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Lula é eleito Presidente da República no segundo turno das eleições 2022

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Lula com o braço direito erguido e manifestantes na avenida Paulista
Lula é eleito presidente do Brasil pela terceira vez

Luís Inácio Lula da Silva (PT) é o novo Presidente da República do Brasil. Às 19h57 deste domingo (30), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a eleição do petista no segundo turno. 

Até esse horário, com 98,81% das urnas apuradas, ele alcançou mais de 50,83% dos votos válidos, garantindo a vitória. Até então, Jair Bolsonaro (PL) aparece em segundo lugar, com 49,17%.

Lula tem como vice Geraldo Alckmin (PSB). A chapa derrotou o atual presidente Jair Bolsonaro, que tentava a reeleição. É a primeira derrota de um presidente que se candidata à reeleição.

Quem é Lula?

Luiz Inácio Lula da Silva foi o 35.º Presidente do Brasil. Governou o país durante dois mandatos, entre 1º de janeiro de 2003 e 1º de janeiro de 2011. Foi também líder sindical e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT).

Lula nasceu em Garanhuns, Pernambuco, no dia 27 de outubro de 1945. Filho dos lavradores Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Melo, é o sétimo de oito filhos do casal.

Em dezembro de 1952, junto com sua mãe e os irmãos, migrou para São Paulo, em busca de melhores condições de vida.

Com 12 anos, Lula conseguiu seu primeiro emprego numa tinturaria. Também foi engraxate e office-boy. Com 14 anos, começou a trabalhar nos Armazéns Gerais Colúmbia, quando teve a carteira de trabalho assinada pela primeira vez. Em seguida, trabalhou na Fábrica de Parafusos Marte.

Nessa época, iniciou o curso de torneiro mecânico no Serviço Nacional da Indústria – Senai. Depois de três anos, já formado, ingressou na Metalúrgica Independência, onde permaneceu por 11 meses trabalhando no turno da noite. Em 1964, com 18 anos, teve o dedo mínimo da mão esquerda cortado por uma prensa.

Ainda em 1964, Lula perdeu o emprego depois de reivindicar aumento salarial. Em 1965, foi admitido na Fris, no Ipiranga.

Líder do Sindicato dos Metalúrgicos

Em 1966, foi admitido nas Indústrias Villares, localizada em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, onde se concentravam várias indústrias. Nessa época, passou a se envolver nos movimentos sindicais, levado por seu irmão José Ferreira da Silva, conhecido por Frei Chico.

Em 1975, foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, se tornando uma importante liderança operária. Em 1978, foi reeleito e no dia 13 de março de 1979, depois de 10 anos sem greves, comandou uma greve que paralisou 180 mil operários do ABC paulista.

Papel de Lula na fundação do PT

No dia 10 de fevereiro de 1980, Lula comandou a fundação do Partido dos Trabalhadores – PT, formado pela classe operária, sindicalistas, intelectuais, artistas e católicos ligados à Teologia da Libertação.

Ainda em 1980, outra grande greve no ABC paralisou 330 mil operários durante 41 dias. Depois de uma intervenção federal, Lula, junto com outros sindicalistas, foi preso pela ditadura militar, com base na Lei de Segurança Nacional, passando 31 dias recolhido às instalações do Dops paulista.

Em 1982, o PT já estava implantado em quase todo o território nacional. Lula liderou a organização do partido e disputou, nesse mesmo ano o governo de São Paulo, mas não se elegeu.

Em agosto de 1983, participou da fundação da CUT – Central Única dos Trabalhadores. No ano seguinte, participou da campanha das “Diretas Já” para a Presidência da República, que lutava pela democracia. Em 1986, foi eleito deputado federal por São Paulo.

Lula na Presidência da República

O PT lançou Lula para disputar a Presidência da República em 1989, após 29 anos sem eleição direta para o cargo. Perdeu a disputa, no segundo turno, para Fernando Collor de Mello.

Em 1994 e em 1998, Lula voltou a se candidatar para presidente da República novamente, mas foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso.

Por fim, em 2002, Lula concorreu pela quarta vez ao cargo de presidente da República, tendo como vice o empresário e senador José de Alencar, do PL de Minas Gerais.

No dia 27 de outubro de 2002, com quase 53 milhões de votos, Lula foi eleito Presidente da República, derrotando o candidato do PSDB, José Serra.

Lula concorreu novamente, em 2006, derrotando Geraldo Alckmin do PSDB.

Lula: Prisão e liberdade

Os dois mandatos do presidente Lula foram marcados por grandes avanços sociais e também por grandes escândalos de corrupção. Lula entrou para a história como o presidente que realizou enormes feitos e priorizou políticas que beneficiaram os mais pobres, em contrapartida, foi acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. 

Através da Operação Lava Jato, investigação realizada na época, no dia 12 de julho de 2017, o juiz federal Sérgio Moro condenou o ex-presidente a nove anos e seis meses de prisão.

No dia 24 de janeiro de 2018, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) confirmou a condenação de Lula. Na madrugada do dia 5 de abril de 2018 o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou o habeas-corpus preventivo que garantiria a liberdade de Lula.

No mesmo dia, Sérgio Moro expediu uma ordem de prisão contra Lula.

Entretanto, Lula não se apresentou imediatamente. Ele se dirigiu para o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, cercado de grande número de apoiadores. Acabou se entregando dois dias depois.

Ele permaneceu preso por 580 dias na sede da Polícia Federal de Curitiba. Porém, foi solto em 8 de novembro de 2019, depois que o STF revisou e anulou os processos, considerando que houve parcialidade no julgamento.

Nas eleições presidenciais de 2022, Lula foi lançado novamente como candidato à Presidência da República pelo PT. Acesse aqui outras notícias relativas às Eleições 2022.

Desafios

O maior desafio de Lula deverá ser a governabilidade. Após assumir a presidência, em 1º de janeiro de 2023, Lula terá que lidar com um congresso majoritariamente conservador.

O Partido Liberal (PL) de Jair Bolsonaro, que passa a ter a maior bancada na Câmara dos Deputados, elegeu 91 deputados federais.

Outro partido de direita que mostrou força foi o União Brasil, partido dirigido por Luciano Bivar. Ao todo, o partido conquistou 58 cadeiras na Câmara Federal. O Progressistas, que estava na coligação de Bolsonaro nestas eleições, vem na sequência com 46 deputados federais eleitos.

Já MDB, Republicanos e PSD fizeram bancadas modestas. Os emedebistas ficaram com 40 cadeiras, enquanto que o partido da Igreja Universal, que estava na coligação de Bolsonaro, elegeu 41 parlamentares. No caso do PSD, foram 39 eleitos. 

Já a federação “Brasil da Esperança”, de Lula, formada por PT, PC do B e o Partido Verde, elegeu 80 parlamentares. Essa votação, somada aos dos outros partidos de esquerda, dá a Lula uma base parlamentar fixa de 138 deputados, em um universo de 513 parlamentares.

O petista, para aprovar projetos do governo, deverá negociar com deputados e partidos que não o apoiaram nestas eleições. Para tanto, será necessário dialogar com o chamado “centrão”.

O centrão é uma espécie de bancada informal do Congresso Nacional, que reúne parlamentares de partidos de centro e centro-direita. Caracteriza-se pela pouca atuação ideológica e por aceitar negociar com os governos apoio em troca de cargos e outras benesses. 

Calcula-se que o “centrão” tenha saído fortalecido destas eleições, com entre 250 e 280 deputados, muitos deles eleitos na esteira do bolsonarismo.

Economia

Lula, ao longo da campanha, falou em manter o Auxílio Brasil nos patamares atuais, mas o orçamento previsto para o próximo ano prevê o pagamento do valor de R$ 400,00. 

Para cumprir a promessa, vai ser necessário aumentar os gastos discricionários do governo.  A manutenção do Auxílio no patamar atual terá um impacto adicional de R$ 51,8 bilhões no Orçamento federal do ano que vem, de acordo com cálculo da pela Instituição Fiscal Independente (IFI). A estimativa leva em conta que o benefício seria pago para 21,6 milhões de famílias.

Combate à fome

No Brasil, 15% da população, ou 33,1 milhões de pessoas, não têm o que comer, segundo o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid-19, lançado em 2022. 

O estudo realizado pela Oxfam apresentou os piores resultados sobre a fome desde a década de 1090. A pesquisa também mostra que 58,7% dos brasileiros convivem com algum grau de insegurança alimentar (leve, moderado ou grave).

O combate à fome é aspecto central do programa de Lula. O ex-presidente terá que enfrentar a situação e tentar minorar a situação de insegurança alimentar dos brasileiros, mesmo com uma situação econômica mundial potencialmente desfavorável.

Pedro Munhoz

Editor de Política do BHAZ. Graduado em Direito pela Faculdade Milton Campos e em História pela UFMG, trabalhou como articulista de política no BHAZ entre 2012 e 2013. Atuou como assessor parlamentar desde 2016, com passagens pela Câmara dos Deputados, Câmara Municipal de Belo Horizonte e Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

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