O Grande Teatro do Sesc Palladium recebe, na terça-feira (3/11), às 20h30, o show “Grupo Opinião – Por Cima do Temporal”. A apresentação celebra o lançamento do livro homônimo, escrito em primeira pessoa pelo diretor e dramaturgo carioca João das Neves (1934-2018) durante seu último ano de vida.
A obra recupera a história do Grupo Opinião, coletivo que revolucionou a música e o teatro brasileiro entre 1964 e 1976, expondo bastidores, crises e as contradições do movimento. Após o espetáculo, o livro será colocado à venda no foyer do teatro.
O evento integra o projeto Literatura no Palladium e une música e teatro para homenagear um dos fundadores do Grupo Opinião.
A programação musical e cênica
No palco, os cantores Fernanda Takai, Titane e Maurício Tizumba interpretam trechos do clássico Show Opinião. O repertório revisita canções marcantes de artistas como Maria Bethânia, Nara Leão, João do Vale e Zé Keti.
A parte musical conta com o acompanhamento de Pedro Gomes no baixo, Yuri Vellasco na bateria e Tabajara Belo no violão.
O espetáculo também promove um encontro entre diferentes gerações do teatro. Os artistas Laura Castro (RJ), Rodrigo Jerônimo, Kátia Aracelle e Cida Falabella realizam a leitura de memórias e reflexões do diretor que constam no livro.
O legado de João das Neves e o Grupo Opinião
Fundado em 1964, logo após o incêndio da sede da UNE durante o golpe civil-militar, o Grupo Opinião surgiu como um movimento de resistência política e artística. Sob a influência de Bertolt Brecht, o coletivo uniu cinema, literatura, música e teatro para criar um equilíbrio entre qualidade artística e ideologia.
João das Neves foi peça central do grupo até 1983, dirigindo shows de nomes como Chico Buarque e Milton Nascimento, além de escrever a peça “O Último Carro” (1976), considerada um marco da cena nacional.
Além da atuação no Rio de Janeiro, Neves fundou o Grupo Poronga no Acre, entre 1985 e 1992, onde conviveu com os indígenas Huni Kuin. Em seus anos finais, residindo em Lagoa Santa (MG), dedicou-se a escrever a obra que agora é lançada.
Bastidores da obra póstuma
A cantora Titane, que foi companheira de vida e arte de João desde 1991, organizou o livro. Ela relata que a escrita era um desejo antigo do artista, concretizado mesmo enquanto ele enfrentava a doença.
Segundo Titane, o livro precisou de finalizações após a morte do autor, seguindo orientações deixadas por ele. “Ele pediu que fôssemos atrás das faltantes em canções e sambas de autores que, de alguma forma, se relacionassem com o ‘Opinião’. Também seria necessário localizar e inserir trechos textos e críticas (de terceiros) citados por ele”, relembra a artista.
Para a pesquisadora Roberta Capone, o relato impresso na Casa dos Pequizeiros, em Lagoa Santa, preenche lacunas históricas do teatro brasileiro e serve como alento para novas gerações que veem a arte como ferramenta de transformação.










