O compositor Márcio Borges foi eleito, na tarde dessa quinta-feira (22), novo membro imortal da Academia Mineira de Letras (AML). Poeta, músico e escritor, o mineiro, que é um dos fundadores do Clube da Esquina e irmão de Lô Borges, irá ocupar a cadeira n.º 29. Ele disputou a vaga com outros 11 candidatos e foi eleito com 32 votos, entre 34 votantes.
Anteriormente, a cadeira 29 era ocupada pelo escritor José Fernandes, que morreu em outubro de 2025. Fundada por Lindolpho Gomes e tendo como patrono Aureliano Pimentel, ela já teve como integrantes nomes como Milton Campos, Pedro Aleixo, Gustavo Capanema, Murilo Badaró e Affonso Arinos Filho.
Segundo o presidente da AML, Jacyntho Lins Brandão, a eleição de Márcio Borges implica o reconhecimento de tudo que ele fez pela cultura brasileira, como poeta e músico. “Ao mesmo tempo, sua chegada honra a AML, ao aliar a nossa história a do Clube da Esquina e, por consequência, a toda rica produção musical mineira”, disse.
Já o presidente emérito da Academia, Rogério Faria Tavares, afirmou que a eleição de Márcio Borges também reverencia o movimento musical mineiro. “Marcou a identidade de Minas Gerais para sempre. E uma homenagem a toda uma geração de talento excepcional e que ficará para sempre na nossa memória e no nosso afeto”, explicou.
Sobre Márcio Borges
Poeta, compositor e escritor mineiro, Márcio Borges nasceu em 31 de janeiro de 1946, em Belo Horizonte. Ele ingressou a carreira artística em 1968. Juntamente com o parceiro musical e amigo Milton Nascimento, o compositor construiu uma sólida carreira nacional e internacional, tendo mais de duzentas composições musicais gravadas por astros como o próprio Milton Nascimento, além de Elis Regina, Nana Caymmi, Wayne Shorter, Larry Coryell, Jon Anderson, Sérgio Mendes e muitos outros.
O Clube da Esquina, movimento que Márcio criou com o parceiro Milton e o irmão Lô Borges, reuniu uma dezena de artistas, como Fernando Brant, Ronaldo Bastos, Beto Guedes, Flávio Venturini, Tavinho Moura, Toninho Horta, Telo Borges, Murilo Antunes, e gerou centenas de álbuns ao longo de meio século de atividade musical e poética.
Márcio Borges também se destacou como cinéfilo, roteirista e cineasta amador, ganhando prêmios nacionais e internacionais em festivais da juventude, como o curta-metragem Joãozinho e Maria, feito em 1967. Márcio firmou-se também como diretor de espetáculos musicais de Milton Nascimento e Lô Borges, atividade que exerceu ao longo de duas décadas.
Poeta e letrista com uma enorme profusão de textos, musicados ou não, o escritor Márcio Borges publicou seu primeiro livro, Os Sonhos Não Envelhecem – Histórias do Clube da Esquina, em 1996, hoje na décima terceira edição. Depois disso, traduziu o livro de poemas de Paul McCartney Blackbird Singing, publicado em 1998. Em seguida, Márcio lançou a novela infanto-juvenil Os Sete Falcões, segunda edição esgotada em 2000. Márcio é também autor da coletânea Clube da Esquina – 40 Anos, lançada em 2012.
Em 2014, Márcio selecionou, traduziu e publicou o livro Cartas da Humanidade, uma enciclopédia da história humana sempre apresentada em cartas escritas na primeira pessoa. Em 2022, Márcio lançou em co-autoria com a jornalista Cris Fuscaldo, o livro De Tudo Se Faz Canção, comemorativo dos 50 anos de gravação do lendário disco Clube da Esquina.
Palestrante sobre o tema música popular, há anos Márcio Borges tem levado o seminário As Palavras Cantadas a diversas cidades do Brasil, como São Paulo, Rio, Brasília, Belo Horizonte, Campina Grande, Ouro Preto e outras, em que estimula pessoas comuns e sem experiência prévia a experimentarem a arte de compor letras de músicas. Dessa forma já foram compostas cerca de 278 letras, por participantes de 14 a 74 anos de idade. Desde 2024, Márcio ministra on-line este curso As Palavras Cantadas, gravado em 24 capítulos destinados a interessados de qualquer espectro, faixa etária e perfil profissional.











