza étnica” de um território. Tanto é que, nesse meio tempo, de acordo com dados da ONU (Organização das Nações Unidas), cerca de 70% dos palestinos mortos foram mulheres e crianças e, de acordo com o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), são mais de 50 mil crianças vítimas. Além de todo o cenário de fome que está submetida a população palestina, com bloqueios, feitos por Israel, para impedir a entrada de alimentos na Faixa de Gaza, principal território palestino.
No mês de Junho deste ano, ficou internacionalmente conhecido o caso do navio Madleen, que levava ajuda humanitária (como alimentos e medicamentos), com um brasileiro presente, visando quebrar o bloqueio naval, que foi interceptado por Israel e não conseguiu finalizar a missão.
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, que conta com um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional por ter cometido crimes de guerra, já deu diversas declarações que seu projeto é expulsar todos os palestinos da Faixa de Gaza para ocupar o território. Diversos Chefes de Estados, como nosso presidente Lula, já deram declarações pedindo paz e o fim do genocídio do povo palestino.
Foi nesse contexto que, também em Junho, o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), junto com prefeitos e vice-prefeitos de outras cidades do Brasil aceitou o convite para participar de um evento em Israel para debater modelos e exemplos de segurança pública. Estiveram com ele, Cícero Lucena (PP), de João Pessoa (PB); Claudia Lira (Avante), vice-prefeita de Goiânia (GO), Johnny Maycon (PL), de Nova Friburgo (RJ), Janete Aparecida (), vice-prefeita de Divinópolis, e Vanderlei Pelizer (PL), vice-prefeito de Uberlância (MG).
Acredito que, diante dos vários desafios que temos em relação ao tema da segurança pública em Belo Horizonte, definitivamente não são os modelos usados em Israel, que servem principalmente a uma segurança altamente militarizada e construída para guerras contra o povo palestino, que irá servir a nossa cidade. Isso por si só, já seria suficiente para o convite ser negado.
No entanto, tudo fica ainda pior quando, no início deste mês, foi publicado no Diário Oficial do Município que a viagem teve um custo de R$ 23,5 mil, pago pela prefeitura. Vale lembrar que em todas as declarações dadas pelo prefeito e na resposta da prefeitura ao pedido de informação sobre a viagem que os vereadores protocolaram na Câmara, foi afirmado que a viagem não teria nenhum gasto público.
Nos relatórios da prefeitura, consta a informação de que os objetivos da viagem foram cumpridos, mesmo ela tendo sido interrompida por bombardeios no país e o prefeito ter passado praticamente todo o tempo em um bunker. Questiono quais objetivos seriam estes e espero que a prefeitura e a secretaria de segurança pública não nos surpreenda com propostas exportadas do Estado que hoje mais mata crianças e mulheres no mundo. Belo Horizonte não precisa da “inteligência” israelense, e sim de uma segurança humanitária que foque na prevenção de crimes, combinada com investimentos em áreas sociais.














