A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e a Polícia Federal (PF), com o apoio da CIPE-Caatinga/BA, deflagraram uma nova fase da Operação Colheita Proibida nesta quinta-feira (20). A ação localizou e apreendeu cerca de 40 mil pés de maconha na área rural de Cachoeira de Pajeú, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais.
De acordo com a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), durante a operação, as equipes policiais prenderam um homem de 57 anos em flagrante por tráfico de drogas. No local da plantação, além dos milhares de pés de maconha que estavam sendo cultivados, os policiais também apreenderam uma expressiva quantidade de droga que já havia sido colhida e ensacada.
Segundo a corporação, a ação ocorreu após o compartilhamento de informações de inteligência entre a Polícia Federal em Juazeiro (BA) e a Delegacia de Polícia Civil em Araçuaí (MG). Após investigações e levantamentos de campo, policiais da Delegacia Regional em Pedra Azul, com apoio de agentes das delegacias de Araçuaí, Medina, Itaobim e Padre Paraíso, encontraram o cultivo ilegal.
Mandados judiciais e bloqueios de bens em três estados
Paralelamente à apreensão no campo, a Operação Colheita Proibida mirou o núcleo de financiamento e logística da organização criminosa. Conforme a PF, foram cumpridos 13 mandados de prisão preventiva e 12 mandados de busca e apreensão na Bahia, em Pernambuco e Alagoas. As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Criminal de Juazeiro/BA.
Ainda de acordo com a PF, a Justiça também determinou o sequestro de cinco imóveis e o bloqueio de até R$ 50 milhões em contas bancárias de 36 pessoas físicas e jurídicas suspeitas de integrar o esquema. Conforme a corporação, os alvos da investigação policial responderão pelos crimes de organização criminosa, financiamento de cultivo ilegal de maconha, tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.
Veja o vídeo:
“Nunca vi nada assim”
“Em 25 anos de Polícia Civil eu não me recordo de ter visto fazendas com plantio de maconha de grande proporção e com estrutura tecnológica como essas no Interior de Minas Gerais”, afirma o delegado Rodrigo Bustamante, chefe do Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico (Denarc).
Cinco operações da Polícia Civil de Minas Gerais nos últimos meses desvendaram um ousado esquema de tráfico de drogas no Estado. Desta vez, grandes latifúndios foram descobertos com milhares de pés de maconha, algo inédito em Minas Gerais.
Em menos de um mês, a PCMG desarticulou quatro estruturas de cultivo do entorpecente espalhadas por diferentes regiões do estado, apreendeu cerca de 1,8 tonelada da droga e localizou um plantio com aproximadamente 30 mil pés.
Segundo Bustamante, o que chama atenção é que se trata de estrutura do porte de “fazendas ricas do agronegócio de Goiás. A metodologia é de primeiro mundo”. Para se ter ideia, o sistema de irrigação é feito remotamente usando a rede de internet da Starlink, empresa do homem mais rico do mundo, Elon Musk.
As investigações, ainda em andamento, indicaram que os grupos envolvidos no plantio da droga em Minas Gerais são originários da Bahia e de Pernambuco, estados onde há histórico de plantio de maconha no Brasil. “A gente acredita que seja o mesmo grupo. Agora estamos investigando quem financia os grupos. Se o PCC, o Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro… Não achamos que deve ser um grupo da América do Sul”, afirma o delegado, ressaltando que no caso da maconha trata-se de uso dentro do território, diferente da cocaína que é vendida para o exterior.












