A artista visual Dyana Santos inaugura neste sábado (30) sua primeira escultura pública, instalada na Comunidade Quilombola dos Arturos, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A obra integra o projeto ‘Sementes da Memória’ e propõe uma homenagem às raízes negras que contribuíram para a formação histórica, cultural e social da cidade.
A inauguração será marcada por uma bênção conduzida por matriarcas e patriarcas da comunidade, além de um café da manhã coletivo.
Produzida em aço corten, a obra funciona como um memorial dedicado à valorização da memória negra no espaço público. A escultura foi construída a partir do encaixe e solda de duas chapas de aço cortadas a laser e traz referências ao símbolo Adinkra wawa aba, associado à resistência, perseverança e ancestralidade.
O trabalho também incorpora elementos ligados à história dos Arturos, como referências ao rosário e à coroa de sementes pertencente a Geraldo Arthur Camilo, um dos patriarcas da comunidade e primeiro Rei Congo de Minas Gerais.
Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Minas Gerais, a Comunidade Quilombola dos Arturos é referência na preservação de tradições afro-mineiras, como o Congado e manifestações religiosas de matriz africana. A proposta do projeto é ampliar a presença dessas narrativas no espaço urbano e discutir memória, pertencimento e representatividade.
Segundo Dyana Santos, a pesquisa artística desenvolvida por ela parte das experiências pessoais, do corpo e dos saberes ancestrais transmitidos por sua família. “Meu trabalho começou a partir do corpo, das experiências pessoais e das relações que construí ao longo da vida. Com o tempo, percebi que essas narrativas também falavam sobre territórios, pertencimento e memória coletiva”, afirma a artista.
Natural de Contagem, Dyana destaca o simbolismo de realizar a primeira obra pública justamente na cidade onde nasceu e vive. “É muito significativo que esse trabalho seja aqui na cidade e para valorizar a cultura de povos que participaram da fundação de Contagem”, diz.
Além da homenagem à memória afro-brasileira, o projeto também busca incentivar a presença de mulheres artistas na produção de esculturas e monumentos públicos. A artista cita referências como Amilcar de Castro e Jorge dos Anjos como inspirações para ampliar sua atuação no espaço urbano.








