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Os impactos silenciosos do ‘Super El Niño’ na nossa saúde

24/06/2026 às 13h48
‘Super El Niño’ esta previsto para os próximos meses
‘Super El Niño’ esta previsto para os próximos meses. (IMAGEM ILUSTRATIVA: Pixabay/Reprodução)

Quando ouvimos falar sobre o El Niño, o fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, costumamos focar somente nos impactos meteorológicos: secas severas em algumas regiões, tempestades e inundações em outras. Mas, eventos como esses podem gerar efeitos muito além dos estruturais e atingir diretamente a nossa saúde. Quando toma proporções de um “Super El Niño”, como está previsto para os próximos meses, a preocupação e os cuidados devem ser redobrados.

O  El Niño convencional aquece as águas entre +0,5°C e +2,0°C acima da média histórica enquanto o Super El Niño ocorre quando esse aumento de temperatura ultrapassa a marca de +2,0°C (podendo chegar a valores superiores a +2,5°C), isto é, super aquecimento das águas no oceano. Os impactos desses fenômenos em Minas Gerais devem ser ondas de calor intensas, atraso no período chuvoso e temporais severos com alta concentração de água. Como o nosso estado fica em uma região de transição geográfica, os efeitos podem variar nas diferentes regiões mineiras.

As oscilações drásticas de temperatura e umidade funcionam como um acelerador de riscos à saúde humana, então é muito importante prevenir-se contra este fenômeno que vai atingir todo o nosso planeta.

Os riscos

Dengue, Zika e Chikungunya: o calor acelerado diminui o tempo de ciclo de reprodução de mosquitos como o Aedes aegypti. Além disso, nas áreas chuvosas, o acúmulo de água multiplica os criadouros. Nas áreas de seca, o armazenamento improvisado e incorreto de água pela população pode gerar o mesmo problema.

Leptospirose e Gastroenterites: enchentes frequentes aumentam a exposição à urina de roedores na água e na lama, além de contaminarem as redes de água potável, elevando surtos de diarreia infecciosa.

Infartos e AVCs: sob temperaturas muito altas, o corpo sofre vasodilatação severa e o suor excessivo causa desidratação rápida. O sangue torna-se mais viscoso, aumentando a pressão arterial e fazendo com que o coração trabalhe mais, o que aumenta o risco de coágulos, arritmias e acidentes vasculares.

Insuficiência Renal: a falta de hidratação adequada sob calor severo sobrecarrega os rins, gerando quadros agudos de falha renal, especialmente em idosos.

Nas regiões castigadas pela estiagem prolongada, o ar seco retém poluentes e poeira em suspensão na atmosfera. Isso atua como um gatilho imediato para crises de asma, bronquite, bronquiolite (em bebês) e quadros severos de influenza.

Pequenas mudanças de hábito são essenciais

Hidratação rigorosa e monitorada: não espere sentir sede para beber água. Idosos e crianças perdem a sensibilidade da sede mais rápido. Monitore a cor da urina (ela deve estar clara). Evite o excesso de bebidas alcoólicas e cafeína, que aceleram a desidratação.

Adequação de horários ao ar livre: evite atividades físicas intensas ao ar livre entre 10h e 16h. Em dias de umidade muito baixa, utilize umidificadores de ar ou toalhas molhadas nos quartos e abuse do soro fisiológico para lavagem nasal.

Inspeção doméstica semanal: tire 10 minutos por semana para checar calhas, pratos de vasos de plantas e tampar hermeticamente caixas d’água ou baldes e tambores de reserva de água. Lembre-se: o calor faz o mosquito se desenvolver muito mais rápido.

Cuidados com alimentos e água: em locais afetados por enchentes ou desabastecimento, consuma apenas água filtrada ou fervida. Lave muito bem frutas e verduras. Com o calor extremo, alimentos estragam na metade do tempo; evite consumi-los fora de casa se duvidar da refrigeração.

Para quem quiser se aprofundar no assunto deixo uma listinha de consulta:

Pablo Nogueira

Pablo Nogueira é jornalista, formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH), com mestrado em Comunicação pela UFMG. Tem passagens pela Rádio Itatiaia, Rádio BandNews, Rede Minas, TV Alterosa, governo do estado, Agência Minas e Centro de Comunicação da Universidade Federal de Minas. Venceu os prêmios de jornalismo CDL, em 2024, MOL, em 2023, e Amagis, em 2022, além de ter sido finalista dos prêmios ABMES, em 2023, CDL, em 2022 e 2023, e C6 Bank, em 2022. É editor do BHAZ.
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Viviane Alves

Email: [email protected]

Professora da UFMG

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