Daiane dos Santos revela racismo na seleção: ‘Não queriam usar o mesmo banheiro que eu’

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Ex-ginasta revelou episódios de racismo (Reprodução/@daiane_gs_/Instagram)

Quando se fala em ginástica artística brasileira, logo se pensa no nome de Daiane dos Santos. Em entrevista à Marie Claire, a primeira atleta brasileira a se tornar campeã mundial na modalidade, e também a primeira atleta negra do mundo a conquistar a medalha de ouro, contou sobre a expectativa para as Olimpíadas de Tóquio. Ela ainda relembrou episódios de racismo vivido no período de atleta.

Durante a entrevista, Daiane dos Santos lembrou de episódios marcantes que sofreu por ser negra enquanto ainda era atleta da seleção. “Acho que não existe uma pessoa preta que não tenha sofrido racismo na vida. O que acontece é que muitas pessoas não entendem o que estão passando, não sabem diagnosticar. No meu caso, sempre foi tudo muito sutil: um olhar diferente, um tratamento diferente”, relembrou.

Um episódio em questão chamou a atenção na seleção olímpica de ginástica. “Comigo, houve situações na seleção, nos clubes, de pessoas que não queriam ficar perto, que não queria usar o mesmo banheiro. Aquele tipo de coisa que nos faz pensar: opa, voltamos à segregação. Banheiros para brancos e banheiros para pessoas de cor”, lembrou.

“Teve muito isso dentro da seleção. E além da questão da raça, tem a questão de vir do sul, de não ser do centro do país, de ter origem humilde. Ou seja: ela é tudo o que a gente não queria aqui”, complementou.

Representatividade

Daiane dos Santos conquistou o primeiro ouro na ginástica brasileira em campeonatos mundiais e afirmou que “quando a gente vê uma pessoa preta em um lugar, ela representa todas as pessoas pretas”. “Mostra que é um lugar possível. E ainda mais em esportes que não são os que as pessoas estão acostumadas a ver uma pele escura”.

‘Torcida empurra, leva pra frente’

Além dos episódios de racismo que sofreu enquanto ainda era atleta, Daiane, que agora faz parte do time de comentaristas da Globo, também comentou sobre a expectativa para esta edição atípica dos Jogos Olímpicos. Tóquio 2020 é a primeira edição de Jogos Olímpicos sem público. Para Daiane, este não é apenas o único diferencial. “Esses são os primeiro jogos adiados. Já tiveram dois cancelados, por conta de guerras, mas nunca tinham sido adiados. Primeira vez na história que isso acontece”, destacou.

A presença do público, na visão da ex-ginasta, “faz muita diferença”. “Faz parte da festa, deixa tudo mais caloroso, mais alegre. Quando o atleta precisa daquela força extra, a torcida empurra, leva pra frente… Cada uma deve fazer a sua torcida em através das redes sociais, marcando os atletas que mais gostam, incentivando”.

Edição: Giovanna Fávero
Vitor Fórneas
Vitor Fórneasvitor.forneas@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde maio de 2017. Jornalista graduado pelo UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) e com atuação focada nas editorias de Cidades e Política. Teve reportagens agraciadas pelo prêmio CDL.

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