Quem vive em Belo Horizonte conhece bem o nosso clima. Basta o outono avançar para as manhãs e noites ficarem mais frias; aquele ventinho gelado começa a circular pela cidade e, logo em seguida, as UPAs e hospitais começam a encher. Essa também é a época de maior circulação dos vírus respiratórios, e já acendeu um sinal de alerta vermelho na capital mineira: a nossa cobertura vacinal contra a gripe está preocupantemente baixa.
Muitas vezes, a pressa do dia a dia ou a falsa sensação de segurança nos fazem adiar a ida ao posto de saúde. “Ah, é só uma gripezinha”, pensam alguns. “Vacina é só para idosos e crianças”, acham outros. Mas, a realidade é que a vacinação contra Influenza (gripe) é uma necessidade vital para TODOS NÓS!
O perigo invisível em cada fase da vida
A gripe não é um resfriado comum (resfriado é causado por outros vírus). Ela é uma doença aguda do sistema respiratório provocada pelo vírus Influenza, com alto potencial transmissão entre pessoas e, infelizmente, de complicações graves que levam à morte.
- Nas crianças o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento. Nelas a gripe pode evoluir rapidamente para otites severas, sinusites e pneumonia, levando a internações que poderiam ser evitadas.
- Nas pessoas jovens e adultos saudáveis, embora muitos passem pela doença sem precisar de hospitalização, são os que mais circulam pela cidade — no Move, no metrô, nos escritórios e faculdades. Quando um jovem recusa a vacina, ele se torna um vetor, ou seja, ele pode levar o vírus para dentro de casa, infectando pais, avós ou um colega de trabalho com a saúde mais vulnerável. Além disso, a gripe severa derruba a produtividade e afasta as pessoas de suas rotinas do dia a dia.
- Nos idosos e doentes crônicos, principalmente para quem tem mais de 60 anos, diabetes, hipertensão ou problemas cardíacos, a vacina é, literalmente, um escudo que salva vidas. O vírus da gripe nestas pessoas é uma das maiores causas de morte. Em 2025, o Brasil registrou 11.777 mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Dentre os óbitos com confirmação laboratorial, 50% foram causados pelo vírus Influenza A (gripe) e 23,2% pela covid-19. No mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima de 290 mil a 650 mil mortes anuais relacionadas à gripe (Fonte – Infogripe).
Como as vacinas são feitas?
Para perder o medo de vez, vale a pena entender como os cientistas produzem as vacinas para proteger o nosso corpo. O objetivo de qualquer vacina é o mesmo: apresentar o inimigo (vírus) ao nosso sistema de defesa (células de defesa e anticorpos) para que ele aprenda a se defender antes de a doença de verdade aparecer. Mas a forma como esse inimigo é apresentado para o nosso organismo muda de acordo com o tipo de vacina:
- Vacinas de vírus vivo atenuado: O vírus está vivo, mas foi enfraquecido em laboratório. Ele não consegue causar a doença em pessoas saudáveis, mas estimula uma defesa muito forte. Exemplos: vacina contra o sarampo, caxumba e rubéola (tríplice viral).
- Vacinas de vírus fragmentado ou de subunidades (partes do vírus): Em vez de colocar o vírus inteiro, os cientistas usam apenas pequenos pedaços dele — por exemplo, as proteínas da superfície do vírus que o nosso corpo usa para identificá-lo. É como mostrar apenas a “foto da fachada” do vírus para o sistema imunológico.
- Vacinas de vírus inativado (vírus morto): O vírus é totalmente destruído por calor ou produtos químicos. Ele perde completamente a capacidade de se multiplicar ou causar qualquer dano ao nosso corpo, e o vírus morto serve apenas como um modelo para treinar nossa imunidade a combater a ameaça real.
A vacina atual da gripe
A vacina contra a gripe distribuída gratuitamente pelo SUS em Belo Horizonte é uma vacina inativada (com o vírus totalmente morto e fragmentado). Isso significa que a tecnologia usada nas campanhas de vacinação de todo o Brasil é uma das mais seguras do mundo. Como o vírus está completamente sem vida e “despedaçado”, é biologicamente impossível que a vacina cause gripe em alguém.
O que algumas pessoas sentem após a aplicação — como uma leve dor no braço, febre baixa ou corpo mole — não é a doença, mas sim a resposta do próprio organismo trabalhando e criando os anticorpos que vão te proteger no inverno contra o Influenza que vai chegar. Além disso, ela é uma vacina trivalente, atualizada todos os anos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com as três cepas do vírus que mais estão circulando no momento.
O poder e essencialidade da imunidade coletiva
Quando a cobertura vacinal cai todos nós ficamos vulneráveis. A matemática da saúde pública é simples: quanto mais pessoas vacinadas, menor é a circulação do vírus nas ruas das nossas cidades.
Vacinar-se não é apenas um ato de autocuidado, é um pacto de cidadania e afeto. É proteger o filho pequeno que ainda não tem a idade para todas as doses, é blindar o vizinho idoso e garantir que os hospitais da capital tenham leitos disponíveis para quem realmente precisar de urgência.
Procure o posto mais próximo e proteja quem você ama: Os centros de saúde de Belo Horizonte estão abastecidos e prontos para receber a população. A vacina da Influenza é segura, gratuita, rápida e atualizada.
Não espere o inverno apertar ou alguém da sua família adoecer para tomar uma atitude. Deixe o braço pronto, passe no posto de saúde mais próximo e faça a sua parte. BH precisa de todo mundo protegido. Vacinar é um gesto de respeito pela sua vida e pela vida de quem compartilha a cidade com você









