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Museu de História Natural: Pipiripau, natureza e história no mesmo lugar

30/12/2017 às 19h15 - Atualizado em 30/12/2017 às 19h27
Presépio é composto por 580 peças dispostas em 45 cenas

Uma pequena imagem do Menino Jesus numa caixa de papelão, forrada com cabelo de milho, musgo e folhas. Foi assim, no distante ano de 1906, que começou a ganhar forma o sonho do garoto Raimundo Machado de Azevedo. O artista é carinhosamente chamado de “artesão dos movimentos” e nasceu em 5 de novembro de 1894, em Matozinhos. Quem o viu construir o embrião do Pipiripau não poderia imaginar que o presépio viria ser uma obra grandiosa, com 20 metros quadrados, 580 peças e 45 cenas, e que ainda hoje causa admiração entre as crianças e adultos.

As peças são todas modeladas em argila, papel machê e conchas, principalmente, e funcionam graças a um engenhoso maquinário feito com barbante, carretéis de linha, polias, mecanismos de relógio, radiola e gramofone. Raimundo fez do Pipiripau uma expressão de sua religiosidade e das transformações de uma metrópole moderna. À medida que ia tendo contato com as novas tecnologias, que rapidamente se sobrepunham, foi incorporando-as à instalação.

Em 1984, o Pipiripau foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Em 2012, foi fechado para diagnóstico de sua situação estrutural e elaboração de seu projeto mecânico. Em abril deste ano, o espaço foi reaberto à visitação.

Museu de História Natural: uma área de 600 mil metros quadrados onde estão várias atrações; Pipiripau é só uma delas (Fotos: Eliza Dinah/Bhaz)

O Museu de História Natural e Jardim Botânico

O Pipiripau está instalado no Museu de História Natural e Jardim Botânico da Universidade Federal de Minas Gerais (MHNJB/UFMG), uma imensa área verde que possui vegetação diversificada e típica da Mata Atlântica, reunindo espécies nativas e exóticas. Tudo isso em aproximadamente 600 mil metros quadrados onde estão, além do Pipiripau, diversas outra atrações: Museu de Paleontologia, Jardim Sensorial, Plantas Medicinais, Exposição do Corpo Humano e Exposição de Arqueologia.

Edwaldo Anjos é turismólogo e reside em Juiz de Fora, mas faz questão de recordar suas experiências no local. “Eu conheci o presépio na infância, quando as instituições de ensino fundamental faziam excursões para cá. Mas eu me mudei para Juiz de Fora e, como foi uma experiência que me marcou muito, quis trazer a minha família para ter acesso a essa experiência”.

Como disse Carlos Drummond de Andrade, assinando como Antônio Chrispim (pseudônimo): “Meus olhos mineiros namoram o Presépio e dizem alegremente: mas que bonito!” E é exatamente assim que Romilda Lopes, esposa de Edwaldo, sentiu-se ao ver o presépio pela primeira vez. Acompanhada da filha de um ano e meio, as duas ficaram encantadas com sua riqueza de detalhes.

Mas não é apenas isso. Romilda define o espaço, em sua totalidade, como sendo muito agradável e bem estruturado, dispondo de outras atrações que não somente o presépio, tanto para crianças quanto para adultos. Ele afirma que a estrutura do Museu de História Natural é muito boa e melhor até que a de outros espaços, como a Praça da Liberdade.

Edwaldo afirma que o espaço do Museu é um patrimônio desconhecido. “Belo Horizonte foca-se mais em outros espaços, como a Lagoa da Pampulha, a Praça da Liberdade e o Mineirão, entre outros. Do ponto de vista de atrativo turístico, temos que escavar, procurar e correr atrás, porque não é uma informação que vem fácil. Até consta nos portais de turismo, mas a impressão que dá é que se valoriza-se mais outros patrimônios da cidade”, afirma Edwaldo.

Romilda Lopes e Edwaldo Anjos levaram a filha, de um ano e meio, para conhecer o Museu e também o Pipiripau

Museu ganhará espaço de arqueologia ano que vem

Antônio Gilberto Costa, diretor do Museu, explica que, por ano, a visitação ao local gira em torno de 40 a 60 mil pessoas, em sua maioria estudantes em visitas guiadas de escolas. “O momento de maior alcance é o fim do ano, principalmente com a proximidade do Natal. Acontece que as pessoas vêm aqui já direcionadas a uma atração específica, ou puramente pelo lazer, desconhecendo o museu ou o espaço em sua totalidade”.

O diretor reconhece que o museu propriamente dito é pouco conhecido pelo público. Por isso, o objetivo principal de sua gestão é organizar o espaço e ampliar as áreas de conhecimento do local para, posteriormente, investir em divulgação. “Estamos trabalhando na questão da identidade. Uma das nossas novidades será o espaço ‘2000 anos de arqueologia em Minas Gerais’, que será inaugurado em 2018”, explica.

Em 1984, o Pipiripau foi tombado pelo Iphan; em 2012, foi fechado para restauração; em abril deste ano, foi reaberto à visitação

Serviço

Onde? Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG – Rua Gustavo da Silveira, 1.035, bairro Santa Inês
Quando? Aberto para visitação às quartas, quintas e sextas-feiras, das 11h às 16h. Nos fins de semana, às 11h, 12h, 15h e 17h.
Quanto? A entrada custa R$ 10.  Estão isentos crianças até 5 anos, adultos acima de 60 anos, estudantes da UFMG e funcionários da UFMG.

 

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Eliza Dinah

Jornalista e redatora do portal Bhaz
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Eliza Dinah

Jornalista e redatora do portal Bhaz
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