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Colunas

Por que você precisa se vacinar contra a gripe agora?

26/05/2026 às 12h30 - Atualizado em 26/05/2026 às 15h19
vacinação gripe bh
(Adão de Souza/PBH)

Quem vive em Belo Horizonte conhece bem o nosso clima. Basta o outono avançar para as manhãs e noites ficarem mais frias;  aquele ventinho gelado começa a circular pela cidade e, logo em seguida, as UPAs e hospitais começam a encher. Essa também é a época de maior circulação dos vírus respiratórios, e já acendeu um sinal de alerta vermelho na capital mineira: a nossa cobertura vacinal contra a gripe está preocupantemente baixa.

Muitas vezes, a pressa do dia a dia ou a falsa sensação de segurança nos fazem adiar a ida ao posto de saúde. “Ah, é só uma gripezinha”, pensam alguns. “Vacina é só para idosos e crianças”, acham outros. Mas, a realidade é que a vacinação contra Influenza (gripe) é uma necessidade vital para TODOS NÓS!

O perigo invisível em cada fase da vida

A gripe não é um resfriado comum (resfriado é causado por outros vírus). Ela é uma doença aguda do sistema respiratório provocada pelo vírus Influenza, com alto potencial transmissão entre pessoas  e, infelizmente, de complicações graves que levam à morte.

  • Nas crianças o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento. Nelas a  gripe pode evoluir rapidamente para otites severas, sinusites e pneumonia, levando a internações que poderiam ser evitadas.
  • Nas pessoas jovens e adultos saudáveis,  embora muitos passem pela doença sem precisar de hospitalização, são os que mais circulam pela cidade — no Move, no metrô, nos escritórios e faculdades. Quando um jovem recusa a vacina, ele se torna um vetor, ou seja, ele pode levar o vírus para dentro de casa, infectando pais, avós ou um colega de trabalho com a saúde mais vulnerável. Além disso, a gripe severa derruba a produtividade e afasta as pessoas de suas rotinas do dia a dia.
  • Nos idosos e doentes crônicos, principalmente para quem tem mais de 60 anos, diabetes, hipertensão ou problemas cardíacos, a vacina é, literalmente, um escudo que salva vidas. O vírus da gripe nestas pessoas é uma das maiores causas de morte. Em 2025, o Brasil registrou 11.777 mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Dentre os óbitos com confirmação laboratorial, 50% foram causados pelo vírus Influenza A (gripe) e 23,2% pela covid-19. No mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima de 290 mil a 650 mil mortes anuais relacionadas à gripe (Fonte – Infogripe). 

Como as vacinas são feitas?

Para perder o medo de vez, vale a pena entender como os cientistas produzem as vacinas para proteger o nosso corpo. O objetivo de qualquer vacina é o mesmo: apresentar o inimigo (vírus) ao nosso sistema de defesa (células de defesa e anticorpos) para que ele aprenda a se defender antes de a doença de verdade aparecer. Mas a forma como esse inimigo é apresentado para o nosso organismo muda de acordo com o tipo de vacina:

  • Vacinas de vírus vivo atenuado: O vírus está vivo, mas foi enfraquecido em laboratório. Ele não consegue causar a doença em pessoas saudáveis, mas estimula uma defesa muito forte. Exemplos: vacina contra o sarampo, caxumba e rubéola (tríplice viral).
  • Vacinas de vírus fragmentado ou de subunidades (partes do vírus): Em vez de colocar o vírus inteiro, os cientistas usam apenas pequenos pedaços dele — por exemplo, as proteínas da superfície do vírus que o nosso corpo usa para identificá-lo. É como mostrar apenas a “foto da fachada” do vírus para o sistema imunológico.
  • Vacinas de vírus inativado (vírus morto): O vírus é totalmente destruído por calor ou produtos químicos. Ele perde completamente a capacidade de se multiplicar ou causar qualquer dano ao nosso corpo, e o vírus morto serve apenas como um modelo para treinar nossa imunidade a combater a ameaça real.

A vacina atual da gripe

A vacina contra a gripe distribuída gratuitamente pelo SUS em Belo Horizonte é uma vacina inativada (com o vírus totalmente morto e fragmentado). Isso significa que a tecnologia usada nas campanhas de vacinação de todo o Brasil é uma das mais seguras do mundo. Como o vírus está completamente sem vida e “despedaçado”, é biologicamente impossível que a vacina cause gripe em alguém.

O que algumas pessoas sentem após a aplicação — como uma leve dor no braço, febre baixa ou corpo mole — não é a doença, mas sim a resposta do próprio organismo trabalhando e criando os anticorpos que vão te proteger no inverno contra o Influenza que vai chegar. Além disso, ela é uma vacina trivalente, atualizada todos os anos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com as três cepas do vírus que mais estão circulando no momento.

O poder e essencialidade da imunidade coletiva

Quando a cobertura vacinal cai todos nós ficamos vulneráveis. A matemática da saúde pública é simples: quanto mais pessoas vacinadas, menor é a circulação do vírus nas ruas das nossas cidades.

Vacinar-se não é apenas um ato de autocuidado, é um pacto de cidadania e afeto. É proteger o filho pequeno que ainda não tem a idade para todas as doses, é blindar o vizinho idoso e garantir que os hospitais da capital tenham leitos disponíveis para quem realmente precisar de urgência.

Procure o posto mais próximo e proteja quem você ama: Os centros de saúde de Belo Horizonte estão abastecidos e prontos para receber a população. A vacina da Influenza é segura, gratuita, rápida e atualizada.

Não espere o inverno apertar ou alguém da sua família adoecer para tomar uma atitude. Deixe o braço pronto, passe no posto de saúde mais próximo e faça a sua parte. BH precisa de todo mundo protegido. Vacinar é um gesto de respeito pela sua vida e pela vida de quem compartilha a cidade com você

Viviane Alves

Viviane Alves é bióloga, mestre em Ciências, com ênfase em Microbiologia pela Universidade Federal de Minas (UFMG), doutora em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). É professora adjunta do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, com atuação há 15 anos na instituição. Também é divulgadora científica.

Viviane Alves

Email: [email protected]

Professora da UFMG

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