Às vezes fico reflexiva tentando entender o conceito de patriotismo da família Bolsonaro. Durante anos, ouvimos discursos inflamados sobre patriotismo, amor à bandeira e combate à interferência estrangeira. Mas basta surgir uma oportunidade de agradar Donald Trump que todo esse patriotismo parece desaparecer da noite para o dia.
Agora, o governo dos Estados Unidos impôs uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Mais uma vez, quem vai pagar a conta não é a família Bolsonaro. São os trabalhadores, os produtores rurais, a indústria, o setor têxtil, o setor calçadista, os exportadores e milhares de famílias que dependem desses empregos.
Lá vamos nós de novo. O mais curioso é que a justificativa para essa escalada comercial tem cada vez menos cara de economia e cada vez mais cara de política. A própria investigação aberta pelos Estados Unidos veio acompanhada de declarações sobre o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Não se trata apenas de comércio. É uma pressão política internacional com consequências econômicas reais para o Brasil.
E, diante disso, o que fazem alguns dos autoproclamados patriotas? Comemoram. Aplaudem. Torcem para que a pressão aumente. Como se prejudicar o próprio país fosse um detalhe quando o objetivo é proteger um grupo político.
O caso do Pix talvez seja o símbolo mais absurdo dessa história. Um sistema criado no Brasil, utilizado por milhões de brasileiros diariamente e que se tornou referência internacional passou a ser tratado como um problema. Se continuar nesse ritmo, não duvido que apareça alguém defendendo o fim do Pix para não desagradar Trump.
Parece exagero? Há poucos anos também pareceria exagero imaginar políticos brasileiros fazendo lobby no exterior contra interesses econômicos do próprio país.
A pergunta que fica é simples: quando uma tarifa ameaça empregos brasileiros, quando setores inteiros da economia podem ser prejudicados e quando a soberania nacional passa a ser negociada em função dos interesses de outro governo, quem está defendendo o Brasil?
Porque patriotismo não pode ser apenas um slogan estampado numa camisa amarela. Patriotismo é defender os interesses nacionais mesmo quando isso contraria aliados políticos. É proteger empregos brasileiros. É defender a economia brasileira. É colocar o país acima de projetos pessoais.
Do contrário, não estamos falando de patriotas. Estamos falando de traidores da pátria, espécime bem descrita por Ulysses Guimarães. A eles, sobrará o rodapé da história do nosso grande país.










