Segundo turno para governador já pinta no horizonte entre Kalil e Zema

Romeu Zema Alexandre Kalil
Zema e Kalil emergiram das urnas municipais como pré-candidatos a governador em situações antagônicas (Henrique Coelho/BHAZ + Amira Hissa/PBH)
coluna orion

A pesquisa do instituto mineiro Quaest é a primeira a detectar as mudanças no cenário estadual, especialmente após a entrada do senador Carlos Viana (PL), como candidato de Bolsonaro. Claro, reflete também declarações e fatos envolvendo o processo eleitoral, enfim, o movimento eleitoral.

Nesse intervalo, é importante acompanhar as alterações do quadro. E a principal delas até o momento é o crescimento de Kalil, que saiu de 27 para 30% (margem de erro de 2,5 pontos percentuais), enquanto Zema se mantém estável na liderança com 41%. Não caiu mas também não cresceu.

E outra mudança registrada foi o crescimento do senador Carlos Viana (PL), que saiu de  6 para 9%. São pequenas alterações, mas no somatório geral permite ver no horizonte a possibilidade de uma segunda disputa, um segundo turno entre os dois primeiros colocados, no caso, até o momento, entre Zema e Kalil.

Indicadores favorecem

Outros dados vão dando mais sinais de que favorecem esse possível cenário. Kalil conquistou essa posição apesar de ainda ser muito desconhecido no interior mineiro; mais de 30% não sabem dele. Ou seja, tem espaço para crescer à medida que aparecer mais no interior, onde é maior esse grau de desconhecimento. Onde é bem conhecido, por exemplo, em BH e Grande BH, ele vence Zema.

E mais, quando seu nome é associado a Lula, Kalil salta para o primeiro lugar, de 27% para 43%; Já Zema, quando é associado ao seu candidato oficial, do partido Novo, Felipe Dávila, cai de 41 para 22%; e Carlos Viana, quando associado a Bolsonaro, vai de 9% para 16%, quase empatando com Zema.

A favor do governador, tem o fato de ser bem avaliado, tanto no interior quanto na capital. Ele tem praticamente a mesma avaliação como candidato, ou seja, 42% consideram sua gestão como positiva. É o que o mantém na liderança. Ele precisa segurar essa avaliação, que é o seu principal trunfo e patrimônio, durante a campanha, nos debates, nos ataques e contra-ataques, réplicas e tréplicas. É bom apertar o cinto; turbulências vêm aí.

A Genial/Quaest ouviu 1.480 eleitores entre 7 e 10 de maio, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada junto à Justiça Eleitoral e protocolada sob os números MG-00132/2022.

Viana sobe sozinho no telhado

O pré-candidato a governador do PL, senador Carlos Viana, admitiu que pode deixar a disputa, se o presidente Bolsonaro quiser, para não afetar o pré-candidato Romeu Zema (Novo). Viana admitiu que não é candidato a governador de Minas, mas apenas candidato de Bolsonaro, do mesmo partido.

“Se o presidente entender, lá na frente, que o caminho é unificar a direita em uma candidatura só, e, pelos números, que o atual governador é o caminho, claro, não vou em momento algum ser contrário a uma decisão partidária”, pontuou Carlos Viana em entrevista à Folha de SP.

Campanha contra o falso 2

É falsa a informação de que a Justiça Eleitoral está cancelando os títulos de pessoas com mais de 70 anos para impedir que elas participem das Eleições 2022. Trata-se de mais um episódio de desinformação, que já foi esclarecido pelo TSE, por diversas agências de checagem e nas redes sociais do TRE-MG.

O voto para pessoas a partir dos 70 anos é facultativo. A regra está prevista no artigo 14, parágrafo 1º, inciso II, alínea “b”, da Constituição Federal. Por isso, esses eleitores não são obrigados a votar nem a justificar a ausência às urnas.

Sem penalidades para 70 anos

A ausência na votação e a falta de justificativa também não vão gerar multa para os cidadãos a partir dos 70 anos nem impedi-los de obter passaporte ou carteira de identidade. E mais, de inscrever-se em concurso ou prova para cargo ou função pública e, neles, ser investido ou empossado.

Nem ficam impedidos de fazer ou renovar matrícula em estabelecimento de ensino oficial ou fiscalizado pelo governo; receber remuneração de função ou emprego público.

É importante esclarecer que o título de eleitor de 70 anos ou mais é cancelado quando acontece revisão do eleitorado na cidade em que está registrado e ele não comparece a essa revisão no prazo.

É o caso de quem tem domicílio eleitoral nas 259 cidades mineiras onde já aconteceu a revisão biométrica, mas não foi ao cartório cadastrar a biometria. Atualmente, a coleta da biometria está suspensa em todo o Brasil, por causa da pandemia de covid-19. (com informações da Ascom/TRE-MG)

Orion Teixeiraorionteixeira.orionteixeira@gmail.com

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem.

É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

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